Fevereiro de 2012
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| «Absurdo, sim! Cabala, não. É lamentável que o importantíssimo Benfica-FC Porto, não decisivo, mas crucial na renhidíssima disputa do título, se dispute 6.ª feira, tão-só 2 dias após vários dos seus potenciais protagonistas terem tido o desgaste de jogos e/ou viagens pelas respetivas seleções nacionais. Poderá dizer-se que esta situação até é... chocante: caramba, estamos em pleno sprint na busca do campeão! De quem é a culpa de tamanho absurdo? Acontece que, na resposta, surge outro (aparente) absurdo: de ninguém! Sim, desta vez, não há mesmo réu(s). FIFA e UEFA há muito têm nos seus calendários esta semana para jogos de preparação das seleções nacionais. O Polónia-Portugal será o último antes de a nossa equipa se concentrar para o Campeonato da Europa, partiu de prestigiante convite polaco – inauguração de importante estádio desse Europeu - e... está marcado desde a época passada. Ninguém poderia adivinhar que seria esta a semana do Benfica-FC Porto. Mas porquê 6.ª feira, em vez de sábado, ou domingo? A UEFA marcou Benfica-Zenit para a 3.ª feira seguinte. E o Benfica tem a legitimidade de escolher, face a dilema: defrontar o FC Porto com repouso de apenas 2 dias para ALGUNS jogadores (idêntica situação no FC Porto), ou decidir eliminatória da Champions só 3, ou 2, dias após intenso desgaste no dito «jogo do título» para TODOS os jogadores. Estivesse o FCPorto em tal dilema (imagine-se: confronto como Manchester Clty na próxima terça-feira) e igual decisão tomaria. Portanto, discursos apontando, ainda que nas entrelinhas, a cabalas, protecionismos, etc., são, pura e simplesmente, ridículos.» - Santos Neves, jornal A Bola, 29 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Euforia e depressão. Em 2 jogos o Benfica perdeu 5 pontos, só menos um do que tinha perdido nos 18 jogos anteriores do campeonato! Como pôde isto acontecer? - interrogam-se os benfiquistas. Dois fatores contribuíram para isso: a euforia que se apossou da Luz após o avanço de 5 pontos sobre o FC Porto - e o orgulho ferido do dragão. O Benfica deslumbrou-se com a vantagem, enquanto o FC Porto se sentiu vexado pelas críticas e reagiu. E isto mostra como as estruturas dos dois clubes são ainda diferentes: a do FC Porto resiste nos momentos adversos, a do Benfica sucumbe à pressão. Dentro do relvado, o FC Porto também tem um núcleo de estabilização importante: o meio-campo. O meio-campo do FC Porto sobrevive às mudanças de treinadores e jogadores. Este ano já aí jogaram Moutinho, Defour, Belluschi, Lucho, Guarín, Fernando, Souza, e o coletivo não se desune. E um fator de equilíbrio da equipa, importante a defender e a atacar. Ora o meio-campo do Benfica tanto faz jogos brilhantes como é um passador a defender e trapalhão a alimentar os avançados. O jogo de 6.ª feira na Luz não é decisivo: quem ganhar fica com 3 pontos de avanço sobre o adversário, menos do que o Benfica tinha há 15 dias. E ainda faltam jogos com o Sporting, com o Sp. Braga, etc. Mas, independentemente do que acontecer, o FC Porto continua a ser o principal candidato ao título. Porque ainda tem a estrutura mais consistente. Mas atenção: com a dupla Vieira-Jesus a equipa do Benfica atingiu patamares exibicionais que não se viam há muito na Luz. O Benfica está, portanto, no bom caminho. Pior do que perder na 6.ª feira, seria perder-se - e sair do trajeto que tem vindo a seguir.» - José António Saraiva, jornal Record, 29 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Caldeirada. O senhor presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional avança, com a resignação digna de um pagador de promessas, para uma proposta originalíssima no quadro nacional, um modelo nunca antes testado, uma fórmula resolvente que vai certamente acabar com os ordenados em atraso, com as dívidas dos clubes ao fisco, com as assistências desérticas em tantos dos nossos estádios - se depender dele, vem aí a liguilha de fim de época, esse extraordinário método que permite salvações caídas do céu ou que viabiliza prémios que nunca estiveram em causa, subvertendo - a mais de meio da viagem – o estabelecido. Num momento em que o país se retraí, eventualmente mais do que devia, por força das circunstâncias, o futebol que é mau pagador e que aparece sempre, com muitas culpas de alguns dos seus principais agentes, como aquele familiar de gosto duvidoso, capaz de exibir anéis e luxos numa fase de contenção - decide colocar no terreno uma estratégia expansionista, chamando mais gente a uma mesa que já alimenta deficientemente alguns dos que, acima de estratagemas, lá chegaram por mérito próprio e sem "tickets refeição" de secretaria. Daqui a algum tempo, sobretudo se as dificuldades sociais se mantiverem, lá haverá um portador de bom senso, menos interessado nas disputas eleitorais do que na resolução dos problemas, que vira incutir algum juízo a esta plateia de candidatos a novos-ricos. Acresce, neste preciso momento, que uma decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa pode vir a obrigar à criação de mais um lugar excedentário entre os primodivisionários, destinado ao Boavista. Não será este o local para discutir os argumentos que foram esgrimidos em favor e contra o clube do Bessa. Apesar de ainda haver subterfúgios legais (os que habitualmente surpreendem o cidadão comum, incapaz de seguir o emaranhado de pormenores técnicos e armadilhas processuais) que possam impedir o regresso pleno do clube portuense, é uma hipótese que não pode ser descurada. Pelo que apetece perguntar se, confirmada a "liguilha" e assente a ressurreição boavisteira, vamos ter Liga a 19. Por mim, para arredondar a coisa, proponho que o vigésimo seja aceite. Tendo em conta o descalabro económico que há-de seguir-se em qualquer circunstância, defendo mesmo que a realização de um leilão pode juntar o útil ao agradável, precavendo alguns cobres para os dias da miséria e criando mais uma originalidade no futebol português. Nada de chocante, neste futebol português que tem sempre este cheiro de caldeirada, nem por isso fresca nem apurada. Talvez por ter enguias a mais para um só tacho. Nota - Ao clássico só peço isto: que seja limpo. É o que se exige. Uma vez que ali vai nascer um campeão.» - João Gobern, jornal Record, 29 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O fascínío contra o Benfica. Vencer ou mesmo empatar com o Benfica é para a grande maioria das equipas portuguesas ganhar a época. Sempre foi assim, independentemente da classificação do SLB. Revela o fascínio inigualável que essas contendas têm para os técnicos, jogadores e sócios do oponente. Nas últimas jornadas, isso foi por demais evidente. O Feirense (embora derrotado), o Guimarães (que diferença em Braga!) e a Académica jogaram como raramente se vê. Nada a criticar, evidentemente... O certo é que, num momento crucial, o Benfica não foi capaz de suplantar esta emulação de medianos adversários e destroçou, num ápice, um avanço de cinco pontos. Tenho que reconhecer que, muito mais dificilmente, o Porto os deixaria fugir nas mesmas circunstâncias. Assim sendo, a Liga atinge o seu zénite antes do jogo contra o russo Zenit. Um clássico entre dois candidatos que, consoante os sonhos ou pesadelos, permite qualquer dos três desfechos possíveis. Não sendo decisivo, vai ser determinante. Um jogo que, como os ingleses dizem, é six pointer. Diria até... seven pointer porque vai determinar provavelmente o primeiro em caso de terminarem a Liga com os mesmos pontos. E não esquecendo o Braga que - sorrateiramente - está por mérito na luta. PS: lnfluentíssima arbitragem em Coimbra, com penalty claro sobre Aimar transformado numa falta deste! Para já não falar num braço de um academista. Estes nossos árbitros são uns medricas. Fora da grande-área marcam tudo, mesmo o que não deviam marcar. Na zona de rigor encolhem-se como se fosse uma diferente parte do campo. Para Hugo Miguel talvez de... verdes diferentes.» - Bagão Félix, jornal A Bola, 29 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Sp. Braga ameaça fazer história. A "notícia" vinha ganhando forma há algumas semanas e ontem confirmou-se em pleno: a quatro dias do Benfica-FCPorto, aí está um terceiro candidato ao título. E candidato de corpo inteiro, sem ponta de favor. Não há como fugir às evidências: este Sp. Braga é mesmo uma "senhora equipa" (atualmente, em Portugal, ninguém joga mais) e, com toda a propriedade, passou a fazer parte de uma corrida ao ouro que antes estava apenas reservada a águias e dragões. E esses, como é sabido, com investimentos de outro campeonato. Quando já estão 20 jogos realizados, a equipa de Leonardo Jardim depende única e exclusivamente de si própria. Ou seja: não precisa de fazer contas nem de esperar pela ajuda de terceiros para poder apontar ao título. Essa é a pura realidade. À entrada para as últimas 10 jornadas (um terço da prova) e, com o grande clássico à porta, estão até criadas condições para, no imediato, o Sp. Braga se intrometer ainda mais na guerra pela liderança. Um feito extraordinário que deve ser creditado à superior organização do clube, mas também, claro, à capacidade do seu treinador, a maior revelação da Liga 2011/12. Ontem, no primeiro jogo após o injusto afastamento da Liga Europa, a reação não poderia ter sido melhor: uma goleada infligida ao grande rival, V. Guimarães, e a chegada aos 46 pontos (os mesmos conseguidos em toda a época anterior). Este Sp. Braga é, definitivamente, um caso de sucesso. E em grande parte este novo estatuto também se deve à sagacidade do seu presidente, António Salvador, que tem feito um extraordinário aproveitamento de jogadores com registo de clube grande, conseguindo atualmente reunir no plantel nomes como Quim, Ruben Amorim, Nuno Gomes, Hugo Viana, Custódio, Alan, Ukra, Hélder Barbosa e Nuno André Coelho. O caso de Ruben Amorim não deixa de ser intrigante: o que pode ter levado os encarnados a aceitar a ideia de emprestar o médio aos minhotos até 2013? No fundo, como se explica a um adepto do Benfica que o clube tenha oferecido um jogador internacional a um adversário com o qual, agora, concorre diretamente pelo título?» - Nuno Farinha, jornal Record, 28 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Cavalos de Tróia. Não compreendo - e não sei se estou do lado da maioria ou da minoria, nem isso me importa que a Liga consinta que um jogo tão transcendente como o próximo Benfica-FC Porto, decisivo para a sorte do campeonato, possa ser disputado 48 horas depois, ou até bem menos, de outros encontros em que muitos jogadores das duas equipas irão intervir em representação dos seus países. Com a agravante de nem sequer permitir que um ou outro desses futebolistas consiga regressar a tempo de participar na tal partida do título. Julgo isto inédito. Se chamo para aqui a Liga é por ela não ter dado um só passo para encontrar uma solução (por exemplo, adiar o jogo por um dia) que respeitasse um pouco mais a verdade desportiva. E se falo em verdade desportiva é porque os contratempos (provocados por terceiros) para cada uma das equipas não são igualmente repartidos. Longe disso. No Outono de 2007 o crescimento económico de Espanha parecia imparável. Nessa altura era impensável que os problemas viessem à tona em tão pouco tempo e de modo tão doloroso. No meio da crise em que passou a mergulhar, o futebol encontrou-se perante uma encruzilhada: ou apertava o cinto ou procurava novos financiadores. Optou por esta via, como sempre fez, desta feita com recurso a fundos de investimento (como aconteceu em Portugal). Só que a entrada desses 'cavalos de Tróia' no futebol levanta questões muito sérias. Tais como: a perda de autonomia e independência dos clubes; os conflitos de interesses; os riscos de escancarar as portas à criminalidade organizada, como aconteceu na Finlândia com o fundo 'Exclusive Sport' (de Singapura) e que levou à exclusão do Tampere no campeonato.» - Manuel Martins de Sá, jornal A Bola, 28 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Racistas, nós? André Villas-Boas lançou ontem uma operação de promessa de aquisição de Hulk, no seguimento do "rendez-vous" de Manchester, confiante no desvelo do oligarca russo que há cerca de dez anos vem generosamente ajudando a pagar as contas do FC Porto. A imagem de felicidade que irradiava do reencontro destes belos espíritos tanto podia decorrer das mais-valias que o negócio lhes proporcionará, como da promessa de golos e espetáculo que a categoria do brasileiro oferece. Mas, para o FC Porto, a saída de Hulk possibilitaria também recuperar o sossego de cânticos mais adequados aos ouvidos sensíveis da UEFA, transferindo para a untuosa Velha Albion a macacada dos urros ''Hulk, Hulk, Hulk" que os responsáveis pela comunicação portista tanto apreciam. A eventual ida de Hulk para Inglaterra poderia levar com ele a graça deste apoio exclusivo, que até podia ser copiado pelos adeptos do City com o já sugerido "Kun, Kun, Kun", se não estivesse latente esse preconceito de uma nação que nunca soube conviver saudavelmente com a comunhão de raças, a tolerância de credos e a transversalidade social – comparativamente à lusitana, claro. Sem olvidar uma Liga e uma Federação sem fantoches no comando, os responsáveis do futebol português, a começar pelos do Sindicato, asseguram que não existe racismo por cá e que a campanha esta semana em curso não passa de uma formalidade, no âmbito das preocupações europeias. Estão errados, evidentemente, pois a xenofobia e a intolerância grassam há décadas no seio dos clubes, não apenas no bas-fond das claques, mas notoriamente também nas castas mais influentes. Foi através do futebol que conheci pela primeira vez uma pessoa de cor. Jogava no meu clube, chamavam-lhe José Mulato e marcava muitos golos, no distrital ribatejano. Por aquele tempo, meados dos anos 60, Portugal apresentou a primeira seleção "africana" a disputar um Campeonato do Mundo, assombrando os seus parceiros europeus pela integridade, fraternidade e identidade daquela equipa fantástica, unida por uma bandeira. A Inglaterra, por contraste, só em 1980 e depois de muita discussão integrou o primeiro negro, Vivian Anderson, na sua equipa nacional. Nas últimas décadas, o desenvolvimento da chamada indústria do futebol gerou elevados custos colaterais, justamente por causa do exacerbamento dos espíritos no sentido da reunião das hostes e no antagonismo preconceituoso dos outrora adversários, hoje inimigos. Nos anos 60, éramos todos portugueses, ainda não tínhamos sido divididos entre genuínos e mouros, por exemplo expoente da boçalidade regionalista assente na confrangedora ignorância das novas gerações sobre a influência muçulmana na nossa cultura milenar. A ideia de que o racismo se distingue entre brancos e negros atenua a gravidade da xenofobia latente e justifica que as autoridades fechem olhos e ouvidos à destilação de ódio que ecoa semanalmente na maior parte dos nossos estádios. A banda sonora dos jogos televisionados é, por exemplo, muito mais obscena do que qualquer confusão visual entre Hulk e Balotelli.» - João Querido Manha, jornal Record, 28 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Pressões e preocupações. Luís Filipe Vieira não dá a tática, nem participa no jogo tão-pouco, mas quando a temperatura sobe e o risco de incêndio se torna iminente é nele que se procura proteção e é dele que se espera a palavra sábia que serene os ânimos e faça regressar a confiança. É sobre a figura do presidente do emblema da águia que todos as frustrações desabam de cada vez que o adepto ou simples simpatizante não enxerga explicações para o desempenho negativo, para o fracasso inesperado, para o desânimo. Em Coimbra, em face da reação imediata, e por isso exaltada, à perda de cinco pontos em dois jogos consecutivos, o suficiente para permitir a tal cambalhota na cabeça da classificação, foi Vieira quem teve de ir ao balneário motivar as tropas e, logo a seguir, suportar o desagrado pela sucessão de três desfechos descoloridos, derrota para a Champions e derrota/ empate para o campeonato, que permitiu a colagem acelerada do FCPorto e desmontou a inócua teoria das pressões inventada por Jorge Jesus. O defeito será meu, com certeza, mas ainda não percebi por que carga de água, na projeção do jogo com o Gil Vicente, a 21 de janeiro, o mister veio dizer que o Benfica se encontrava num «pico de forma», sem se vislumbrarem, na altura, compromissos de elevado grau de dificuldade. Um assunto que estranhei, na medida em que me parecia muito mais sensato e inteligente alcançar o Benfica o seu ponto mais alto de rendimento um mês depois, precisamente quando tivesse de receber os portistas ou se reiniciassem as competições europeias. Creio ter-se tratado de mais uma extravagância na oratória, característica, aliás, no treinador benfiquista, pensando ele que meia dúzia de vitórias e de outras tantas exibições luzidias são o quanto baste para o colocar no centro do mundo. O clássico não vai decidir o título, pois não, mas o título vai depender muito do clássico. Será campeão de Portugal quem, no final da 30.ª jornada, somar mais pontos. Os campeões se constroem com pontos ganhos e não com pontos que ficam por ganhar... Um raciocínio lapaliciano, de tão básico, mas que espelha o elevado significado deste Benfica-Porto e adverte para o peso das consequências desportivas e anímicas que dele irão resultar. Antes da Académica, considerava Jesus que a pressão era problema dos outros, numa ilusão óbvia a Vítor Pereira, por se situar este dois pontos abaixo. Agora, o quadro modificou-se, o desnível pontual desapareceu e a tal doença medonha passou a atingir ambos por igual. Tenho para mim que os treinadores portugueses abusam do tema e fazem-no regra geral como capa de proteção, como algo antecipado para a eventualidade de tempestades que não desejam, mas pressentem. É a preocupação que espreita e, nesse sentido, com a águia em baixa e o dragão em alta, haverá mais motivos a sul do que a norte para a temer. Mas não é só: o historial de Jesus nos confrontos com o FCPorto também não entusiasma: três vitórias, cinco derrotas e um empate, com 11 golos marcados e 17 sofridos. Dos nove encontros realizados, três foram no Estádio da Luz e nem esse pormenor representa uma situação de vantagem para Jesus, pelo contrário: uma vitória frente a Jesualdo Ferreira (1-0, campeonato) e duas derrotas diante de André Vilas-Boas (1-2, campeonato; 1-3, Taça de Portugal). Tudo isto faz parte do passado e tem a relevância que cada um lhe quer atribuir. Na sexta-feira, porém, é o futuro que estará em discussão. Um grande jogo é o que se espera. O Benfica, já o escrevi antes, neste espaço, vejo-o como uma máquina dinâmica, explosiva, que precisa a de alguém que a oriente, sim, mas que lhe permita a liberdade e a irreverência necessárias para espalhar o imenso talento que possui. O FCPorto, aparentemente ultrapassada a crise interna motivada pela exclusão da Champions e pela irritação que a promoção de Vítor Pereira provocou, está muito forte. Janko não é Falcao, mas tem sido a referência que faltava no ataque e... Lucho Gonzalez faz toda a diferença. Com ele, há outro Porto! PS - Senhores Jesus e Pereira, cuidem-se: não sei se repararam, mas o vosso companheiro Leonardo Jardim aparece à distância de três pontos, feliz e... sem pressão. » - Fernando Guerra, jornal A Bola, 28 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Hoje houve controlo antidoping surpresa. Que coincidência... tocou a todos os espanhóis: Capdevila, Nolito e eu» - Javi Garcia, através da rede social Twitter, 28 de Fevereiro de 2012. | |||
| «E está a chegar o SCBraga... Benfica em brusquíssima derrapagem (veremos, já 6.ª feira, se ainda com hipótese de controlo que evite o abismo). FCPorto de regresso ao topo, mas hesitante na convicção (lá está: tira-teimas 6.ª feira). E eis que pode surgir, a sério!, o... SC Braga! Sim, está quase, quase, na corrida ao título. Basta-lhe vencer esta noite o grande derby minhoto, nada fácil, convenhamos, face à excelente recuperação do V. Guimarães na era Rui Vitória, com o requinte de, há uma semana, ter quebrado a invencibilidade que o Benfica alardeava na Liga. O triunfo em Istambul confirmou: Braga tem equipa também animicamente muito forte. Hoje, a par desse recente desgaste, sentirá enorme extra de motivação: poder ficar com o 1º lugar à distância de tão-só 3 pontos; ou seja, apenas de si próprio dependente para subir ao trono nos diretos despiques com Benfica e FCPorto... Sporting na mudança de comando técnico: três triunfos, perante Legia, P. Ferreira, Rio Ave, todos em Alvalade, todos por 1-0... Simplesmente positivo. E o Marítimo mantém-se lapa no taco a taco pelo 4.º posto. Preciosa vitória sadina em Aveiro levou à demissão de Rui Bento. Porém, na queda do Beira-Mar - só 1 ponto nos últimos 7 jogos - há outra realidade: defrontou Braga, Marítimo, Sporting, V. Guimarães...» - Santos Neves, jornal Record, 27 de Fevereiro de 2012. | |||
| «“Rituais satânicos não vão deixar o Benfica ser campeão”. Fernando Nogueira, conhecido como o Bruxo de Fafe, garantiu a Record que o Benfica está a ser alvo de forças satânicas. O especialista de artes transcendentais, de 48 anos trabalhou para o V. Guimarães, conta o que viu na casa de alguém também da sua área. "Há cinco domingos, tive um encontro com uma pessoa da área do sobrenatural mas que é, especialista apenas no mal. É uma mulher que vive no Alto Minho e cujo nome não posso revelar. Qual não foi o meu espanto quando verifiquei que na casa da mesma existia um alguidar com fotografias dos jogadores e treinador do Benfica com rituais satânicos", revela. "Essa pessoa trabalha para que o Benfica não seja campeão e para que haja desentendimentos entre os jogadores", concretiza. "Se a mulher está a trabalhar sozinha ou não, isso não sei. Não me quis dizer quem é que lhe estava a pagar, só me disse que estava a ser muito bem paga", acrescenta. Fernando Nogueira alerta os responsáveis encarnados. "Isto funciona e se nada for feito em contrário o Benfica não vai ser mesmo campeão e vai ter muitos problemas, como já se está a ver, mas há meios para eliminar o efeito destes rituais." Por isso, "a direção do Benfica que se ponha a pau".» – Jornal Record, 27 de Fevereiro de 2012. | |||
| «A tempestade indesejada. Depois do encontro com a Académica ouviram-se as primeiras vozes criticas. Poucas, mas apanharam o próprio Luís Filipe Vieira bem no "olho do furacão". Em Coimbra, o líder benfiquista respondeu aos protestos dos adeptos e instalou-se a confusão. Os encarnados deixaram escapar os cinco pontos que tinham de vantagem para o FC Porto e foram alcançados na liderança antes do clássico; o passeio que se previa deu lugar à pressão. Mas a tempestade é tudo o que os encarnados menos desejam nesta altura. O Benfica claudicou quando menos pretendia, mas de forma alguma hipotecou as suas pretensões no que à vitória na Liga diz respeito. O desfecho do clássico depende também do cenário de bonança.» - Nuno Martins, jornal Record, 27 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Meia bola e força. Sexta-feira temos o jogo que dá o campeonato, e a recuperação emocional da equipa tem de ser célere, rápida, tão rápida quanto as pernas de gazela de Rodrigo - que tanta falta nos fizeram em Coimbra... Eu podia chorar os cinco pontos perdidos nas últimas jornadas. Podia queixar-me com veemência da arbitragem e dos dois penáltis roubados à fartazana. Podia repudiar a quantidade de golos falhados, até pelo meu amado Nélson Oliveira. Podia até perguntar ao Míster por que é que o Aimar e o Matic saíram deixando-nos sem miolo, mas sei que resposta me daria Jesus. E sobretudo poderia frisar que há dois homens sem os quais o Benfica é Glorioso mas não é campeão, e um deles ficou no banco em Coimbra e lesionado nas derrotas de São Petersburgo e Guimarães: Javi García. Mas não. Decidi fazer a minha própria recuperação emocional e estou convicta que no jogo do campeonato os campeões seremos nós. Mesmo com o Emerson a fazer frente ao Hulk - ai que medo só de pensar nas chuteiras cor-de-laranja do defesa a fazer borrada da grossa -, o eixo Artur, Javi, Witsel, Aimar e Rodrigo vai ser imparável. Pouco me importa que Lucho e Janko tenham vindo fazer alguma coisa por uma equipa perdida nas mãos da incompetência de Vítor Pereira. Ao FCP só Pinto da Costa salva. A nós, 60 mil de cachecóis no ar e onze em campo. Subo ao Marquês lá para maio.» - Marta Rebelo, jornal Record, 27 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Uma época que se joga em cinco dias. Entre os próximos dias 2 e 6 de Março o Benfica joga, na prática, o sucesso da época. Para chegar em condição de discutir o título nacional e a permanência na Champions, os encarnados fizeram muitos e bons desafios, somaram pontos em série e afastaram adversários cotados. Contudo, entre a próximas sexta-feira e a terça-feira seguinte, o conjunto de Jorge Jesus joga as fichas todas. O Benfica chega a este momento-chave longe da melhor condição psicológica: em S. Petersburgo podia ter empatado e perdeu; em Guimarães devia ter empatado e perdeu; em Coimbra tinha de ganhar e empatou. Desbaratou assim, enquanto o diabo esfregou um olho, cinco pontos de vantagem sobre o FCPorto na Liga Zon-Sagres e uma abordagem mais confortável na Champions, quando receber os russos do Zenit. É verdade que em S. Petersburgo as condições adjacentes ao jogo foram invulgarmente adversas, em Guimarães a condição física foi deficiente e a abordagem técnico-tática não terá sido a melhor, e em Coimbra o pecado mortal esteve na finalização, porque oportunidades (além de duas grandes penalidades que ficaram por assinalar) não faltaram. Mas, para um clube como o Benfica estar três jogos sem ganhar provoca mossa, levanta dúvidas e é esse o principal inimigo que Jesus deverá, até sexta-feira, afastar da cabeça dos seus pupilos. Já o FC Porto, que provavelmente não esperaria chegar à Luz em igualdade pontual com os encarnados, teve o bálsamo dos cinco pontos inesperadamente perdidos pelos rivais como principal bálsamo para duas derrotas europeias, a segunda por números contundentes. Mas o futebol é assim mesmo, o Benfica que parecia ir entrar no clássico na pele do favorito acaba por ser visto de outra forma... Porém, que eu saiba, nenhuma das premissas que levaram a que a equipa da Luz tivesse durante quase toda a época um comportamento eficaz e de elevada nota artística, desapareceu. Bastará que a colocação das pedras não fuja ao normal (a defesa está toda operacional, o duplo-pivot formado por Javi Garcia e Witsel apresenta-se indispensável e é provável que Rodrigo passe a entrar nas contas...) e que os jogadores mantenham a concentração durante toda a partida. Porque do outro lado vai estar uma equipa que ganhou muito em qualidade técnica (embora tenha perdido em pulmão) com o regresso do excelente Lucho González ao Dragão. Restará falar dos jogos de seleção e do árbitro. Quanto ao primeiro tema, os danos são repartidos e as condições estavam previamente estabelecidas. Por isso não é racional fazer deste assunto um caso. Sobre o árbitro (os benfiquistas estão com razões de queixa demasiado frescas...), Vítor Pereira que mande o melhor. E os jogadores que não compliquem!» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 27 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Duelo de titãs. O jogo do ano está a chegar. Com Benfica e FC Porto mais próximos na classificação do que se previa, a Luz vai receber um dos pontos altos do campeonato. Ambas as equipas visam a liderança isolada da Liga, pelo que só a vitória interessa e há que jogar com os melhores trunfos. Neste momento, águias e dragões apresentam grande equilíbrio na sua correlação de forças. Independentemente da maior ou menor nota artística, da eficácia ou da segurança exibicional, os dois conjuntos, com virtudes e defeitos distintos, estão ao mesmo nível e é dificil prognosticar um vencedor. Se o Benfica apresenta um ataque mais concretizador e cheio de soluções, também denota algumas debilidades defensivas. Por seu lado, o FC Porto, apesar das várias mexidas no sector, tem na defesa o seu ponto mais forte, enquanto que o ataque, órfão de Falcão, tem sido menos eficaz. A partida promete emoção, mas a qualidade do espetáculo estará dependente das táticas que os treinadores vierem a adotar. Mas nada disso impedirá os vários duelos de titãs dentro de campo, a começar nas balizas, onde Artur e Helton, em grande forma, tudo farão para manter as redes invioláveis. Experientes e tranquilos, sabem que é neste tipo de jogos que podem valer pontos. Outro duelo interessante vai opor os dois Pereira, os uruguaios Maxi e Alvaro. Pelas laterais direita e esquerda das respetivas equipas, são dos principais municiadores ofensivos, pelo que o seu frente-a-frente, na mesma zona do campo, a atacar e a defender, será explosivo. E o que dizer dos trincos Javi García e Fernando, porventura os jogadores mais difíceis de substituir nos onzes dos rivais? O espanhol e o brasileiro são jogadores essenciais na manobra das suas equipas. Fortes na marcação, imperam no centro do terreno a recuperar bolas e a construir jogo. Em Portugal não há melhor do que eles. Um é alto e o outro é baixo, mas ambos com imensa qualidade. Witsel e João Moutinho também se vão cruzar muitas vezes no terreno, fazendo a ligação entre a defesa e o ataque. Inteligentes a ler a movimentação dos colegas e exímios na capacidade de passe, também colocam frequentemente à prova o seu poder de finalização. A chave do jogo pode passar por um destes jogadores. A magia das pampas também estará na Luz. Se Aimar é sinónimo de criatividade e técnica, maestro que marca e dá a marcar, já o portista Lucho González desempenha a mesma função com uma notável simplicidade de processos e movimentação em campo. O clássico não teria o mesmo brilho sem eles. E para marcar golos? Para os adeptos do Benfica, as esperanças estão depositadas em Cardozo, sempre mortífero apesar das críticas, e em Rodrigo, avançado rápido e eficaz que rapidamente se está a tornar na nova coqueluche das águias. Quanto aos dragões, com a estrela Hulk de volta às alas, aumenta a sua capacidade de fazer estragos, enquanto Janko, que ainda vai tirando as medidas ao futebol português, mostra que tem boa relação com os golos. O Benfica-FC Porto vai ser um jogo quente, mas não é decisivo. No entanto, se alguém vencer, não haverá melhor injeção de confiança para o que resta da Liga do que uma vitória sobre o rival. E convém não esquecer que há um outsider, o Sp. Braga, que pode ter uma palavra a dizer nas contas do título.» - António Oliveira, jornal Record, 27 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Uma águia em queda. Poderá ser um exagero dizer-se que o Benfica está em crise, mas há factos que prenunciam uma queda de ritmo, de qualidade exibicional e, sobretudo, de golos, que chega, afinal, na pior altura. Em apenas dois jogos o Benfica perdeu os cinco pontos que tinha de vantagem sobre o FCPorto, precisamente antes de ambos se defrontarem na Luz. Um dado objetivo que mesmo que não afete psicologicamente o clube da Luz - o que não é certo - pelo menos não deixará de motivar os dragões, que têm tudo para se chegarem, de novo, à frente. A queda do Benfica pode ainda ser vista sob a perspetiva de não ganhar há três jogos consecutivos, contando com o jogo da Champions, em S. Petersburgo, e de, apesar de ser legitimamente considerada uma equipa ofensiva, não ter marcado, nem em Guimarães, nem em Coimbra. Há ainda um outro ângulo que pode e deve ser analisado, ainda na mesma convicção de que a equipa encarnada, passa por um mau momento e que ganha expressão na forma experimental e até casual com que Jesus tenta resolver um problema que parece ser estrutural na equipa. Ontem, em Coimbra, quanto mais Jesus quis ter jogadores no ataque, menos equipa teve para atacar. Muito pior na construção com a saída de Aimar e, outra vez, sem consistência na (desta vez) imprevista ausência de Javi García.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 26 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Não posso ir ao Olival, presidente, jogo com o Bolton. Calculo que tenha sido mais ou menos assim: 'Estou, Vítor? Diz, André. Olha, estava a pensar em ver o jogo em Manchester, que achas? Por mim dá-me igual, André. É que as pessoas podem começar a falar, sabes como é, e prefiro saber que sabes que estarei lá.Tudo bem, André, queres que fale com o Reinaldo para te arranjar um bilhete? Não é preciso, Vítor, falo diretamente com o homem.’ Depois, terá sido assim: 'Estou, presidente? Como estás, André? Tudo bem, presidente. Estava a ligar-lhe para saber se acha bem eu ir a Manchester ver o jogo?, já falei com o Vítor e tudo. Aparece, vês o jogo ao meu lado. Olha, depois não queres ver no Olival o Porto-Benfica em juniores? O Vítor e o Domingos vão lá estar. Não posso, presidente, nesse dia jogo em casa com o Bolton.'» - Rogério Azevedo, jornal A Bola, 26 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O Sporting estrangeirado. Bruno de Carvalho - o "quase presidente" do Sporting das últimas eleições - confirmou que a vida "dá muitas voltas"! Referia-se à possibilidade de uma parte do capital da SAD do Sporting - e do poder de a gerir - poderem ser transferidas para um "investidor" estrangeiro; aparecera nas crónicas a identidade de um russo endinheirado (hipótese entretanto negada), mediada pelos interesses de Peter Kenyon (cuja influência se confirma). Russo ou não, sem maioria (para já) ou com maioria (para depois), o capital forasteiro está a caminho e Bruno de Carvalho aludia às criticas que uma solução assente num “fundo" com "investidores de confiança” (defendida por si no processo eleitoral) merecera. Desde as eleições é certo, o Sporting do tridente Godinho-Duque-Freitas (GDF) tem dado as suas voltas, por força da comprovação das impossibilidades financeiras e da frustração dos resultados. Voltas essas que correspondem à urgência mas também à impotência que podem fazer surgir o primeiro “grande” clube SAD português a questionar os seus associados acerca da perda da maioria, direta ou indiretamente, sobre a SAD que compete nas provas nacionais. Uma perda instrumental para a injeção de dinheiro e para a queda de uma certa identidade – isto é, de um “modelo associativo” de “grande” clube de futebol em Portugal passar-se-ia em definitivo para um “modelo capitalístico”. Se essa notícia foi o primeiro passo do que o tridente GDF prepara a breve trecho, a Sporting SAD será o laboratório do que já foi testado há muito por essa Europa fora. Falência dos clubes e necessidade de competitividade foram os argumentos para os “investidores” com liquidez aparecerem nas “empresas” depauperadas do futebol. É natural que o Sporting apareça como alvo nesse contexto de pressupostos. No mesmo campo de mira estariam FC Porto e Benfica – com uma gestão de risco há muitos anos – se o se o caminho das receitas extraordinárias não tivesse sido encontrado pelos seus gestores. Repare. Quantas vezes teve o Sporting acesso aos lucros da Champions League nos últimos 15 anos? No mesmo período, consegue enumerar um lote significativo de jogadores do Sporting que tenham sido valorizados em Alvalade e sistematicamente transferidos com mais-valias manifestas? Nani, Moutinho (ainda um negócio razoável), Simão e Ronaldo (no seu tempo): não chega! Agora junte esses negócios de alienação com os montantes gastos em jogadores e treinadores nesse mesmo período, bem como os seus custos e comissões. Pense na frágil posição negocial do Sporting junto dos bancos e parceiros de patrocínio e de televisão. Anexe os juros que cavalgam dia após dia. Depois, como se percebe do exemplo dos dois grandes concorrentes, veja se têm entrado nos cofres da SAD uma média de 20 a 30 milhões por ano (ainda que pagos faseadamente no tempo). Por fim, acrescente o esforço final de endividamento de Godinho Lopes. Se estamos endividados mas se aparece dinheiro, a gestão resolve. Se não aparece, como gerir e continuar a concorrer como um "grande"? Esta é a pergunta que atormenta a mente do GDF. É na resposta que entra o tal... estrangeiro!» - Ricardo Costa, jornal Record, 26 de Fevereiro de 2012. | |||
| Futuro. From: Domingos Amaral To: Nélson Oliveira. Caro Nélson Oliveira: Em primeiro lugar, parabéns pela convocatória para a Seleção Nacional. É justo que um jovem e talentoso avançado como tu esteja no grupo dos escolhidos de Paulo Bento. Postiga e Hugo Almeida merecem também lá estar, pelo seu passado na Seleção, mas o futuro é teu! Espero que conquistes o teu espaço, pois vamos precisar de ti em Junho. Portugal não tem uma grande equipa, e está num grupo muito difícil, portanto é essencial o selecionador ter ao seu dispor os melhores. Ontem, entraste muito bem no jogo e foi pena não teres marcado um golito. Num jogo complicado e pouco espetacular, onde nenhuma das três equipas esteve bem, tu foste um raio de esperança para os benfiquistas e quase iluminavas a nossa noite. Não foi possível ontem, mas será certamente muitas vezes no futuro. E é no futuro que o Benfica tem de pensar, não no passado. Não vale a pena carpir mágoas sobre o que aconteceu em São Petersburgo, em Guimarães ou em Coimbra. O que aconteceu foi futebol, e neste jogo ganha-se, perde-se e empata-se. Nos dois primeiros jogos, o Benfica não foi melhor que o Zenit ou o Vitória, mas ontem foi melhor do que a Académica, só que os deuses não quiseram dar-nos uma alegria. De qualquer forma, não vale a pena dramatizar. O campeonato está aberto, faltam dez jornadas, e há três candidatos ao título. Isso não é mau, isso é bom, pois dá mais luta. Preparemo-nos pois, porque aconteça o que acontecer na sexta, vai haver emoção até ao fim. Mais importante que vencer o FC Porto, é vencer o Zenit, pois essa competição é que pode acabar para a semana. O campeonato continua. Os nossos adversários que não comecem já a festejar.» - Domingos Amaral, jornal Record, 26 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O resultado fere mas o discurso mata. "Encostámos o City lá atrás"; "Estamos de parabéns, fizemos tudo para passar. Infelizmente, sofremos um golo aos 20 segundos..."; "Mostramos que somos uma grande equipa" (João Moutinho); "Tirando os primeiros 20 segundos fomos sempre uma equipa que lutou..." (Hulk); "Foi um FC Porto de grande qualidade que se apresentou em Manchester. Aliás, até ao 2-0 só deu FC Porto em campo..."; "Até ao segundo golo fomos sempre a melhor equipa em campo”; “Quem quis ganhar foi sempre o FC Porto”; “Demos uma boa imagem”; “O City goleou num jogo em que nem sequer mereceu ganhar” (Vitor Pereira). Lemos e ouvimos e não acreditamos. Que longe está este FCPorto do grande FC Porto europeu, quando não havia desculpas de árbitros perseguidores e de azares irresistíveis, nem a lógica de que levámos quatro, mas saímos de cabeça erguida. Este é um FC Porto irreconhecível e que os portugueses, portistas, ou não portistas, não querem voltar a ver, porque indicia uma mudança brutal na tão especial cultura de vitória que o FCPorto soube conquistar nos últimos trinta anos. Não deixa, aliás, de ser preocupante constatar que o discurso oficial e, por isso, por todos os protagonistas repetido, é um discurso de libertação de responsabilidades e de culpas. Uma maneira até desleal de sacudir a água do capote. Não. O FCPorto nunca foi a melhor equipa e o City mereceu ganhar, como é óbvio quando alguma equipa vence por 4-0, mesmo tendo tido menos remates e menos posse de bola. O jogo de Manchester apenas provou aos cientistas iluminados do pontapé na bola que o futebol é demasiado grande e complexo para se poder fechar numa mera estatística de remates e de tempo de posse de bola. Pelo menos, é preciso saber onde foram ter esses remates e o que alguém conseguiu, ou não, fazer com tanto tempo de bola nos pés. Uma vez por todas: quem perde por 4-0 nunca pode merecer ganhar. Por muito azar que tenha, por muito critério distorcido que tenha o árbitro. Definitivamente, não. Uma equipa que perde por 6-1 na eliminatória não pode dizer que deixou uma boa imagem, porque isso só é possível numa equipa pequenina e insegura, que não pode ser, nunca, a imagem do FCPorto. O FCPorto ensinou, ao longo das últimas três dezenas de anos, com os mais diversos treinadores, o que o Benfica já tinha esquecido. Uma equipa grande não se diminui na estatura por ter uma derrota, mesmo que ampla. Mas quando ela acontece, não pode dizer que deixou uma boa imagem. Bem pelo contrário, assume com grandeza a responsabilidade de um desastre e prova, logo a seguir, que não consentirá que ele se repita. O FC Porto não pode, afinal, ter desaprendido de ser grande. Tem bons jogadores, tem, apenas, uma equipa desequilibrada, que, ao mais alto nível, nem sempre consegue disfarçar essa óbvia fragilidade, mas não pode sentir-se orgulhoso com uma exibição que, no fundo, determinou uma derrota por 4-0. E não pode, em nome da grandeza do clube e da obra realizada com esforço e com indiscutível sucesso desportivo por várias gerações de dirigentes, de técnicos e de jogadores. Vitor Pereira deve ser o primeiro a entender que já não está no Santa Clara e não pode dar este tipo de argumentos aos seus muitos criticos, até porque, em nossa opinião, está longe de estar provado que a sua qualidade não é compatível com a dimensão do FCPorto. Precisa de aprender que uma grande equipa tem de saber ser grande em qualquer ponto do mundo e não apenas no território nacional. É que essa grandeza acaba no resultado, mas começa, sempre na atitude e no discurso.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 25 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Com esperança e sem chumbos. A possibilidade de o Benfica ter dois avançados no Europeu não passa disso. Pelo menos por agora. A concorrência forte de Rodrigo em Espanha é condicionante a ter em conta, muito mais do que Nélson Oliveira tem em Portugal, onde o défice de homens de área é conhecido. As contas finais de Paulo Bento e Del Bosque ficam para depois. A perspetiva (real) de o Benfica poder vir a ceder dois jogadores de escalão etário baixo ao certame leva ventos de esperança à Luz em relação ao Muro. Assim saibam os responsáveis aproveitar as qualidades (muitas) dos dois Mundialistas. PS - Jesus tem hoje o 10°. teste em Coimbra em jogos do campeonato principal, desde que é treinador, nos 9 anteriores nunca chumbou. Manter a tendência é fundamental.» - Vanda Cipriano, jornal Record, 25 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Escusado... Marco Fortes não concordou com a anulação de dois lançamentos seus no Nacional de Clubes, um deles para recorde nacional, e mostrou o seu desagrado, tanto na própria competição, de forma que até daria direito à amostragem de um cartão amarelo, como, no dia seguinte, em entrevistas. Em "resposta", a Associação de Leiria vetou a presença do atleta em provas sob a sua tutela. A Associação, justamente apontada como a que melhor trabalha no país, ferveu desta vez em pouca água e perdeu uma boa oportunidade para estar calada, porque os juízes (o seu e os outros) falharam duas vezes: se Marco Fortes se comportou mal, deveria ter sido publicamente admoestado; e, principalmente, veio a verificar-se que o lançamento era válido - uma falha grave, embora humana. O Benfica solidarizou-se e os seus atletas e treinadores ameaçavam boicotar a presença no Meeting de Pombal. Felizmente, a Federação intercedeu e tudo se compôs. Mas teria sido escusado...» - Arons de Carvalho, jornal Record, 25 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Imaturidade. A descontração de André Villas-Boas ao lado de Pinto da Costa, em "Camp Blue", assistindo ao Manchester City-FC Porto, é um sinal de total falta de senso e de maturidade. Desde logo porque o Chelsea saiu de Nápoles, na véspera, vergado ao peso de mais uma derrota (3-1) e por números que tornam difícil a vantagem na eliminatória após a partida da segunda mão. Depois porque a equipa de Villas-Boas somou o seu quinto jogo sem vencer - três empates, duas derrotas, 6-10 em golos - agravando uma crise que põe já em risco o 4.° lugar na Liga inglesa, o último que dá hipótese à participação na Champions. Os "blues" estão em 5.°, perseguidos pelo Newcastle, a 1 ponto, e pelo Liverpool, a 4. Em vez de tomar as dores dos adeptos, Villas-Boas fia-se no seu "goodwill" junto de Abramovich, a quem apresentou a bandeja com as cabeças dos veteranos, feitos maus da fita. E exibe-se ao lado do antigo patrão, com grandes sorrisos, em postura de arrogância própria dos que se julgam acima dos outros sejam quais forem as alhadas em que se metem - e para mais com o colega de profissão que lhe sucedeu em dificuldades, veja-se que bonito. O russo deve ter gostado dessa ostentação de confiança e mais gostará ainda de ouvir os adeptos - que o seu dinheiro contém mas não silencia - se hoje com o Bolton continuar a série de insucessos que ameaça transformar-se em penosa via-sacra até ao final da época André Villas-Boas ganhou quatro títulos pelo FC Porto e é isso, e não é pouco, o que tem no currículo. Mas bem podia começar a preocupar-se em demonstrar, para já no Chelsea, que tudo aconteceu graças ao seu talento e não à "boa herança" recebida no Dragão dos seus antecessores, ou à conhecida capacidade da estrutura montada pelo homem que o "inventou" e ao lado do qual resolveu agora pavonear-se – à míngua de resultados, vive-se de efemérides.» - Alexandre Pais, jornal Record, 25 de Fevereiro de 2012. | |||
| Hospital verde. Nunca se viu nada assim. Os jogadores do Sporting caem nos relvados como tordos, lesionados ou com dores musculares. Alvalade não foi ao mercado contratar jogadores, descobriu algures uma enfermaria e, benemérito, transformou o clube num enorme hospital. Só as limitações do Legia e as estrelinhas da sorte permitiram que o Sporting continuasse em frente na Liga Europa. Com três substituições forçadas por lesões, como pode um treinador dar para este peditório? E, espanto dos espantos, foi a sexta lesão de Rodríguez esta época. Em Alvalade, ainda vai chegar o momento de não se aguentar o cheiro da famosa "pomada das velhas", de se verem caixas de Voltaren a circular pelo estádio e muletas para auxiliar os jogadores enquanto aquecem. A todo o momento me lembro da afirmação indignada de um amigo, que reproduzo embelezada: "Uma equipa presa por arames sustentada por uma direção incompetente". Nem mais.» - Alberto do Rosário, jornal Record, 25 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O Totonegócio e um negócio à portuguesa. Ninguém tem coragem de explicar devidamente que, em Portugal, decide-se do ponto de vista juridico, muito mal, mas mesmo muito mal. O Totonegócio foi uma fórmula mágica, encontrada no tempo dos governos de Cavaco Silva, para se pagarem cerca de 50 milhões de € de dívidas fiscais referentes a vários clubes de Futebol, que os mesmos possuíam desde 1985 a 1995. Então, alguém se lembrou que uma percentagem das receitas do Totobola, poderia ir directamente para os cofres do Estado pagando essas dívidas fiscais. Não vou aqui e agora explicar que a maioria das tributações fiscais foram todas mal feitas, isso seria matéria para acabar de vez com a República. O que interessa é que existiam dívidas no papel, qualquer que fosse a sua proveniência e para dar a entender que todos deveriam pagar, não existindo privilegiados, tinha de se resolver o problema. Ou me engano muito, ou ainda tivemos participações de actuais banqueiros, hoje em dia postergados nestas negociações! Seja como for, já no consulado dos governos de António Guterres, foi aprovado a que viria a ser mundialmente conhecida como Lei Mateus, a qual era um quadro geral de regularização de dívidas ao Fisco e à Segurança Social. Recordo-me de ter ido ao programa da SIC "Os Donos da Bola",em 1997, na qualidade de vice-presidente do Oriental, que naquele momento não tinha quaisquer dívidas registadas, e ter alertado para o facto da afectação das receitas do Totobola, para liquidar as dívidas dos prevaricadores, ir prejudicar os que não as tinham, pois deixariam de receber essas verbas. Em Março de 1998, o Estado veio a aceitar como forma de liquidação das dívidas fiscais as receitas futuras dos clubes, geradas pelo Totobola até 2010, acabando o contrato de dação em pagamento por ser assinado a 25 de Fevereiro de 1999. Nesse acordo, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a Federação Portuguesa de Futebol vieram a assumir, em regime de solidariedade, a responsabilidade pelo pagamento em caso de omissão de verbas, agindo, também, na qualidade de gestora de negócios dos clubes. A adesão ao acordo apenas seria permitida a clubes de Futebol que tivessem cumprido as obrigações fiscais entre 31 de Julho de 1996 e 31 de Julho de 1998, comprometendo-se estes a não gerarem mais dívidas. Foi nomeada uma Comissão Técnica pelo governo para avaliar as receitas do Totobola devidas aos clubes, face, entretanto, ao acumular de juros, cálculo de coimas e todos aqueles excedentes que conhecemos, a qual fixou o valor entre os 41 M€ de valor minimo e 65 M€ de valor máximo, pelo que o montante médio estimado era de 54 M€. Ninguém se lembrou de avaliar a capacidade de receita do Totobola nos próximos anos, nem ninguém se lembrou que poderiam surgir no mercado opções mais vantajosas, como veio a ser o Euromilhões, isto tudo com o beneplácito régio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que detinha, e continua a deter, o exclusivo de tudo o que é jogo. Sem ninguém se ter lembrado do conceito "contingência financeira", o despacho n.º 7/98, de 4 de Março, estimava que as receitas futuras do Totobola em 54 M€ e as dívidas fiscais dos clubes em cerca de 58 M€, se equilibrariam e tudo ficaria resolvido. Como era mais que evidente, as receitas do Totobola não chegaram para o "tabaco" e vieram a ser exigidas através de execuções fiscais, quer à Liga, quer à Federação, que se tinham obrigado solidariamente pelo seu pagamento. As duas entidades decidiram ir discutir o assunto para os Tribunais e pela Lei Portuguesa - paga-se primeiro, manda-se vir depois – as mesmas tiveram de prestar garantias. A FPF deu como garantia a antiga sede da FPF, na Praça da Alegria, por causa do incumprimento de obrigações fiscais por parte do Leixões, no valor de 4M €, dívida esta enquadrada no Totonegócio. A LPFP também deduziu oposições e recorreu para o Tribunal Central Administrativo Norte, que não reconheceu a razão ao organismo, o mesmo sucedendo com o Supremo Tribunal Administrativo. Por último, o Tribunal Constitucional não considerou inconstitucional a responsabilização da LPFP e da FPF pelas dívidas dos clubes. Mas vejamos "en passant", algumas das decisões dos nossos Tribunais, Fig. 1. Ou seja, blá, blá, mas no fim lavo daí as minhas mãos porque a acção foi colocada fora de prazo, Fig.2. E depois termina: Ora, restringindo-se o objecto e âmbito desta acção administrativa especial, ao acto administrativo cuja declaração de nulidade a A. peticiona, em harmonia com o disposto no art. 46°, n° 2, al. a) do CPTA, excluída fica a possibilidade de fiscalizar, através desta acção, a legalidade do acto (contratual) concretizador da assunção da dívida, pela Liga à Luz da sua incapacidade para o outorgar (acto cuja impugnação está sujeita ao regime da acção administrativa comum, por força do disposto no art. 37°, nº 2, al. h) do CPTA (conjugado com o art. 4°, n° 1, al. e) do ETAF), Termos em que, por todas as razões expostas, terá de improceder a presente acção. Em Portugal é assim, nunca se quer conhecer de nada! O mesmo "mutatis mutandis" às apostas on-line!» - Pragal Colaço, jornal O Benfica, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Que farei eu com esta espada? Na mesma semana, com época a mais de meio, o nosso Benfica fraquejou e mostrou que não é invencível. Perdemos a invencibilidade na Champions League e também no Campeonato Nacional. Há dois momentos em que as lideranças se distinguem: no momento da vitória, da segurança, e no momento da derrota, da ameaça. Nesses dois momentos, o líder tem o poder, tem a Excalibur. Tem a obrigação de, tal como o Conde D. Henrique no poema pessoano, olhar para a espada que tem em mãos e perguntar-se o que fazer com ela. Poderíamos, se não fôssemos Benfica, manter a espada na bainha, não agir, entregarmo-nos à frustração da derrota e, acreditando na campanha montada na mediocridade dos editoriais encomendados, fazer do pessimismo e do desânimo o caminho. Uma vez que somos Benfica, este caminho não é, não pode ser, opção. Seguimos em frente na liderança do Campeonato e estamos obrigados a vencer adversário após adversário, com a convicção de que nenhum deles fará, como pontualmente fazem com alguns dos nossos rivais, do jogo uma farsa com vencedor antecipado. Deste modo, resta-nos lidar com a perda da invencibilidade como uma oportunidade para regressar ao bom hábito das vitórias. Resta-nos cumprir este propósito com humildade, a mesma que serve de base para se fazer uma caminhada digna; com ousadia, a mesma que distingue o conformadinho (assim mesmo em diminutivo) do inconformado; e, essencialmente, com uma entrega total, aquela que transforma homens em heróis. Temos a espada em mãos, logo, o único caminho a seguir é, tal como no poema pessoano, erguê-la e fazer. Menos do que isto é trair o que há de Benfica em cada um de nós. Enfrentemos o futuro, sem medos.» - Pedro Ferreira, jornal O Benfica, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Vantagens. O dia da decisão é o 6 de Março e o local é a nossa casa, na nossa terra e entre a nossa gente. Primeira vantagem. Já imaginaram o que vai ser "O Inferno da Luz" a puxar pelo que faz falta ao Benfica para seguir em frente? Depois, acontece que iremos jogar num relvado de Futebol e não numa geleira sob a qual jazem os bicos do que terá sido uma plantação de cardos. Segunda vantagem. Também iremos jogar numa época com um clima apropriado para a prática do Futebol, num País onde o Campeonato está a decorrer, por isso mesmo. Terceira vantagem. Por outro lado, dificilmente teremos um árbitro tão tendencioso e mal-intencionado como o de São Petersburgo, que deu a mesma punição a Pablo Aimar, por saltar de braços erguidos num movimento simplesmente para se elevar, sem tocar no adversário, e a uma besta que entrou a matar às pernas do nosso Rodrigo. Quarta vantagem. Esperamos ainda ter todas as nossas outras estrelas disponíveis para o jogo, para lá da exclusão de Aimar, por quezília deliberada do árbitro da primeira mão. Mas daí vamos tirar uma motivação extra: ganhar a eliminatória por tudo e, também, em homenagem a Pablo Aimar, para lhe dar mais uma oportunidade na Champions. Quinta vantagem. E teremos o brio dos nossos jogadores, de todos os inscritos e dos 11 mais três eventualmente chamados, a sua classe, a sua linhagem, a sua competência, dedicação, espírito de sacrifício e entrega. Somando estes 14 proveitos chegamos à décima nona vantagem. A vigésima e decisiva vantagem é o nome do Sport Lisboa e Benfica, um Clube lutador, o "Glorioso".» - João Paulo Guerra, jornal O Benfica, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Objectivamente. Não adianta chorar pelos pontos perdidos em Guimarães se não tomarmos outra atitude perante as adversidades que aí vêm! Aquela derrota só pode ter sido uma brincadeira de Carnaval! Mas uma brincadeira de mau gosto que só vai desvanecer quando o Benfica vencer o FC Porto no início do próximo mês na Catedral da Luz! É preciso ter força, muita força para resistir a partir de agora à força da pressão sobre os benfiquistas! Virá de todo o lado e não nos podemos distrair nem um minuto! Basta pensar um pouco e ler o que já se escreveu nestes dois/três dias pós-jogo de Guimarães. Calma, muita calma porque nós somos melhores e vamos descolar outra vez para andarmos mais à vontade nas competições! Até já o novo e "desengonçado" calmeirão do clube das riscas grita eufórico com a derrota do SLB!... Não é preciso muito tempo para aprenderem o caseiro manual de (mau) comportamento!... A propósito de mau comportamento, quem não está a facilitar por agora é a UEFA, a propósito dos insultos racistas da claque portista no jogo frente ao Manchester City. Vão ter inquérito e é bem possível que levem uma lição de boa educação! As comissões que analisam estes excessos, normalmente, não se deixam influenciar pelos "pontas de lança" que o FCP tem por lá espalhado há alguns anos. (Veja-se a análise ao Apito Dourado que tanto prometeu e que acabou em arquivos e mais arquivos). A sua defesa por agora é disfarçarem dizendo que gritavam pelo Hulk!... Deve ser a mesma confusão que fazem quando gritam SLB, SLB, SLB e chamam pela mãe deles.» - João Diogo, jornal O Benfica, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Irritações. 1. Dois jogos, duas noites de irritações. Em Guimarães, tudo nos saiu mal naquele campo lavrado (como é possível?). Na Rússia, foi uma pena aquele falhanço de Maxi Pereira (excelente até então) mesmo no final do jogo. O Benfica merecia bem melhor resultado, num desafio com vários motivos para insatisfação: desde logo a lesão de Rodrigo, vítima de mais uma "jogada" de Bruno Alves (que no dia seguinte esteve a assistir ao FC Porto-Manchester City...); depois, o inacreditável amarelo a Aimar, que o impede de jogar na Luz; finalmente, aquele golo estúpido no final do jogo, quando ainda estávamos a festejar o 2-2. Que irritação! Irritação que, aliás, já vinha das primeiras imagens, com o Benfica sem o seu (nosso) equipamento vermelho e branco de sempre (porquê?), e prosseguiu depois com o facto inacreditável de a RTP não ter um "narrador" (pelo menos) no próprio estádio (para onde estão a levar a estação de todos nós?). Enfim, temos todas as hipóteses de passar na Liga dos Campeões e continuamos na liderança da Liga, com um calendário mais favorável. Mas era desnecessária tanta irritação... 2. Pinto da Costa mostrou-se desagradado com o facto de terem ligado a saída de Domingos do Sporting a uma pretensa conversa que terá tido com dirigentes do FCPorto. Até posso admitir, não pelo que afirma o presidente do FCPorto, claro, mas pelo desmentido de Domingos, que não terão existido contactos formais. Mas que não seria, nem a primeira nem a segunda vez (nem por certo a terceira...), que o FC Porto tem comportamentos deste tipo - vide João Moutinho, vide Kléber, vamos a ver se não Éder também (que história estranha esta do jogador que a Académica pretendia vender para o estrangeiro). E vamos a ver se dentro de alguns meses - se calhar nem precisaremos de esperar pelo final da época - não veremos Domingos mesmo no FC Porto... 3. Agora é a transferência de Hulk que será investigada, no âmbito de suspeitas sobre o empresário que esteve nesse e noutros negócios. Sempre o FC Porto ligado a eles... 4. O Sporting voltou às queixinhas do árbitro. Apontou dez erros em jogo em que até nem merecia ter ganho. Depois de tanta confusão interna, há que distrair os adeptos.» - Arons de Carvalho, jornal O Benfica, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Kong! Kong! Kong! Como no filme de Peter Jackson, os selvagens gritam histéricos pelo nome do macaco grande ao mesmo tempo que lhe oferecem jovens donzelas na tentativa de lhe acalmar as fúrias: KONG! KONG! KONG! Os selvagens formam uma turba insana. Vomitam ódio e desespero. Cospem insultos e ameaças. As ordinarices são comuns a todos: homens, mulheres, crianças, velhos... Seguem a cartilha de Chefe Palhaço que admite tratar os melhores amigos como se fossem filhos da mais reles das rameiras. É uma (in)cultura. É uma escola. Quem nela andou não esquece mais. É a escola do sarrafo, do golpe baixo e traiçoeiro, da violência gratuita e injustificável. Os gestos infames repetem-se aqui e ali e os protagonistas são sempre os... mesmos: filhos do Madaleno, que se alimenta a fel e a veneno. E de cada vez que os selvagens se lançam sobre os pobres inocentes obrigados a suportar a sua incivilidade, centenas de gargantas repetem o som escabroso: KONG! KONG! KONG! Talvez, como dizia Mário Filho, a vitória seja uma doença que só a derrota cura. Mas esta é a única forma de vencer os selvagens, o macaco gigante e o omnipotente Palhaço. Ganhar, ganhar, ganhar sempre. Cada derrota, cada queda, cada falha, levanta do outro lado da barricada um clamor estafado: KONG! KONG! KONG! Por isso não há caminhos de retrocesso. Ganhar é o verbo! Repitam-no teimosamente, sobretudo no presente do indicativo e no futuro. Repitam-no e conjuguem-no. A toda a hora de todos os dias. Só assim o Madaleno se esfumará tão fatuamente como foi a sua existência e os selvagens tresloucados de raiva e estupidez calarão os seus gritos de KONG! KONG! KONG! Mas, às vezes, o futuro que parecia ser já ali fica um pouco mais longe. É então que se torna necessário encher o peito de uma paciência infinita enquanto se alarga a passada por uma estrada em cujas bermas os selvagens se babam de ranço e esperam que alguém escorregue para lhe morderem o pescoço.» - Afonso de Melo, jornal O Benfica, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «A velha ponte. Ficou na história a tirada provocatória de José Maria Pedroto, que atribuía à ponte da Arrábida uma portagem para a derrota sempre que o Porto a atravessava a caminho de Lisboa. A tendência para inclinar o poder decisório para a capital, insinuando que o mérito apenas dependia dos favores arbitrais, consubstanciava uma ótima razão para as incapacidades próprias para contrariar a qualidade dos rivais de Lisboa. Passadas várias décadas o assomo de coragem virou-se para a Europa. A ponte para os insucessos tem uma margem no aeroporto Sá Carneiro, e outra, numa qualquer cidade do Velho Continente. Desta vez em Manchester. Atente-se que Vítor Pereira conseguiu perceber, depois de estar a perder aos 20 segundos (terá sido um record na Liga Europa?), "... que dificilmente uma equipa portuguesa ganha uma competição desta natureza por duas vezes consecutivas. Viu-se no decorrer do jogo". Entendo a frustração do técnico azul e branco, e a desilusão de não contar com o presidente sentado a seu lado, no banco, como o fez noutros tempos, com outros treinadores. Ao invés, nas suas costas, imaginava o que o futuro lhe reserva, numa época em que vai deixando pelo caminho todos as conquistas a que se propôs no clube, abrindo-lhe a mais precipitada porta da carreira. Também a exaltação de uma goleada leva a lapsos de memória da história recente dos dragões. José Mourinho - é verdade, sempre ele - conseguiu, em dois anos consecutivos, vencer a Taça UEFA e a Liga dos Campeões. E sem internacionais de várias paragens. Eram portugueses, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Deco, Maniche, Costinha, Vítor Baía, Nuno Valente, Derlei, (que ninguém quis naturalizar), Ricardo Costa, César Peixoto, e outros, que deram milhões de euros a ganhar ao clube. Mas as desculpas esfarrapadas para o insucesso brotam de várias paragens. Com o carrego de duas derrotas consecutivas, Jesus esmerou-se em justificá-las com o banal cliché: ''Não merecíamos perder." Como se agora os golos não fossem o detalhe que desfaz a diferença entre os que vencem, e os que lastimam a dor. Depois do frio nas botas no Leste, e do relvado pesado em Guimarães, julgo que é bem capaz de chover em Coimbra, ou que a rega sobrecarregue o palco do jogo da próxima jornada encarnada. A escassez de chuva tem sido para os encarnados um "ai Jesus". Mas os apelos ao Divino dispersam- se por todos. Ainda ontem, frente a uns sofríveis polacos - peco por excesso influenciado pela minha costela leonina - o Sporting pouco mais fez do que mostrar coração, e uma constrangedora vaga de handicaps fisicos. Se foi esta a razão que afastou Domingos do comando técnico leonino, ela devia ter sido mencionada no comunicado de despedida, desejando felicidades, como as regras da elogiada etiqueta leonina impõem, e acrescentando que já não há vagas para mais lesionados no clube. Regresse então o City a Portugal, para, humildemente percebermos que os euros, libras ou dólares, no futebol, distinguem as vitórias morais, das goleadas. Força Sporting.» - Jorge Gabriel, jornal Record, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Cá se fazem... No outro dia, ao ver a cara do francês Arsene Wenger no italiano Giuseppe Meazza, esmagada pelos quatro golos com que o Milan despachava o seu Arsenal, dificilmente podia não me lembrar de um tão sábio ditado popular como o 'cá se fazem, cá se pagam'. O Wenger que parecia não ter um pingo de sangue em San Siro era exactamente o mesmo que em setembro de 2008 se desmanchou ironicamente a sorrir enquanto o seu Arsenal despachava o FC Porto pelos mesmos quatro golos sem resposta, se bem se recordam: Wenger não gostaria certamente que o seu adversário da noite italiana, Massimiliano Allegri, se desfizesse a rir no banco do Milan enquanto os seus jogadores se divertiam a golear a equipa inglesa. É feio. Muito feio. Depois de ter feito o que fez, Wenger teve em Itália o que mereceu. 'Cá se fazem, cá se pagam', lá diz o povo, aos que devem aprender a não fazer aos outros o que não gostariam que lhes fizessem a eles. Não esperava eu voltar a recordar do assunto até dar, nesta última quarta-feira, com o pressionado André Villas Boas num momento de divertida descompressão a assistir, entre o presidente do FCPorto e o número dois do futebol do clube (Reinaldo Teles, sim, não o velho João Pinto...), ao desgraçado jogo dos portistas frente ao Manchester City. Enquanto no relvado a equipa do ex-adjunto Vitor Pereira sofria para estancar a goleada de 4-0, a fazer lembrar uma outra noite de Manchester, faz agora 15 anos, quando o FCPorto então orientado por António Oliveira foi incapaz de evitar outro inesquecível 4-0 diante dos red devils, rivais do City. Nessa já distante noite, era Beckham ainda um jovem rapaz com o número 10 na camisola e Eric Cantona o senhor dono do número 7 do time de Alex Ferguson, e de comum com a noite desta quarta-feira apenas o facto de o então guarda-redes portista ter sido Hilário, que hoje está no Chelsea com Villas Boas, e de o FCPorto ter sido naquele jogo tão incapaz de controlar os contra-ataques do adversário como foi o FC Porto de Vitor Pereira sempre incapaz agora de controlar os contra-ataques do Manchester City, apesar de em ambos os casos ter dado a equipa portuguesa a sensação, mas apenas a sensação, de conseguir dominar o jogo. Na verdade, ao contrário do que diz Vitor Pereira, não foi o resultado de quarta-feira em Manchester que foi mentiroso mas o FC Porto, que tendo mostrado o que tinha de mostrar, atitude, jogou sempre de menos para merecer dar a volta à eliminatória que começou a perder, aí sim, injustamente, no seu próprio estádio, há uma semana. Ninguém perde 4-0 por acaso e ninguém vence 4-0 sem mérito. Não é do Manchester City a responsabilidade daquele disparatado passe de Otamendi no primeiro minuto, nem do disparatado protesto de Rolando após Maicon ter posto em jogo Dzeko no lance do segundo golo. Mereceu pois o FC Porto pagar pelos erros que cometeu perante um adversário fortíssimo e cheio de jogadores talentosos. O que Vitor Pereira não merecia de todo era ver o seu ex-chefe de equipa tão bem-disposto entre o presidente portista e Reinaldo Teles, como se o próprio Villas Boas não tivesse, um dia antes, deixado Itália igualmente vergado a significativa derrota. Talvez seja exageradamente especulativo associar a presença de Villas Boas no estádio do Manchester City a qualquer outro tipo de intenção que não fosse apenas a de assistir ao jogo e a de se reencontrar com velhos amigos, com os quais se fartou de ganhar ainda há bem pouco tempo. Também no futebol, porém, ou sobretudo no futebol, como bem sabemos, mais do que ser-se dá muito jeito parecer-se, como se diz da mulher de César, não vá o diabo pegar no rastilho e deitar fogo onde antes dava ideia de só haver fumo. O que André Villas Boas fez esta quarta-feira, sob o manto da amizade e do convite do ex-patrão, não se faz. Fica-lhe mal. Fica mal aos responsáveis do FC Porto mas fica pior ainda a Villas Boas. Não podia o ex-treinador portista assistir ao Manchester City-FC Porto em pleno estádio? É discutível, mas sim, talvez pudesse. Em qualquer lugar menos naquele. Ele sabe porquê. Ou devia saber. Imaginem se Roman Abramovich se lembrasse de convidar José Mourinho, Guus Hiddink ou Carlo Ancelotti para assistirem nesta altura a um jogo do Chelsea de Villas Boas... Acontece que os três estão bem e não precisam de fazer sombra a ninguém. É a sorte de Villas Boas.» - João Bonzinho, jornal A Bola, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Orgulho grunho. A UEFA abriu um processo contra o Futebol Clube do Porto por causa de cânticos racistas da sua claque no jogo contra o Manchester City. As vítimas dos insultos foram Mario Balotelli e Yaya Touré. O FCP negou, com a patética afirmação de que os gritos de "Hulk, Hulk, Hulk" foram confundidos com uma imitação de macaco, ouvida de cada vez que Balotelli tocava na bola e, em vez de admoestar os seus adeptos, respondeu com uma queixa contra o Manchester City, com a mesma acusação, agora em defesa de Hulk. Estaria certo se tivesse, antes de tudo, assumido as culpas dos seus adeptos. Pelo contrário, faz tudo para desculpar o indesculpável. O presidente do Sindicato dos Jogadores veio em defesa do bom-nome dos portugueses, garantindo que não há racismo nos estádios. Como vou à bola, digo, sem vacilar, que anda muito distraído. O racismo está é de tal forma entranhado que já ninguém leva a mal. Chamar "macaco" a um jogador negro parece ser natural. É bom que os adeptos percebam que o entusiasmo do jogo não desculpa tudo. Nesta matéria, como em relação à violência nos estádios, defendo tolerância zero. O racismo, assim como a utilização das claques para promover a intolerância e o ódio, é tratado como uma questão menor. Talvez só com a mão firme da UEFA os clubes comecem a perceber a gravidade destes comportamentos e a agir em conformidade. Não vale a pena apelar à consciência, ao civismo ou à responsabilidade dos dirigentes desportivos. Só indo à sua carteira é que vão perceber. Para que a sonora ignorância de alguns deixe de se sobrepor ao incómodo, demasiadas vezes silencioso, dos restantes. Quero poder ir a um estádio sem ter de ser cúmplice de frustrados. Gente que, sem outros talentos, tem na cor de pele com que nasceu o seu maior motivo de orgulho.» - Daniel Oliveira, jornal Record, 24 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Russos. Confesso que me enternece o narcisismo dos clubes portugueses. Parecem convencidos de que, em termos empresariais, são uma grande espingarda e que portanto há investidores estrangeiros a desunharem-se por poderem colocar lá o seu dinheiro. Até à data, nem vê-los: nem yuans, nem kwanzas, nem rublos. Nem, já agora, euros. Na tabela das alucinações coletivas lidera ainda uma OPA de chineses ao Benfica; que nunca ninguém viu. No ano passado, o Sporting terá estado prestes a ser rifado a capitais angolanos, assim se dizia, supostamente através da candidatura de Braz da Silva, que no entanto desistiu antes de chegar às urnas. Ontem, o "Diário de Notícias" garantia que um empresário russo está interessado em comprar o Sporting, que conhece como "o clube de Ronaldo". Trata-se de Mikhail Prokhorov, é o 24.º homem mais rico do Mundo, proprietário dos New Jersey Nets, e chamar-lhe "empresário russo" é uma factualidade. Prokhorov é da árvore dos oligarcas instantâneos, como o é o famoso Roman Abramovich, árvore essa criada com as privatizações na Rússia. Neste caso, a fortuna provém da indústria mineira. O futebol português não é grande mina, está tão descapitalizado como o país. Quando os clubes falam da possibilidade de ter de abrir o capita1 a empresários estrangeiros, estão a exprimir uma necessidade. Mas investidores russos não são sportinguistas nem benfiquistas, investem ou para terem lucro, reconhecimento, ou para se divertirem. Neste momento, o Sporting não dá nenhuma destas coisas. PS: Sobre a história da fonte do Sporting que, mentindo, disse à Lusa que Domingos Paciência estava em contactos com o Porto mesmo antes de ser despedido: será mesmo possível que a "fuga" de informação tenha tido como intenção deixar de pagar a indemnização ao treinador?» - Pedro Guerreiro, jornal Record, 23 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Este City tão 'italiano'... Consentir golo aos 20 segundos(!) da segunda mão, após derrota, em casa, na primeira, é... suicídio! A partir daí, durante mais de uma hora, o FCPorto teve o mérito de não baixar braços e atacou, atacou, atacou, potenciando a ideia de afligir o adversário e obrigá-lo a persistente defensiva. Em minha opinião, enorme ilusão de ótica: o controlo do jogo - e, essencial, da eliminatória - foi sempre do Manchester City. Triunfo global no bolso, reforçou decisão de ser poupadinho no esforço/desgaste – prioritário objetivo: manter liderança no campeonato inglês - e, taticamente, ardiloso. Aliás, já bom bocado disso fora visto no Dragão... Este City é, ou sabe ser quando lhe dá jeito, equipa, esquemática e mentalmente, muito mais italiana do que britânica. Nada por acaso com treinador chamado Mancini. Face a 3-1 na eliminatória, disse ao FCPorto: «Queres atacar, até gosto disso; para contra-golpes estou cá eu ». Assim italianizado, defende como muralha sem brechas, e contra-ataca com altas doses de veneno e... talento. Tanto tempo de ofensiva portista quantas evidentes oportunidades de golo produziu? Uma. No mesmo (longo) período, na baliza oposta surgiram três ou quatro. E, nos últimos quinze minutos, para matar de vez e com requintes, veneno e talento à solta no jacto de mais 3 golos! Azar de quem? Só se do Manchester City na flagrantíssima possibilidade de 2-0: defesa e guarda-redes ultrapassados, baliza deserta, pontapé do brilhante Aguero esbarrando na barra. A fechar a primeira meia hora, qualquer hipótese de despique poderia ter acabado ali. Sim, o FC Porto jogou bem... se nos esquecermos dos 4 golos. O que, convenhamos, é assaz difícil. Mas nunca jogou muito bem. Ganas de atacar, espaço para o fazer ampliado pela estratégia do adversário, mas não equivalente talento, fraca presença na grande área e, em parcial consequência, zero de eficácia. O FC Porto voltou a não ter ponta de lança... Janko fora da Liga Europa, Kléber sem sair do banco de suplentes. A par desse défice, creio que não apenas por causa dele, o estilo de atacar, um bocado mastigado, esqueceu verticalidade. Arbitragem tendenciosa? Não vislumbrei influência no resultado. Expulsão de Rolando na fase final culminou perseguição com cartões amarelos? O FC Porto foi, sim, exemplo de eterno vício das equipas portuguesas: sistemática contestação do árbitro (daí quase todas as punições disciplinares). Vício ultra enraizado nos dirigentes, transmite-se aos adeptos, aos treinadores, e, claro, dá roda livre aos futebolistas... Na Europa, por regra, tal vício tem alto custo. Aquilo de que ninguém no FCPorto, e em Portugal, tem culpa: o poder financeiro do Manchester City, permitindo-lhe chamar a si tamanha constelação. Céus!, se tira o Nasri, mete o Dzeko; se tira Aguero, mete Pizarro; tem David Silva e dois Touré, defesas graníticos, o guarda-redes da seleção inglesa; e, ontem, nem houve Balotelli... Sorteio é sorteio, não pode ser anulado. O último foi mauzinho para o FCPorto... e não só. Agora, o que se deseja é que o Manchester City volte a Portugal já de seguida. Isso está hoje nas mãos do Sporting. Na passada do 2-2 em Varsóvia, basta-lhe não perder, em Alvalade... (nem, noutra hipótese diabólica, empatar a 3 ou mais golos). O Sporting não pode também este comboio perder. Seria calamitoso não chegar à estação de Manchester por causa do Legia cuja qualidade se fica por sofrível. Dificílima tarefa do SCBraga: vencer em Istambul por diferença não inferior a dois golos. O tão lusitano Besiktas, sendo boa equipa, nada tem de papão; 0-2 em Braga é que foi péssimo. Esperança, embora curtinha, de a Liga Europa ainda ficar com um dos seus finalistas na época anterior.» - Santos Neves, jornal A Bola, 23 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Benfica e Selecção. A mais recente polémica em torno da data em que se vai realizar o Benfica-FC Porto - sexta-feira, dia 2 de Março - mostra bem o que é o futebol português e a fundamentação meramente fáctica da existência da FPF e da Liga, que se apresentam como monos da bola indígena. Já quase toda a gente se pronunciou sobre o assunto: o treinador e o presidente do FC Porto, o técnico do Benfica e o seleccionador nacional, que criticou a Liga de Clubes. Levaram e calaram o presidente da FPF, Fernando Gomes, e o presidente da Liga, Mário Figueiredo. Foram eleitos para isso. O silêncio das figuras que, apenas normativamente, tutelam o futebol nacional é a extensão e a consequência dos compromissos estabelecidos na campanha eleitoral. O caso de Fernando Gomes é paradigmático. Já teve oportunidades de ouro para assumir a sua liderança (ainda na Liga, com as incidências do Braga-Benfica) e não o fez, porque está prisioneiro dos compromissos reais e tácitos que o levaram ao cadeirão da Alexandre Herculano. Fernando Gomes ia responder a Pinto da Costa? Claro que não. A Liga foi visada por Paulo Bento, mas o seu presidente (Mário Figueiredo), que terá falado de mais junto dos clubes pequenos para assegurar a eleição (à custa da promessa do alargamento), não está em condições de "comprar uma guerra" agora com os mais poderosos, em nome de um mandato minimamente duradouro. É esta a "suprema" organização do bola lusa: presidentes-marionetas nas mãos de outros interesses, com medo de defender a honra das instituições que dirigem (?)... Vamos aos factos: 1. Em 10 de Maio de 2011, a FPF e a Liga aprovaram o calendário dos campeonatos nacionais de seniores da época de 2011/12, como se pode verificar através do comunicado oficial n.º 390 da FPF, datado de 13 de Maio; 2. Nesse calendário ('para conhecimento dos sócios ordinários, clubes, sociedades desportivas e demais interessados') lá estão bem referenciadas as datas de 28 e 29 de Fevereiro para o cumprimento de jogos internacionais Sub-21 (a 28) e AA (29); e o dia 4 de Março para a realização da 21.ª jornada; 3. Os sorteios para a competição profissional efectivaram-se em 30 de Junho de 2011; 4. O Benfica e o operador televisivo, usando de prerrogativas regulamentares, escolheram o dia 2 de Março para a realização do clássico, da mesma forma que o FC Porto e o mesmo operador televisivo escolheram a data de sexta-feira (23 de Setembro) para a efectivação do jogo da primeira volta, no Dragão; 5. O Benfica antecipou o jogo para 2 porque joga a 6 com o Zenit, da mesma forma que, na 1.ª volta, o FC Porto tinha antecipado para 23 por causa do jogo em São Petersburgo a 28. O Portugal-Polónia não dá jeito nenhum? Não. E menos dá ao FC Porto, que deverá ter (sem favores) Rolando, Moutinho e Varela na convocatória. Será o Braga, afinal, o mais penalizado? É curioso como ainda ninguém fez ruído com o Brasil-Bósnia, Roménia-Uruguai, Suíça-Argentina, Grécia-Bélgica e México-Colômbia, partindo do princípio que Del Bosque não reservará nenhuma surpresa para o Espanha-Venezuela. A FPF e a Liga são os "bombos da festa" porque assumem a sua condição de monos. Carnaval é todo o ano.» - Rui Santos, jornal Record, 23 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) No Dragão, o City entregou o jogo ao FCPorto e quando se viu a perder deu a volta ao marcador com uma facilidade imensa. Ontem, encontrou-se a ganhar antes do primeiro minuto do jogo e fechou a loja. Deixou os campeões portugueses trocarem a bola de trás para a frente e vice-versa mas nunca perdeu o controlo da situação. Terminou o City em cinismo, massacrando o adversário com golos quando o tempo se começava a esgotar. O FCPorto continua sem conseguir ganhar em lnglaterra. Mas o que impressionou mais ontem nem foi isso. Foi ver um FCPorto a jogar contra uma equipa de top da Europa sem ter argumentos para tal. E também a isso já não estávamos habituados.» - Leonor Pinhão, jornal A Bola, 23 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Será a defesa o melhor ataque? “Benfica normalmente faz golos e isso dá confiança aos jogadores.” - Jorge Jesus, treinador do Benfica, antes do jogo em Guimarães. E pela primeira vez esta época o Benfica ficou em branco. Foi em Guimarães, na terceira derrota da temporada, primeira do campeonato. Curiosamente, na conferência de imprensa em que antecipou o jogo, Jorge Jesus, treinador das águias, alegava que o facto de a equipa normalmente marcar, mais cedo ou mais tarde, trazia confiança aos jogadores. A verdade é que o Benfica sofreu cedo na segunda-feira (Toscano marcou aos 38 minutos) e não conseguiu virar o jogo. Teve algumas oportunidades, mas não confirmou a subida de rendimento que parecia indiciar na goleada ao Nacional, na jornada anterior, seguramente uma das melhores exibições dos encarnados esta época. Pior, no espaço de uma semana somou mais derrotas que nos sete meses anteriores... Porquê, então, a falta de golos em Guimarães, que impediu que pelo menos o Benfica empatasse? Para mim a explicação principal é a ausência de Javi García. Não falo sequer do facto de a derrota ter surgido num lance em que Matic, o substituto do espanhol, podia ter feito mais, falo mesmo da ausência de golos. Sem Javi, o Benfica não consegue defender tão à frente e fica mais vulnerável ao contra-ataque. A equipa joga mais recuada, mais longe da baliza adversária, por isso tem mais caminho a percorrer para chegar ao golo, e mesmo que tente jogar mais à frente raramente recupera a bola logo na saída do adversário - tem por isso menos hipóteses de ela própria aplicar o contra-ataque, coisa que o Benfica vai conseguindo fazer mesmo contra as equipas mais pequenas... Porque às vezes a defesa, ou a forma como se defende, pode mesmo ser o melhor ataque.» - Hugo Vasconcelos, jornal A Bola, 23 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Ponto de equilíbrio. Vem em má altura a derrota em Guimarães, para uma equipa que está fixada na conquista do título e que está a uma jornada de receber o maior rival nesta luta. Má altura porque 5 pontos permitiam a Jorge Jesus uma maior gestão dos imprevistos do futebol até ao clássico, mas a pressão, essa, continua do lado do Dragão, ainda num patamar abaixo da liderança do campeonato. Sofrer a segunda derrota consecutiva é motivo para uma profunda análise técnica em relação ao que falhou. Se antes, com recordes de vitórias e golos a serem alcançados, com objetivos intermédios a serem atingidos, houve um travão na euforia, agora também não há motivo para a depressão. O equilíbrio faz parte da maturidade.» - Vanda Cipriano, jornal Record, 22 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Perder a cabeça? As derrotas do Benfica em S. Petersburgo e Guimarães mostram que a equipa está ainda longe de atingir a perfeição. Perante isto, duas atitudes são possíveis: começar a pôr tudo em causa, começar a exigir mudanças, ou manter a serenidade, procurando corrigir o que está menos bem. A dupla Vieira-Jesus já deu abundantes provas da sua capacidade. Antes, o Benfica era um cemitério de jogadores, que chegavam do estrangeiro com aura de estrelas e se perdiam na Luz; hoje, os jogadores valorizam-se no Benfica. Antes, o Benfica chegava a esta altura afastado do título e fora das provas europeias; hoje, está à frente do campeonato e continua na Liga dos Campeões. Os sócios do Benfica têm de perceber uma coisa básica: nenhuma equipa pode ganhar sempre. O Barcelona, uma das grandes equipas do Mundo, já tem este ano 2 derrotas e 6 empates na Liga espanhola. Aconteça o que acontecer nesta época, o projeto em marcha deve continuar, porque só a estabilidade pode dar frutos. O FC Porto ainda tem neste momento uma solidez superior à do Benfica (e por isso continua a ser, para mim, o principal candidato ao título). Mas, para o Benfica lá chegar, não pode desorientar-se à 1ª derrota. É precisamente com a atitude contrária - com o discurso sereno, com a aposta na continuidade, com a manutenção do rumo e do projeto - que o Benfica pode aspirar a chegar onde o FC Porto já está. A instabilidade e o nervosismo deitariam tudo a perder. É preciso saber perder jogos sem perder a cabeça. É com a dupla Vieira-Jesus que o Benfica deve continuar a encarar o futuro. Pô-la em causa seria voltar ao princípio, à estaca zero, ao triste passado próximo.» - José António Saraiva, jornal Record, 22 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Os sinais. Há poucas coisas que o ser humano faça melhor do que cavalgar o sonho, sobretudo se este é alicerçado no mérito e fermentado com a ambição. Já me oferecem mais dúvidas aqueles que, por ignorarem ou menosprezarem a velocidade a que mudam os ventos da fortuna, parecem fazer questão em revelar constantemente a subida da fasquia, tentando construir ao seu redor uma onda de entusiasmo mas desprevenido a hipótese de... cair do cavalo. Jorge Jesus é um homem que gosta de falar da sua obra, do seu método, dos seus êxitos, dos seus objetivos. Por inerência, gosta de falar de si mesmo. Tanto ou tão-pouco que, ao primeiro ou ao segundo revés, o discurso perde fluidez, o tom perde diplomacia, as atitudes perdem sentido. Quando foi questionado sobre o maior aperto da liderança do Benfica após o desaire de Guimarães, meteu os pés pelas mãos e eriçou-se com alguém que lhe colocava uma questão linear. É caso para dizer que, depois de ter melhorado o seu desempenho comunicativo, o técnico do Benfica precisa urgentemente de aprender a gerir silêncios, resguardando-se, em vez de aparecer constantemente com o peito feito às balas. Não é uma questão de coragem ou cobardia - é uma oportunidade, sem recorrer a blackouts que são apanágio de outras geografias, de aplicar a inteligência. Parece evidente que, depois dos dois últimos resultados de Benfica, na Rússia e na Cidade Berço, é urgente parar, pensar e reagir. Em duas semanas, a equipa que mais espetáculo garantiu e que mais consistência foi mostrando, pode deitar tudo a perder. Numa época em que as reconhecidas fraquezas do FCPorto poderiam ter correspondido a um campeonato mais tranquilo - bastava que o clássico de 2 de março fosse jogado com os tais cinco pontos de intervalo e outra seria a respiração do Benfica que, nesse quadro, não estaria à mercê do campeão, mesmo que este ganhasse – e em que os quartos-de-final da Champions também parecem (ou pareceram?) perfeitamente ao alcance dos encarnados. Não se nega o que foi dito e escrito por muita gente acerca do Benfica. Sobre os magos, as estrelas nascentes, a qualidade diversa do plantel, as maravilhas concretizadas nos grandes momentos da equipa. Infelizmente, já houve outras ocasiões em que grandes equipas ficaram na lembrança por, contra todas as expectativas, não ganharem nada - até no Benfica. A verdade é que, muitas vezes, a grandeza também passa pela humildade de saber recomeçar. E é esse desafio que os homens de Jesus, nomeadamente aqueles que têm mais pulso e mais balneário, enfrentam agora – olhar para os jogos que aí vêm como um princípio. E todos são finais.» - João Gobern, jornal Record, 22 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O diabo a 4 na Rússia. Depois do diabo do jogo em Guimarães, ainda São Petersburgo: o diabo a 4. Vejamos: 1.º diabo: o terriço em que se tentou jogar. Um regresso insólito aos pelados. Lembro-me do chinfrim à volta do Bósnia-Portugal. O então batatal foi um horto luxo quando comparado com aquela porção de tundra russa sarapintada de umas ervas rasteiras, musgos e liquenes. A UEFA - advogada do diabo - sempre tão sensível quando um jogador tira a camisola ao festejar um golito, foge como o diabo da cruz quando se joga num daqueles baldios. 2.º diabo: Bruno Alves que, adaptado àquela terra não estrumada, entendeu, no seu estilo terra-a-terra, distribuir de motu próprio umas castanhas bem quentes para aquecer a anca e o pé de um tropical brasileiro espanhol. E que, por artes de um outro diabo, não viu a cor do cartão mandá-lo para o diabo. É caso para se dizer venha o diabo e escolha. No dia seguinte apresentou relatório em casa do dragão: o diabo seja cego, surdo e mudo, limitei-me a ser viril. 3.º diabo: o árbitro que, certamente por simpatia metistofélica ou por ter vendido a alma ao diabo, resolveu ajudar o Benfica castigando Aimar... para que este possa jogar nos quartos de final. O cartão amarelo, que não lembra ao diabo, foi tão patético que, com tal critério, iam todos para o balneário enquanto o diabo esfrega um olho. 4.º (diabo): Shirkov que depois de marcar duas vezes ao Porto, resolveu repetir a dose ao Benfica. Um jogador com classe que, espero, deixe de ser um diabo à solta e se sinta perdido no inferno da Luz. Não vá o diabo tecê-las. O Benfica europeu não pode entregar a alma ao diabo.» - Bagão Félix, jornal A Bola, 22 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O tal jogo perfeito... O Benfica perde pela primeira vez neste campeonato, deixa o FCPorto aproximar-se perigosamente, permitindo-lhe dizer que, neste momento, também só depende dele a revalidação do título e, raridade das raridades, não marca um único golo. Nestas circunstâncias tão pouco comuns é inevitável que se procure um culpado. Do meu ponto de vista, existe realmente um culpado e chama-se Vitória de Guimarães. Jesus tinha tido a intuição de que o jogo iria ser muito difícil e por isso tinha pedido aos seus jogadores um jogo perfeito. Não podia imaginar que esse jogo perfeito tivesse sido do adversário. Para azar do Benfica teve pela frente o melhor Vitória da época, concentrado, versátil, disciplinado, fisicamente pujante e, por isso, capaz de resistir à erosão do tempo e da natural pressão do adversário, que acabou o jogo com uma multidão de jogadores na área de Nilson. Depois do jogo de ontem, já não há equipas sem derrotas. O Benfica fica igual ao FCPorto na performance fora de casa e tem apenas a vantagem de uma época, até agora, cem por cento vitoriosa na Luz. A diferença está, pois, num empate consentido pelo FCPorto no Dragão e esse empate aconteceu, precisamente, no jogo com o Benfica, o que torna, para já, o clássico de 2 de março, na Luz, um jogo ainda mais decisivo no campeonato.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 21 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Gestos de Sá Pinto. No primeiro jogo em casa na era Sá Pinto, o Sporting fez o mais importante - somou três pontos. Mas olhemos de forma crítica para o que de facto se passou. Se esta equipa fosse uma só pessoa, no domingo teria morrido de ataque cardíaco. Os jogadores estão hipermotivados para o esforço físico, mas ainda se encontram totalmente descrentes nas suas capacidades técnicas e táticas. Nestes primeiros momentos de Sá Pinto, a equipa do Sporting continua uma confusão quase anárquica; com grandes espaços vazios no centro do meio-campo; uma defesa incapaz de articular o fora-de-jogo; um lateral, João Pereira, que sobe, sobe e sobe, por um flanco onde o ala (especialmente Carrillo) não cultiva o jogo interior; um ponta-de-lança à beira da epilepsia competitiva - vai a todas as bolas mas não acerta coordenadamente em nenhuma. Sá Pinto tinha toda a razão quando dizia na antevisão do jogo que é preciso saber quando correr. Mas essa mensagem ainda não passou, o que é natural em tão poucos dias de trabalho. Porém, se os jogadores têm de saber quando e para onde correr, o líder técnico tem de escolher quando e como gesticular. A linguagem gestual é a maior arma de qualquer treinador contemporâneo. Mas se essa linguagem for mantida de forma constante e com grande intensidade, torna-se apenas num ruído enervante e ineficaz. Neste Sporting, que ainda luta na Liga Europa e é favorito na Taça de Portugal, Sá Pinto terá de travar o coração dos jogadores, de devolver-lhes cérebro. Desafio que tem como base a confiança. Para esse grande passo servem os treinos e as palestras. Nos jogos, cada gesto do líder tem de valer por várias frases gritadas para dentro dp campo. E nunca para claques ou dirigentes.» - Octávio Ribeiro, jornal Record, 21 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Eusébio. Eusébio está hospitalizado pela terceira vez em dois meses. A experiência diz-nos que esta frequência é um mau indício e que serão bem-vindas todas as preces para um final feliz, que lhe permita vencer mais este desafio e viver com qualidade junto da família e amigos. Ele é um ídolo de várias gerações, mas em particular dos que começámos a ver futebol por volta de 1966, o ano em que este desporto maravilhoso despertou definitivamente à escala mundial graças ao simultâneo desenvolvimento da televisão e das transmissões via-satélite. A tendência para comparar jogadores de décadas diferentes é um erro comum, em que alguns deles por vezes também se envolvem. Maradona e Pelé, por exemplo, digladiam-se há 25 anos, por vezes com a aspereza picaresca dos velhos dos Marretas. Mas até nos dias que correm a competição incontornável entre Ronaldo e Messi desassossega, alimenta paixões cegas, mas também ajuda ao negócio a ascender ao nível da deificação, sempre irracional e alienante. Eusébio assumiu muito naturalmente e por decreto popular trono e cetro, adotando com o tempo uma postura majestática, levemente despretensiosa. Gosta que o tratem por "King", observa os súbditos com paternalismo e, durante muito tempo, gozou de uma abrangência que vem agora sendo posta em causa nalguns ajustes de contas com a história, nomeadamente em relação à sua conturbada relação com o Sporting. Mas nunca invejou a projeção de eventuais herdeiros, tal como no seu tempo soubera relativizar o sucesso em função da grandeza de outros, como Di Stéfano ou Bobby Charlton. Quem com ele tenha convivido algum tempo e nalgumas missões o seu desempenho de embaixador honoris causa deste país guardará a admiração imensa pela capacidade exemplar de partilhar confiança, vontade e bonomia. Vontade de vencer, em particular, que soube sempre transmitir às equipas do Benfica e da Seleção Nacional, por vezes em ambientes da maior descrença. Tal como acontece em tantas outras áreas da vida pública, o país não tem aproveitado as suas figuras desportivas de referência, ao contrário do que acontece em praticamente todos os paises. É um problema estrutural que decorre da baixa formação desportiva dos nossos dirigentes políticos, que também já emanam hoje das claques e do fanatismo emblemático – fazendo-nos prever, sem margem de erro, que o pior ainda estará para vir. Mas Eusébio tem uma estátua, um torneio e um reconhecimento público que não carece de mais investimento, nem atenções, embora nem sempre tenha sido assim. A reaproximação promovida pelo atual presidente do Benfica veio retirá-lo de um ostracismo social que afeta realmente todos os ídolos de sucessivas gerações, sem condições de resistirem à voragem do tempo, às modas passageiras e aos epifenómenos que abalam ciclicamente os círculos mais mediatizados. E o seu prestígio inabalável nunca necessitou de qualquer retoque, abono ou aditamento, porque representa uma fase da história em que, sem a mediatização dos nossos tempos, a transparência era total e os dirigentes eram sérios e, sobretudo, responsáveis.» - João Querido Manha, jornal Record, 21 de Fevereiro de 2012. | |||
| «A UEFA teve o natural cuidado de, na passada semana, colocar em jogos das suas competições de clubes alguns dos árbitros que seleccionou para a já bem próxima fase final do Euro-2012. Os jogos do Benfica e do FC Porto estiveram entre os contemplados e mais uma vez se confirmou que, em todos os sectores da vida, os melhores também falham, pois no Dragão ficou por assinalar penalty cometido sobre Hulk e, em S. Petersburgo, devia ter sido vermelho o cartão amarelo exibido a Bruno Alves. Neste segundo caso, não consigo compreender como gente com responsabilidades pôde concordar com a decisão do árbitro. Devia saber-se que salto feito de alguma distância e com a sola da bota em riste é punido com expulsão imediata, haja ou não lesão do adversário. E o que vem sendo dito pelo próprio Bruno Alves, pelo seu pai (Washington Alves) e por Danny (seu colega de equipa) nem comentário merece.» - Cruz dos Santos, jornal A Bola, 21 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Tão pálido leão... Estoril à Real! Este fim de semana plenamente confirmou vincada ideia dos últimos meses: as equipas que melhor jogam na I Liga do nosso futebol chamam-se Benfica e... SC Braga. A ver vamos se o líder consegue manter alto ritmo na noite de hoje, em Guimarães. Certeza: Braga soma e segue no exuberante brilho: desta feita, festival em Barcelos, goleando adversário que estava embaladíssimo com vitórias sobre FCPorto e Sporting - e vão 8 jornadas de consecutivos êxitos bracarenses, roçando média de 3 golos marcados por desafio; e, porque esta série inclui triunfos sobre o Sporting e em casa do Maritimo, a folga no 3.º lugar mais do que duplica atraso para o FCPorto... Ontem, o FCPorto, face a fraquíssimo V. Setúbal, limitou-se a baixo ritmo, quiçá 50% por desgaste da 1.ª parte de eliminatória europeia e outro tanto por deliberada poupança no imediato, e tão difícil!, tudo por tudo em Manchester. Ai, ai, Sporting: mantém intensa palidez. Sá Pinto está com a boa estrelinha (autogolo deu vitória) que, amiúde, faltou a Domingos Paciência. Estoril: eis o Real Madrid da nossa II Liga. Não era principal favorito, surpreende com 9 pontos de avanço, quase, quase campeão. Quase, quase ao virar da esquina o regresso aos mais fortes holofotes.» - Santos Neves, jornal A Bola, 20 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Noite perfeita. É domingo à noite. O FCP acabou de ganhar ao Setúbal por 3-1. Ouço o Vítor Pereira, na "flash interview", queixar-se do relvado, coitadinho. Diz que não se consegue acelerar com o campo aos altos e baixos, o pobre. O que ele precisava era de ir dar uma voltinha a São Petersburgo, apanhar -15 graus e um pelado de gelo e tinta verde a fazer de relva. Passava-lhe logo o queixume. Começo a crónica desta semana a falar do FCP, porque tenho um ex-portista entalado na garganta desde a passada 4.ª feira de seu nome Bruno Alves. Isto há coisas que um jogador da bola nunca esquece, e um jogador de formação portista nunca deixa de ser um sarrafeiro. Eram 17' e o central dos russos vai aos joelhos do Rodrigo e, na única e certeira falta que faz no jogo, lesiona cirurgicamente a Gazela Real do Glorioso. Ainda teve a lata de dizer, "a posteriori", que nem fez falta coitadinho, ele até só estava a ver a neve cair. Não me preocupa a derrota por 3-2 lá nas terras gélidas, porque se naquela espécie de campo de futebol marcámos 2, por cá os russos que se cuidem. Por ora, é a noite de hoje que me ocupa. Em Guimarães jogamos o título. É uma das saídas que nos pode dar glória ou desgraça. Precisamos de uma noite perfeita. Frente a frente vão estar o meu preferido Rui Vitória e o meu amigo Jorge Jesus. É verdade, eu e o Míster estamos de pazes feitas. Vai ser um duelo de estrategas. Rui Vitória tem feito um serviço exemplar em Guimarães, levou a equipa ao 6.° posto, imune às muitas vicissitudes que o clube vive. Mas do lado de cá temos uma equipa poderosa, vitoriosa, cheia de garra. Acredito que o Javi jogue – e que falta nos fez na Rússia. Sem Rodrigo, perdemos velocidade. Mas o banco do Glorioso está repleto de criatividade, e Aimar a servir Saviola e Cardozo não é a solução perfeita, mas não está mal. E já agora, que o Luisão leve amarelo, não joga contra a Académica mas fica limpo para o clássico. Já o Emerson, esse, que se amarele à vontade e para sempre. Uma noite perfeita. Assim como aquela do Nacional.» - Marta Rebelo, jornal Record, 20 de Fevereiro de 2012. | |||
| «No futebol não há lucro sem vitórias. Tudo leva a crer que o Sporting vai ser o primeiro dos grandes clubes portugueses a deixar de deter o controlo sobre a Sociedade Anónima Desportiva que gere o futebol, por via de uma venda a terceiros que se afigura cada vez mais inevitável. Conhecidos, recentemente, os resultados da auditoria, os atuais responsáveis pelo clube não fizeram segredo de que não viam outra solução, não só para criar condições de viabilidade económico-financeira, mas também de competitividade desportiva, que não passasse pela abertura da maioria do capital da SAD a investidores externos. Um dia destes, os sócios do Sporting vão ser chamados a pronunciarem-se sobre esta magna questão, uma vez que só com o seu consentimento o clube poderá alienar para lá de 49,9 por cento das ações da SAD. Antevê-se uma assembleia geral inflamada, onde serão trocados argumentos de sinal contrário, uns pautados pela emoção, outros pelo pragmatismo. O problema dos primeiros será o de não terem para apresentar uma solução para a crise; o dos segundos, será convencer os sócios de que não há razão para demonizar os investidores, dando como exemplo os grandes clubes ingleses e italianos ou, noutro plano e noutras modalidades, os norteamericanos. Em relação aos potenciais investidores - e fala-se nestes casos sempre ou de árabes, ou de chineses, ou de angolanos - a questão mais pertinente a colocar é esta: partindo do princípio de que quem compra uma sociedade fá-lo visando o lucro (princípio básico do capitalismo), que fórmula mágica permitirá ganhar dinheiro numa empresa cujas contas ainda agora, por via da auditoria, acabaram de mostrar défice crónico? O negócio do futebol não é como os outros. Nesse microcosmos, tudo gira em torno do sucesso desportivo. É ele que faz subir as receitas de bilheteira, fideliza as quotizações, potencia os passes anuais, promove o merchandising e faz disparar a força negocial quanto aos direitos televisivos. Sem ganhar, sem títulos, sem que os adeptos vivam felizes, nada feito. Para se ganhar, contudo, ao nível que a história do Sporting exige, não chegam trocos, é preciso que quem vier (se for essa a vontade dos sócios, que estarão a alienar parte importante da soberania de que gozam) venha de bolsos cheios, preparado para estancar a hemorragia vigente e construir – num cenário em que a banca tem cada vez menos possibilidades de financiar - uma equipa que jogue para o título e gere riqueza suficiente, de molde a criar mais-valias. Porque, repito, se for essa a via escolhida não estaremos perante nenhuma Operação Coração mas sim perante uma lógica que só faz sentido se tiver por fim... o lucro. Ninguém acredita em investidores que não se importem de perder dinheiro, pois não?» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 20 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Verdades e mentiras. Há uma frase célebre no futebol português (já lá vão 25 anos) que permanece tão atual como no tempo em que foi proferida: "O que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira". Esta espécie de fenómeno paranormal surge no universo futebolístico muitas vezes sem qualquer tipo de explicação lógica ou razão aparente, gerando curiosidade e levantando questões para as quais não se encontra uma resposta fácil. O que levou Godinho Lopes a elogiar (e apoiar) Domingos Paciência num dia e a despedi-lo 24 horas depois? É um mistério. Trunfo nas eleições para a presidência do Sporting, o treinador assumiu uma equipa nova e um projeto de longo prazo para voltar a discutir o título. Era preciso tempo e não houve paciência. Domingos não resistiu a um despedimento que não foi consensual e deixou os adeptos leoninos com a sensação de que a SAD cometeu um erro. Domingos Paciência terá certamente nova oportunidade para treinar um grande. Polémicas à parte, não será descabido pensar que um dia será treinador do FC Porto, pela qualidade que tem e pelo passado ligado ao clube. Agora não faz sentido, nenhum, colocar em causa o seu profissionalismo, através de fontes não identificadas que tentam "cozinhar" notícias para proveito próprio. Sá Pinto? Terá pela frente a missão de encurtar distâncias na luta pelo terceiro lugar, que dá presença na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, importantíssima face à situação financeira dos leões. O novo treinador do Sporting jogará a final do Jamor, entregue de bandeja por Domingos, onde poderá conquistar o seu primeiro troféu. Pelo amor ao clube, pela garra e dedicação que sempre mostrou, Sá Pinto poderá ser uma boa solução. Contudo, se a aposta falhar, Godinho Lopes sairá inevitavelmente fragilizado depois de vermos a super-poderosa equipa do ano passado, quem diria que o FC Porto de Vítor Pereira iria passar por tantos problemas? Nas eliminações da Taça de Portugal e na Liga dos Campeões, assim como em alguns jogos do campeonato o nível evidenciado pelos dragões foi confrangedor, sobretudo no capítulo ofensivo, onde os remates à baliza chegaram a ser uma miragem. Com as chegadas de Lucho e Janko ao Dragão, a equipa parece mais equilibrada para continuar a lutar com o Benfica na Liga, mas não deixa de ser surpreendente a quantidade de jogadores do núcleo duro da época anterior que deixaram o plantel neste mercado de inverno. Algo correu mal. Resta saber se os remendos ainda irão a tempo. Por que será que em Portugal existe a tentação de crucificar Bruno Alves e acusá-lo de jogador violento? O jogo entre o Zenit e o Benfica voltou a trazer a discussão à baila, a propósito da lesão de Rodrigo. É bom não esquecer que o central português já passou uma época inteira sem ver um cartão amarelo. É um defesa duro e agressivo, mas não maldoso. Está a criar-se, desnecessariamente, uma imagem negativa de um dos jogadores mais importantes que a Seleção Nacional vai apresentar no Euro'2012. Para fazer um contraponto, veja-se o caso do benfiquista Axel Witsel. Antes de vir para Portugal e de nos ter dado a conhecer a sua enorme qualidade futebolística, provavelmente muitos portugueses só tinham ouvido falar dele por causa de um aparatoso lance, na Bélgica,em que provocou uma lesão gravíssima um adversário. Isso dá-lhe o rótulo de jogador violento? Não. Até é um dos jogadores mais corretos que passeiam pelos relvados nacionais.» - António Oliveira, jornal Record, 20 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Tenho acompanhado o Barcelona nos últimos tempos. É como o Santos da minha época, ou o Benfica, o Ajax, o Milan e o Real Madrid nos seus anos dourados. Essas equipes foram referência na sua época.» - Declarações de Pelé citadas pelo site da FIFA, 20 de Fevereiro de 2012. [Link] | |||
| «Uma guerra a sério. De há muitos anos a esta parte, aparentemente, procuram-se indícios de esquemas menos lícitos na valorização e transferências de jogadores de futebol. Indagam-se agulhas no palheiro. A quantidade de intervenientes nos negócios dos "passes" corresponde, num mundo globalizado em "sites" e "links" e acesso simultâneo à informação, a uma nuvem mais ou menos densa de ligações jurídico-económicas e dependências materiais: entre clubes, sociedades desportivas, seus diretores e administradores, agentes credenciados e "empresários" de facto, "testas-de-ferro", "off-shores", fundos de investimento legais e fundos travestidos em sociedades "ocas", bancos e prestamistas, advogados, fiscalistas e contabilistas, treinadores e "scouters", políticos e decisores regionais. Poderá encontrar-se um caso, um negócio, uma colocação, e daqui erigir um "exemplo". Mas chegados aqui, com tanto défice de transparência (mesmo que se comunique formalmente algo inócuo às autoridades competentes) e campo aberto para a teia de cumplicidades que o dinheiro insindicável sempre gera, esse "exemplo" não chegará. Sem algo de mais estratégico, o cenário ameaça ser perene, como uma espécie de banda gástrica que não resulta. Em nome da bola feita negócio. Nestas matérias, como em quase todas as outras que hoje afetam a credibilidade do desporto (violência, corrupção, tráfico ilegítimo de influências, coações), um órgão jurisdicional de uma FIFA ou de uma UEFA ou de uma federação desportiva internacional pode pouco ou dada. Pode não ficar parado - o que é fulcral - mas depende sempre em medida decisiva, no conteúdo e no tempo, de orgãos estaduais de investigação criminal e dos Juízes do Estado: só estes têm competências para invadir o terreno de certos direitos para apurar essas infrações; tendo competências, porém, não tem geralmente meios nem leis amigas para chegar à "prova". As mãos estão ainda atadas para higienizar o desporto. Se se desatam, há por fim o risco de a ilicitude se transmutar em pressões sobre os julgadores, juízos insalubres de sectários e imbróglios jurídicos alimentados pelo voluntarismo. Este status quo poderia ser alterado. Tomemos em linha de conta os meios e instrumentos que as leis e os laboratórios dos Estados e os regulamentos desportivos colocaram ao serviço do combate à dopagem. Suponha que o Comité Olímpico Internacional e as federações transnacionais fundavam uma "Agência Mundial contra a Corrupção e a Violência". Suponha que essa Agência elaborava um Código Mundial, destinado a padronizar as regras de prevenção e punição. Suponha que essa Agência produzia o efeito de uniformizar as leis a nível geral e, através delas, se criassem entidades públicas, especializadas e independentes, que tivessem o poder de averiguar a prática desses ilícitos, oferecendo, com todas as garantias e contraditório, o seu "trabalho" aos tribunais e aos órgãos desportivos. Suponha que se atingiam os resultados que se conhecem na "guerra" (interminável) contra o desporto viciado por "doping". Suponha que todos confiaríamos mais no desporto. Seria uma "guerra". Será que a querem comprar?» - Ricardo Costa, jornal Record, 19 de Fevereiro de 2012. | |||
| «UEFA e FIFA: os falsos moralistas. Primeiro,o óbvio: comportamentos racistas, segregacionistas e que não privilegiem a igualdade de direitos são intoleráveis e devem ser severamente reprimidos. De seguida, o que já poderá parecer a negação do que atrás se diz mas mais não é que o apelo ao bom senso e à razão: podem as instituições ser castigadas pelo facto de meia dúzia dos seus adeptos se transformarem pontualmente em agressores verbais ou gestuais, num quadro de enorme pressão e rivalidade dentro do campo?... Nos estádios de futebol, como em quase todas as manifestações desportivas, o insulto é regra universal de que muitas vezes o espectador (e não só...) se serve para procurar retirar concentração ao adversário, Ali nasce e ali morre. Os próprios árbitros, agentes tão credores do respeito das massas quanto os artistas mais bem pagos, serão, a este nível, as principais vítimas desse tipo de ofensas orais. E alguma vez a FIFA ou a UEFA se preocuparam em defender a honra e dignidade dos seus juízes, propondo apenas aos clubes que tais apoiantes albergam?... Mario Balotelli, bem conhecido do mundo da bola pelas suas qualidades técnicas mas também devido a algumas polémicas, queixou-se de ter sido apelidado de macaco por adeptos do FCPorto. «Hu... hu... hu!!!» foi, segundo o ítalo-ganês, o grito lançado por certos fãs do dragão, sugerindo o ruído produzido pelos símios. Por algo parecido já a federação búlgara, por exemplo, pagara 40 mil euros na sequência de reclamações feitas pelos ingleses Cole, Young e Walcott... Mas que moralismo é então este que se permite cobrar punições tão altas por alegadas ofensas de cariz racista e fecha os olhos aos verdadeiros insultos que não apenas atingem árbitros e atletas (como aquele gigantesco coro de filho da p*** dirigido aos guarda-redes nas reposições de bola!...) mas igualmente as respetivas mãezinhas ou outros familiares?... PS - Já agora, não seria mais correto que a receita das multas, a subsistir, revertesse para as alegadas vítimas?...» - Paulo Montes, jornal A Bola, 19 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Um acidente de percurso. A derrota sofrida pelo Benfica em São Petersburgo de modo alguma hipoteca as aspirações do clube na Liga dos Campeões. A desvantagem é recuperável, muito embora o terceiro golo possa representar um rude golpe no ânimo dos encarnados. Depois de chegarem ao empate, acabariam por claudicar minutos depois, em cima do apito final, deixando os russos com um sorriso largo no rosto. Pelas reações no final do jogo, futebolistas e treinador demonstraram vontade em retificar o desaire no jogo da segunda mão. Mas amanhã terão oportunidade de provar que a derrota no frio mais não foi do que um acidente de percurso, como mostram as estatísticas.» - Nuno Martins, jornal Record, 19 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Paizinho. From: Domingos Amaral To: Bruno Alves. Caro Bruno Alves: O que me incomoda em ti não são as tuas declarações, sempre provocatórias, contra o Benfica. Acho natural que tentes os teus "mind games", que digas que "o FC Porto é melhor que o Benfica", o que podias tu dizer de diferente? E também já não me incomodo com o teu estilo trauliteiro, de que a entrada dura em Rodrigo foi mais um de muitos exemplos. Já todos sabemos que pertences à "turma do cacete", ao lado de cromos como Materazzi, Gatuso ou o saudoso Paulinho Santos. Todos nós sabemos quem são os brutos, tal como sabemos que raramente esses jogadores passam da mediania, e só a dureza os torna célebres. O que me incomoda em ti são as declarações do teu pai. Há anos que isto é assim. Agrides alguém, e no dia seguinte lá vem o teu pai defender-te nos jornais. Sinceramente, não conheço mais nenhum jogador de futebol no Mundo que esteja sempre a ser defendido em público pelo pai. É um sintoma de menoridade, percebes? Parece que ainda estás no recreio, e no dia seguinte a te teres portado mal, lá vai o paizinho à escola defender o seu filhinho. Não achas que um homem de 30 anos já não precisa que o pai o ande a defender constantemente? Como se isso não chegasse, o teu pai teve o descaramento de dizer que o Estádio da Luz te devia receber bem porque eras "português". Olha, acho que vais ter de dizer ao teu pai que isso não vai acontecer. A Luz nunca recebe bem os adversários que quer derrotar, e ainda menos aqueles que odeiam o Benfica e que passam a vida a agredir os seus jogadores. Prepara-te pois. E, já agora, prepara o teu pai.» - Domingos Amaral, jornal Record, 19 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Quando se está tantos anos num clube sem ganhar nada, é compreensível a vontade de querer sair como aconteceu com Fabregas. O principal no futebol é ganhar e, quando isso não acontece, é natural que se queira mudar. Não conheço o Robin [Van Persie] pessoalmente, não sei o que ele pensa, mas sei o que o faria no seu lugar (...) Mudei muitas vezes de clubes – para mim foi um desafio, uma aventura – e conquistei oito títulos em oito anos, com clubes e em países diferentes. É fácil jogar futebol quando se está no mesmo sítio muitos anos. Estás em casa, na tua zona de conforto. Mudar é um verdadeiro teste. Quando tiveres sucesso, é quando te tornas um verdadeiro campeão e conquistas o respeito dos outros» - Ibrahimovic, em declarações ao The Sun, citado pelo jornal A Bola, 18 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Viemos para esta partida com um objectivo, determinados em consegui-lo e foi isso que aconteceu. O adversário tem excelentes valores, é experiente, mas não se devem esquecer do trajecto que o Benfica tem feito. Passam a ideia que temos uma equipa de milhões, mas na verdade temos uma equipa de operários, como se viu.» - Declarações de José Jardim, treinador de Voleibol do Benfica, após o Sporting de Espinho-Benfica, 18 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Algarve preocupado. Viajo pela via do Infante. De meia dúzia em meia dúzia de quilómetros, um píííí irritante assinala nova portagem e novo pagamento. Vou sozinho numa autoestrada que, antes, tinha muitos carros. «Isto está uma miséria. Com o pagamento das portagens, os espanhóis irritaram-se de vez e deixaram de vir» - garantem-me, num restaurante, quase vazio. Experimento a estrada nacional. De cem em cem metros há vendedores de laranjas à beira da estrada. Compro um saco: «Isto está uma miséria - diz-me a vendedora - há tanta laranja a apodrecer e não conseguimos vendê-la, nem a 1 euro, o saco de cinco quilos.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 18 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) 1. Para Gregório Marañón, um dos mais notáveis intelectuais espanhóis do século passado, "a velocidade, que é uma virtude, cria um vício, que é a pressa". Rodrigo administra todos os segredos desse talento, porque sabe ir, travar e acelerar, mediante as regras específicas de cada zona do terreno e as necessidades de cada momento do jogo. Nunca se engana nos caminhos a percorrer, nunca mostra ansiedade e mesmo quando atravessa zonas de alta tensão, onde há barreiras eletrificadas por toda a parte e se escondem armadilhas da mais diversa ordem, age com a tranquilidade de quem se passeia pelo quintal de sua casa. São relâmpagos sucessivos de um talento concreto, com articulação motora perfeita e uma técnica individual ao nível da última invenção da ciência. 2. Dotado de inteligência superior na avaliação de cada instante, Rodrigo é tremendo a receber a bola de costas para a baliza e a virar-se para o destino; sabe jogar em apoio mas também possui magia para conquistar espaço em exercícios solitários; verticaliza facilmente o jogo e aproveita igualmente bem as diagonais. Prova dessa diversidade de qualidades, é sublime a participar e dar saída aos rendilhados curtos, de toque e movimento participado, de que Aimar, Gaitán, Nolito e Bruno César são protagonistas, do mesmo modo que sabe posicionar-se e dar soluções longe da bola, onde os olhos de Luisão, Garay e Witsel alcançam com mais facilidade. Está sempre à vista dos companheiros, nunca se esconde e gosta de ir sempre direto ao assunto. 3. Rodrigo tem a vertigem criativa de um estilo intenso e explosivo mas também a precisão cirúrgica dos gestos e a frieza de quem mata com luvas brancas; é o aventureiro feito de engano, surpresa, risco, instinto e imaginação mas é também o especialista sereno, elegante e seguro na arte de jogar a um toque na geografia do golo. É uma ave rara no futebol atual, porque não é normal coincidirem em fenómenos de movimentos tão amplos e dispersos, fantasia para estimular a mentira em toda a largura do terreno e eficácia letal quando as circunstâncias exigem que fale verdade, isto é, no fim da viagem que o conduz ao inevitável encontro com o guarda-redes. Não sendo um ponta-de-lança típico, só tem menos um golo do que Van Wolfswinkel e está a sete de Cardozo. A diferença é que jogou menos 900 minutos e marcou menos seis golos de penálti do que eles. 4. Para lá de avançado especial, Rodrigo tem ainda um percurso pouco linear para quem nasceu génio no Rio de Janeiro. Das escolas do Flamengo seguiu, aos 13 anos, para o Ureca (clube galego de futebol jovem) e daí para Celta de Vigo e Real Madrid. Ao cotar-se como um dos jovens mais conceituados do futebol mundial as questões sucedem-se: como pôde o Brasil oferecê-lo a Espanha? Que raio de ideia foi a do Real de incluí-lo nos trocos do milionário negócio de Di Maria e desperdiçar a opção de compra, um ano depois, na transferência de Fábio Coentrão? Por caminhos ínvios, Rodrigo é uma estrela caída do céu, para o Benfica e para o futebol português. Porque está a jogar cada vez mais; pelos milhões com que vai encher os cofres da águia e pelo prestígio que dá à Liga acolher quem, a breve trecho, será uma referência mundial.» - Rui Dias, jornal Record, 18 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Uma vergonha para o futebol. O dérbi Sporting-Benfica em juniores marcado para hoje à tarde (15 horas), na academia dos leões, já garantiu a entrada para a história do futebol português. Infelizmente, pelos piores motivos. Alguém com bom senso é capaz de perceber os motivos pelos quais um jogo destes é realizado perante uma plateia de adeptos consoante a cor que defendem? A ideia de permitir a entrada apenas a sócios do Sporting e alguns convidados do Benfica, além de lamentável e até vergonhosa, abre um precedente perigoso que pode ser aproveitado para incendiar as relações entre os rivais. E como é possível que a FPF, entidade organizadora do nacional de juniores, permita que isto aconteça? É este o exemplo que quem manda no futebol português quer passar aos jovens que se vão defrontar hoje em campo? Se assim é, algo está errado...» - Nuno Miguel Ferreira, jornal Record, 18 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Ataque às defesas. Na sequência de um dos últimos jogos do Benfica ouvi um comentador decretar que a equipa da Luz "não sabe defender". Jesus tinha vencido outro desafio mas o adversário não ficara a zero. Aqui ao lado, em Espanha, a discussão arrancava quase nos mesmos moldes, devido ao facto de o Real Madrid ter encaixado mais dois golos em casa, frente ao Levante. Os comentadores, em Portugal e Espanha, relativizavam os triunfos de Benfica e Real face à incompetência defensiva das equipas. Lembrei-me, então, de uma grande frase de Cruyff na década de 1990, quando o Barcelona esmagava e ele estava a acumular os 4 campeonatos consecutivos: "Não me importo de sofrer 3 golos se marcar 4" (Jesus já utilizou esta ideia numa conferência de imprensa). Curioso: nesses 4 anos (90/91 a 93/94) o Barça campeão nunca teve a melhor defesa da Liga, mas foi sempre o melhor ataque! Desde que Phil Jackson, então treinador dos Chicago Bulls, deu ênfase, também na década de 1990, à ideia segundo a qual os ataques ganham jogos, mas são as defesas que ganham campeonatos", esta tornou-se numa máxima para muita gente, até por se aplicar a todos os desportos coletivos. O que não significa que seja uma verdade absoluta. Está até bem longe de o ser. Pode, nas mais das vezes, o campeão ter a melhor defesa, mas como se demonstrou nem sempre ceder menos golos equivale a títulos. Há até o exemplo extremo do Real Madrid campeão em 2006/07 tendo apenas a 5.ª defesa da prova, na que o Barcelona mostrou o conjunto mais concretizador e menos batido, ficando... em 2.º lugar. O Benfica com Jorge Jesus tornou-se numa equipa que vale mais de 2 golos por jogo. Marcou 124 em 51 desafios, na época 09/10, conquistando a Liga e a Taça da Liga; marcou 113 em 56 jogos, na época 10/11, somando nova Taça da Liga; leva 78 nas 35 partidas de 11/12, liderando a Liga, estando apurado para a meia-final da Taça de Liga e com boas hipóteses de seguir para os quartos-de-final da Champions. E não apresenta a melhor defesa (no campeonato o FC Porto tem menos 3 golos sofridos... e também menos 5 pontos). Este ataque que se faz às defesas dos líderes das ligas ibéricas só é motivo de discussão quando pouco há a dizer sobre a evidente supremacia destes conjuntos face aos rivais. E, já agora, nem é verdade que não saibam defender. Quem luta por títulos tem de entregar a responsabilidade do êxito aos ataques. Empates não ganham campeonatos (e como bem sabemos, na NBA, onde competia Jackson, não há empates). Logo, as equipas com aspirações têm de assumir riscos. Tentando minimizá-los, claro, mas não os rejeitando. É talvez por isso que Jesus aposta em rotinar o Benfica a cobrir a área com apenas três unidades quando em posse de bola. E em determinados momentos, aceita que a equipa se exponha no limite, subindo essa linha até ao meio-campo. Movimentações idênticas são vistas todas as semanas nos jogos do Real Madrid e do Barcelona. Quem joga assim arrisca encaixar mais golos. A equipa de Mourinho, por exemplo, cedeu 15 em casa (10 jogos), mas marcou 45! Ora, se em 35 jogos, esta época, os encarnados só sofreram 29 é porque sabem defender. E os 78 marcados mostram que os riscos têm valido a pena. A importância das defesas, digo eu, anda sobrevalorizada.» - José Ribeiro, jornal Record, 18 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O falso quinto. O Marítimo não dá sinais de cansaço. Pelo contrário, revela segurança e ambição, demonstrando que a sua notável carreira na Liga, que já vai na 19.ª jornada, à beira de se entrar no derradeiro e decisivo terço, só pode ser consequência de duas coisas: primeiro, da preparação cuidada da época e, depois, do trabalho competente que Pedro Martins tem desenvolvido, um treinador ainda olhado de soslaio, por não ter jeito, e se calhar nem feitio, para se desfazer em sorrisos ou cativar simpatias - através de frases bonitas. Tem a sua personalidade aparentemente muito reservada e de poucas falas, mas não se inibe de dizer o que lhe vai na alma quando sente essa necessidade, mandando às malvas o politicamente correto sempre que lhe pisam os calos e o magoam... Neste momento, o Marítimo, que ganhou ontem, em Vila do Conde, ao Rio Ave (3-1), é o quarto classificado, sem estratagemas regulamentares que o impeçam. E sê-lo-á, até amanhã à noite. No entanto, caso o Sporting triunfe sobre o Paços de Ferreira, ver-se-á obrigado a voltar à condição de falso quinto, apesar de nos dois jogos realizados com os leões de Alvalade somar duas vitórias (3-2 e 2-0), o que significa seis pontos contra zero. Enfim, a Liga em grande forma... PS: É de crer terem ficado surpreendidos os adeptos sportinguistas, pelo menos os mais atentos, com a composição da equipa técnica de Sá Pinto: não por causa dos que estavam, mas pelos que vão entrar.» - Fernando Guerra, jornal A Bola, 18 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O relatório da Deloitte de 2012 e um danoninho. O copianço em Portugal. No domingo dei comigo a observar a primeira página do matutino "Público" e na mesma podia ler-se: "Futebol Português - Dinheiro que compra os jogadores perde-se numa rede de fundos páginas 4 a 7." Lendo o artigo subscrito por Hugo Daniel Sousa, especialmente a infografia das páginas 6 e 7, acompanhado do artigo das páginas 4 e 5 do referido matutino, chega-se à conclusão que muitas das palavras e frases que lá constam são um resumo, por vezes literal, de muitos dos artigos que aqui vimos fazendo sobre a matéria, desde há mais de um ano. A diferença está no seguinte: por uma vez tivemos necessidade de transcrever algo que o mesmo Jornalista havia escrito da sua autoria e citámo-lo... agora que ele fez o mesmo dos nossos artigos, a citação é: palavra fora do acordo ortográfico dele! O Benfica sempre na crista da onda da informação! Relatório Deloitte 2012 – Football Money League. (citação da nossa fonte) Foi publicado no corrente mês de Fevereiro de 2012, o relatório da Deloitte sobre o Football Money League. Na época 2009/2010, os maiores clubes em facturação eram os que reproduzimos na Fig. 1. Com referência à época de 2010/2011, vejamos os clubes e valores na Fig. 2 que agora nos surgem. Façamos agora uma comparação gráfica, através da Fig. 3, do desempenho dos melhores 20 em termos de receita, nas duas épocas. Saíram do Atlético de Madrid, Estugarda e Aston Villa dos melhores vinte e entraram Borussia Dortmund, Valência e Nápoles. De realçar que o maior crescimento verificou-se no Schalke 04, que passou de 139,8 milhões de € para 202,4 milhões de €, e que não é alheia à excelente performance que fez na Champions League na época de 2010/2011. Mas o mais excepcional que podemos encontrar no relatório da Deloitte de 2010/2011 é que o Benfica se situa no 21.° lugar. É realmente histórica esta entrada. O Benfica aparece com 102,5 milhões de € de receitas. Faltou apenas um danoninho assim!» - Pragal Colaço, jornal O Benfica, 17 de Fevereiro de 2012 | |||
| «A evidência dos números. Há sempre números que dizem mais do que as palavras, embora as palavras sejam insubstituíveis quando se trata de definir estratégias e de expor ideias. Falemos então de números. O Benfica, com 102,5 milhões de euros de receita na última temporada, está à beira de entrar para o clube dos 15 mais ricos do mundo, o qual é liderado pelo Real Madrid, logo seguido pelo Barcelona e pelo Manchester United. O Benfica encontra-se em 21.° lugar, com um encaixe de receitas notável para contexto nacional. Significam estes números que o Benfica tem gerido bem a sua actividade e sobretudo conseguido mobilizar público para os estádios, o que corresponde sempre a uma parcela relevante das receitas obtidas. Este ano, com uma dinâmica de vitória cada vez mais consolidada e com a presença promissora na recta final da Liga dos Campeões, tudo leva a crer que esta tendência para o crescimento se mantenha e se acentue. O Benfica consegue estar de boa saúde quando a regra, em tempo de vacas magras, não é essa, com tendência, aliás, para se degradar. Consultando os números em que assenta esta lista milionária, verificamos o peso dos principais campeonatos europeus, podendo extrair-se dessa leitura a seguinte ilação: apesar da profunda crise estrutural que afecta a Europa, este continua a ser o grande continente do futebol enquanto desporto-espectáculo- indústria, com uma cobertura mediática que o globaliza e transforma, neste domínio, em permanente referência mundial. O saldo apresentado pelo Benfica representa um aumento de quase quatro por cento em relação ao valor alcançado na temporada anterior. Para tanto terão contribuído, para além da presença na Liga dos Campeões, a forte e mobilizada massa de apoio com a qual o Clube conta e que é claramente pluri-etária, já que nas bancadas se encontram pessoas de todas as idades, com idêntico grau de entusiasmo. É bom sinal, porque, quando o Benfica está bem, Portugal consegue ficar melhor.» - José Jorge Letria, jornal O Benfica, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Valores. Naquele tempo Jesus chegou à 100.ª vitória pelo Benfica e Cardozo aos 200 golos da sua carreira. Só na Liga leva 14, sem ninguém à sua frente. Mas que se cuide o Tacuara: Rodrigo e Nolito estão igualmente entre os cinco melhores marcadores. O Benfica lidera e agora já fala da vaga de frio que vai por ai nestes termos: menos cinco no Porto, menos oito em Braga, menos 16 no Funchal e em Alvalade. Talvez por ser cenário de tantas celebrações, o jogo do Benfica com o Nacional levou à Luz mais de 53 mil espectadores e foi uma festa. O segundo golo, com o fantástico slalom de Gaitán e a finalização de Cardozo, foi daquele que valem o bilhete do jogo. Mas depois que bilhete daria para ver o golaço de Rodrigo? Em tempos de crise, com o Pais mergulhado cada dia em nova onda de depressão, o Benfica foi sujeito de uma notícia positiva mas escassamente divulgada: um estudo da Deloitte coloca o Glorioso em 21.° lugar da tabela dos clubes com mais receitas, à beirinha de entrar para o Top 20 da Football Money League. A própria Deloitte reconhecia a imensa base de apoio de adeptos do Benfica como a maior riqueza do Clube. Mas o Benfica é um Clube e uma sociedade com os pés assentes na terra e que faz da credibilidade o seu activo mais seguro. Não tem off-shores nem poços de petróleo debaixo do relvado para fazer disparar até aos 18 milhões o preço de um jogador da defesa nem para comprar 20 "reforços" numa só época. Vende, claro que vende, porque essa é uma valiosa receita de um Clube de um País com a dimensão de Portugal. Vende ativos aos quais acrescenta mais-valias. E compra. O mais recente reforço do Benfica deu mais uma grande alegria ao Clube, à equipa e à bancada: Pablo Aimar fica mais um ano no Benfica.» - João Paulo Guerra, jornal O Benfica, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Liderança sensata. Este texto obriga a uma declaração prévia. A jornalista da RTP, Sandra Sousa, que entrevistou Luís Filipe Vieira, na pretérita semana, é mãe da minha filha, circunstância que me impede, moralmente, de fazer qualquer juizo valorativo ao seu desempenho. Já em relação à prestação do presidente do Benfica nada obsta a que me pronuncie, muito pelo contrário, tanto mais que as suas declarações marcaram com relevo os últimos dias no plano informativo. Luís Filipe Vieira deu uma entrevista pautada pela serenidade. A liderança benfiquista na Liga, as excelentes exibições que o colectivo tem produzido, a previsão da conquista do titulo nacional, tudo reunido, não suscitaram qualquer vestigio de arrogância ao líder da nação "encarnada". Ao invés, Vieira optou por um discurso recatado, despretensioso, pedagógico. Advertiu mesmo que o Benfica está ainda a muitas etapas da consecução do seu objectivo primacial. Fê-lo com sinceridade, fê-lo com lealdade, fê-lo com responsabilidade. O presidente do nosso Clube abordou todos os grandes temas da actualidade benfiquista. Não se esquivou a qualquer análise, só não antecipou o que não é, manifestamente, antecipável. Vieira. falou bem, Vieira concedeu uma excelente entrevista. Vieira fez, num momento de alta, aquilo que os outros não costumam fazer. Vieira esteve bem? Vieira esteve muito bem. Os adeptos do Benfica só se podem ter revisto na entrevista do seu dirigente máximo. Apenas isso? Também devem ter reforçado os seus níveis de confiança na gestão do Clube. Mais ainda? Terão sentido, no mínimo, uma ponta de orgulho. "Um orgulho muito seu" como cantou Luís Piçarra.» - João Malheiro, jornal O Benfica, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Futebol e Atletismo. 1. Cumprimos (e com excelente nota artística) mais uma jornada a caminho do título (esperemos...), com uma vitória clara (mais uma!) sobre o Nacional. Mas o meu fim-de-semana foi praticamente todo ele dedicado ao atletismo. E com grande agrado. Nas tardes de sábado e domingo, em Pombal, assisti ao regresso do Benfica ao título nacional de Pista Coberta, que não ganhava desde 1995. Foi confirmado o título de pista do Verão passado. O Benfica volta a ser o primeiro em Atletismo (para já, no sector masculino) e, a par da classe dos nossos atletas, agradou-me especialmente o espírito de equipa existente, com todos os atletas a apoiarem quem estava em acção e a festejarem, no final, as respectivas vitórias. Na manhã de domingo estive em Espinho, integrado na nossa equipa de veteranos que disputou o Campeonato Nacional. Aí, mais importante que os resultados (e a nossa equipa até deu nas vistas) é o convívio. E a jornada não poderia ter terminado melhor: o último atleta a actuar foi o nosso Adriano Gomes, 89 anos bem rijos, a completar a equipa da estafeta de 4x200m do escalão dos 75 anos, naturalmente última a chegar mas com todo o pavilhão a aplaudir e muita gente (entre os quais numerosos atletas de outras equipas) a gritar "SLB, SLB, Glorioso SLB". Bonito e até comovente! 2. Não é surpresa, mas é agradável saber: o Benfica foi o 21.° clube europeu com mais receitas na época de 2010/11 e aquele que lidera entre os campeonatos mais pobres, fora das cinco grandes ligas. Entre os 30 primeiros, apenas o Ajax (26.°) também não pertence a essas cinco ligas. E o nosso Clube consegue esta classificação com uma mísera receita de televisão de 8 M€, que corresponde apenas a 8% do total de receitas. São vários os clubes que dependem da TV em mais de 50% e, não considerando as receitas televisivas, o Benfica é o 12.° clube com mais receitas, superando mesmo o Inter, Liverpool, Manchester City, Juventus ou Marselha. Mantendo-nos na Champions, é bem possível que daqui a um ano estejamos a referir uma entrada no top-20 e, quando as nossas receitas televisivas reflectirem o verdadeiro valor do Benfica no mercado televisivo, o pulo será bem maior.» - Arons de Carvalho, jornal O Benfica, 17 de Fevereiro de 2012 | |||
| «O criador. O Criado é submisso. O Criado obedece. O Criado ladra quando o Palhaço manda ladrar. O Criado é sinistro: cola-se às sombras dos túneis de onde surge para insultar e agredir. Os túneis são um vício: têm recantos escuros, e humidade, e visco. Eles gostam de túneis: sentem-se bem em lugares onde passam despercebidos e atacam pela calada, lugares onde não há testemunhas das suas acções cobardes. Eles são como fungos: a sua violência começa por ser silenciosa, mas espalha-se à maneira dos cancros. Eles entranharam-na como uma doença. A violência está-lhes no sangue, o insulto vulgarizou-se como um hábito quotidiano. É essa a sua natureza ignóbil. Invertebrados como o Criado foram amamentados a lodo e a fel. São seres inchados e adiposos: chouriços de pus. De gente têm pouco: ou nada. O Criado é capaz de se arrastar nu pelas ruelas de Mafamude e de Crestuma, roçando no empedrado os joelhos ensanguentados, e gritando num desespero de ansiedade para que o levem a sério: «O Palhaço é Deus!» E é. Para ele é. Deus criador de todo o minúsculo e enviezado mundo que ele conhece. Para o Criado, o Palhaço é o génio acima de todos os génios. Por ele está disposto a tudo, menos a um gesto decente. O Palhaço manda cuspir, ele cospe; o Palhaço manda desacatar, ele desacata; o Palhaço manda vituperar, ele vitupera; o Palhaço manda escoicinhar, ele escoicinha. O Criado impacienta-se por ordens. A sua existência resume-se à vassalagem. É a ser espezinhado pelo Palhaço que o Criado se sente bem. Não quer ir para além da sua pequenez de verme. Quando, num túnel, pela milésima vez, ataca uma vítima desatenta com a boca cheia de palavrões e os cascos prontos para o coice, não pensa noutra coisa senão no reconhecimento do Palhaço. E, no recôndito do seu cérebro caliginoso, lembra-se: «Para a próxima venho de carro para o túnel. Posso atropelá-los como faz o Dono. É mesmo um génio!» - Afonso de Melo, jornal O Benfica, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Favoritos a passar esta eliminatória. Antes do jogo de S. Petersburgo começar, teria aceite como positivo perder por 3-2. Depois de ver o jogo fica a sensação que perdeu a melhor equipa. Aquela personalidade, um Benfica a esticar e assumir o jogo, com tanta posse de bola como a equipa da casa, a jogar num pelado congelado, só é possivel porque está de regresso o velho Benfica Europeu. Depois de ver aquela exibição, tenho a certeza que a Luz terá mais de 60 mil, e mesmo sem Aimar (amarelo inacreditável) somos favoritos a passar esta eliminatória. Em Lisboa poderemos atingir o Zenit! A tentativa de assassínio de Rodrigo não foi consumada e por isso acrescem razões para quando o prodígio regressar, aumentar novamente a qualidade e explosão do nosso jogo. Rodrigo faz falta e será importante que volte rápido. Até se pode perder jogos e eliminatórias mas há outra atitude e outra dimensão no nosso futebol. Se o futebol for também espectáculo teremos que estar satisfeitos, mesmo sabendo que só os resultados nos farão rejubilar. Temos a alegria dos espectáculos, falta a felicidade dos títulos. Acredito que também este ano a teremos, porque é justa e merecida. Das sete saídas que faltam ao Benfica este Campeonato, a de Guimarães é das piores e por isso das mais decisivas. O embate contra o Nacional aguçou o apetite e perder agora embalagem seria amargo. Ultrapassar dificuldades como aquelas que Jorge Sousa nos colocou também é importante e moralizador. Que mal terão feito os sportinguistas para ter que assistir a tamanho descalabro do seu clube? Não jogam. Não ganham. Aquilo que parece mais estrutural é não haver nenhuma noção de como se pode inverter um ciclo que ameaça ser derradeiro e definitivo. É muito mau para o futebol e para o desporto ver o Sporting assim. Rivalidades à parte não me dá nenhum gozo ver esta agonia leonina.» - Sílvio Cervan, jornal A Bola, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Haja paciência! Nunca aprendo a refrear as minhas ilusões. Acreditei, juro que acreditei, que a direção do Sporting tinha aprendido com os erros do passado. Acreditei que tinha acabado a dança dos treinadores. Que tinha acabado o governo feito a pensar no desânimo histérico de cada momento. Que havia um projeto a pensar no médio prazo. Que se estava a construir uma equipa. Que, mesmo perante os péssimos resultados recentes, não se optaria pelas inúteis chicotadas psicológicas a meio da época, que só fazem perder tempo e dinheiro. E, confesso, o boato soprado para os jornais de que o despedimento resultaria de conversas entre Domingos Paciência e o Porto só torna tudo isto ainda mais rasteiro. Se precisássemos de mais provas do desnorte da direção do Sporting bastaria olhar para o substituto de Paciência. Ricardo Sá Pinto já foi experimentado como diretor-desportivo. Lembram-se do resultado? Cenas de pugilato em balneários e o caos no clube. Depois do seu afastamento, há tão pouco tempo e pelas razões que se conhecem, insistir no erro é demasiado estúpido para ser tolerado. Ninguém põe em causa o sportinguismo de Sá Pinto. Mas o clube precisa de alguém que crie uma equipa, não de um boxeur que as claques aplaudam. Recordo que foi para agradar às claques que o Sporting fez, na sua história, os maiores disparates de gestão do seu futebol. Voltamos ao mesmo. Esta decisão de Godinho Lopes – que ainda por cima viola uma promessa eleitoral - demonstra que afinal nada mudou depois de Bettencourt. A mesma cobardia, a mesma falta de tino, a mesma incapacidade para pensar para lá da espuma dos dias. Tudo demonstrado em menos de um ano. Não é desta que saímos do buraco. Quantos anos teremos de esperar?» - Daniel Oliveira, jornal Record, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Margem ficou mais curta. A virilidade que Bruno Alves usa no futebol levou-o a uma entrada escusada - talvez sem maldade mas desproporcionada - sobre Rodrigo. Quase sem relva, e com uma "placa de gelo" a servir de amortecedor à queda, o jovem avançado acabou por ter sorte. Os abraços dados, no final do jogo, a elementos benfiquistas não fizeram aumentar a margem do defesa, que já de si era diminuta. Bruno Alves acredita que por ser português poderá ter uma boa receção em Lisboa para o jogo da segunda mão. Seria um imenso sinal de fair play, mas tenho dúvidas (muitas) que assim seja. Está mais perto que a saudação dos compatriotas ao ex-portista no Estádio da Luz seja igual à que Danny teve no Estádio do Dragão, do que o contrário...» - Vanda Cipriano, jornal Record, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Vítor Pereira. Mais uma vez, tivemos um árbitro pouco qualificado no Dragão. Rui Silva tem condições para vir a ser um excelente árbitro, mas está muito verde. Pelo contrário, no Estádio da Luz, o Benfica teve, outra vez, direito a um árbitro internacional, no caso Jorge Sousa, do Porto. Entretanto, o senhor Vítor Pereira, o grande chefe da arbitragem, continua em silêncio e não consta que esteja prevista qualquer conferência para fazer um dos seus balanços. Estará à espera que o Benfica reclame de alguma arbitragem - o que não parece provável esta época – para fazer a sua vénia? Pela minha parte, prometo que não esqueço, por muito que esta minha reclamação possa parecer uma ladainha.» - Rui Moreira, jornal A Bola, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Indiferença ou resignação? Começo por uma declaração de interesses: Sá Pinto é meu amigo. Nestas linhas já o defendi como poucos e, como muitos, desejo-lhe imensas felicidades. Posto isto, e como integrei a lista de Godinho Lopes ao Conselho Leonino, afirmo sem receio: se hoje este projeto fosse a sufrágio, o meu nome não constaria entre os elegíveis, e não votaria no atual presidente do Sporting. Acreditei num projeto, numa atitude sustentada, ponderada em ideias, e com tempo para a execução das mesmas. Ao invés, constato uma série de incoerências atos precipitados, indefensáveis do ponto de vista da concordância entre o que se afirma e o que se pratica. Durante largos meses fui um dos que tentou convencer Carlos Barbosa, recente ex-dirigente leonino e tremendo gestor do maior clube português em número de sócios o ACP, a encabeçar um ideal há largos anos ambicionado por alguns sportinguistas, descontentes pelo caminho traçado pelos ilustres do costume. A sua saída precoce alertou-me para o que mais receava. Um descalabro que se antevia com os "gritos" de alerta de Domingos. Os erros do treinador, também ele falível, não justificavam a sua saída porque, a julgar pelas palavras de agradecimento do Sporting, Domingos conseguiu em seis meses chegar à final da Taça de Portugal, o que há anos ninguém obtinha, e ainda pela frente estava para jogar meio campeonato. Conforme afirmou Luís Duque, este ERA um projeto que necessitava de tempo. Mas onde mora a credibilidade de quem ainda dirige o clube? Fotografias autorizadas no túnel dos balneários, que nunca o foram, incêndio no Estádio da Luz sem um mero pedido de desculpa, e a declaração de Godinho Lopes - com juras de amor ao treinador, alicerce essencial para prossecução do tal ideário, desmentida em menos de 24 horas pelo próprio, quando pela frente estava uma jornada europeia importantíssima. Ao clube não falta amor dos seus adeptos, é a indiferença e a resignação em que cai desamparado que cava a sua sepultura. Quem se resigna uma vez às claques, demite o seu poder à força das mesmas para sempre. Como se não bastasse tanta, crassa, insensibilidade para a gestão do futebol sénior, ainda dão azo a prosseguir um braço-de-ferro inconsequente com o eterno rival. O próximo Sporting-Benfica, em juniores, estará vedado ao público, e só quem for sócio verde e branco é que pode assistir ao jogo. Mais um atentado às liberdades e garantias de qualquer cidadão português, e pior, mantendo uma fogueira onde não há incólumes. Em Alcochete há também muitos chamuscados. Hoje, concluo com um suave sorriso. Como eu compreendo o silêncio de Paulo Bento quando lhe perguntaram uma opinião sobre a promoção de Sá Pinto. Aliás, sorrio eu, e o "Coração de Leão". Ironias do destino. Boa sorte amigo, boa sorte Sporting.» - Jorge Gabriel, jornal Record, 17 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Benfica europeu. As novas exigências. A derrota do Benfica em São Petersburgo é um resultado recuperável, mas não deixa de ser uma derrota. Pode dizer-se que seria exigir de mais, atendendo às circunstâncias das condições em que se realizou o jogo e à manifesta qualidade competitiva de um adversário que correu e jogou como se não tivesse parado de competir, mas é verdade que o Benfica poderia ter feito melhor. É bom, de resto, que os jogadores do Benfica se habituem a este nível de exigência. Houve tempo, não muito distante, em que o mesmo resultado e a mesma exibição teriam sido cantados como uma glória. Já não é assim e isso deve-se ao crescimento internacional do Benfica e à legítima expectativa que a equipa de Jorge Jesus consente e até promove. Fez bem, aliás, o técnico do Benfica em desvalorizar o fado dos coitadinhos que tinham de jogar com muito frio, num relvado gelado e impróprio para qualquer exibição com nota artística. Tal como é importante desvalorizar a lamentável entrada de Bruno Alves sobre Rodrigo, inutilizando-o para quase todo o jogo. Não quer dizer que 15 graus abaixo de zero e um jogador, como Rodrigo, posto violentamente fora de combate num lance que comprometeu, de uma vez, a capacidade ofensiva e a estratégia da equipa não fossem argumentos razoáveis, mas sucede que uma equipa que aspira ao regresso do clube VIP europeu tem de saber reagir às contrariedades e às contingências, sempre várias e imprevisiveis, de um jogo de futebol. Foi, aliás, pela maneira como o Benfica impôs a sua personalidade e a sua atitude que se torna possível dizer que o resultado é recuperável no calor forte da Luz. Mais do que uma previsão, é uma homenagem ao regresso, parece que definitivo, do Benfica europeu.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 16 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Sporting suícida. A saída de Domingos é mais do que um despedimento, é a despedida de um projeto do Sporting, que devia ter aprendido por esta altura que já não tem tempo para ter pressa. Na trituradora de treinadores, a carne para canhão é o próprio clube. E é Godinho Lopes que fracassa em menos de um ano. É fácil gostar de Domingos, pela sua humildade e abnegada capacidade de trabalho, mesmo que abaixo do Mondego ninguém possa saber o que é sentir as alegrias que ele deu a adeptos do Porto, Braga ou Académica. Clubes que, aliás, ficaram bem depois dele, o que mostra que um bom treinador deixa equipa feita - e que uma equipa não se faz só do treinador passageiro, mas muito dos dirigentes que permanecem. Se um clube tem 36 treinadores em 30 anos, o mal está no clube. E Domingos, que foi a contratação do ano do Sporting, foi embora cedo de mais. Mesmo que ele seja vítima de uma orquestração em que ele próprio participou, quando deixou que a sua contratação fosse trunfo na candidatura de Godinho Lopes. E é também por isso que a demissão de Domingos é em si mesma a queda de um projeto, que inclui Godinho Lopes, Luís Duque (e Cartos Freitas),que foi eleito em 2011 com, é preciso não esquecer, a votação de menor número de sócios do que os que votaram em Bruno de Carvalho. Só se Sá Pinto for milagreiro conseguirá inverter o rumo. Para já, o Sporting perdeu um grande treinador dos juniores sem garantir um bom treinador dos seniores. A demissão de Carlos Barbosa, a saída de Domingos, o medo à Juve Leo são ingredientes de um presidente fraco e enfraquecido. Bruno de Carvalho assiste ao declínio de Godinho Lopes, que fez a Domingos o que lhe farão a si: inclemência, impaciência e um final antes do tempo. O exemplo veio de cima, amedrontado com que o vinha de baixo.» - Pedro Guerreiro, jornal Record, 16 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Benfica resiste a quase tudo. Uma derrota fora de casa, por 3-2, na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões é um desfecho que habitualmente não tem um sabor muito amargo - dependendo, claro, das circunstâncias em que ocorre. No caso do Benfica, a derrota sabe mesmo a derrota. E amarga. Por três razões: porque sofreu o último golo já nos instantes finais (mal houve tempo para saborear o momentâneo 2-2); porque perdeu Aimar para o jogo da Luz; e porque viu Rodrigo lesionar-se, com aparente gravidade, ainda a primeira parte ia a meio. São azares e problemas a mais e mesmo que Jesus afirme agora, em jeito de promessa, que em Lisboa "o Benfica pode abafar o Zenit", a impressão mais forte que fica é a de que os encarnados já podiam a esta hora estar com um pé e meio na eliminatória seguinte. Não é o caso, mas também nada está perdido. Longe disso. Por mais extraordinário e atraente que seja o futebol de uma equipa, é impossível pedir nota artística num campo de terra lavrada. Sendo assim, o que ontem se podia exigir - para além da capacidade de resistir aos 20 graus negativos - era concentração e atitude. E aí o Benfica foi praticamente perfeito. Mais: confirmou a capacidade de fogo e fez golos pela 34.ª vez consecutiva. Ou seja, em 2011/12 marcou "apenas" em todos os jogos. E essa fonte goleadora é a principal razão por que vale a pena acreditar que, no dia 6 de março, a equipa de Jesus vai ultrapassar o Zenit. Na Luz tem todas as condições para isso. Mesmo sem Aimar, que é hoje - a léguas de distância - o melhor jogador que Jesus tem às ordens. Sá Pinto estreia-se hoje como treinador da equipa principal do Sporting. Para começar, uma promessa que faz crescer água na boca: "Vamos jogar bom futebol. Queremos ganhar e divertir-nos com responsabilidade". Os adeptos leoninos não esperam que esse registo de qualidade possa aparecer já em Varsóvia. Porque não é carregando num botão que as coisas acontecem e porque também este jogo deve realizar-se num relvado em más condições. Importante, mesmo, foi o sinal que Sá Pinto deixou: "Bom futebol". Há quantos anos não se vê isso em Alvalade?» - Nuno Farinha, jornal Record, 16 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) Na velha história do futebol português, há meio século, quando entre Benfica e FC Porto as relações institucionais eram não só normais como até bastante calorosas, deu-se um episódio que já provava, a seu tempo, como nestas questões de solidariedade financeira nós somos bastante diferentes dos tais alemães. Em 1960, o FC Porto vivia com dificuldades para pagar os salários dos seus jogadores. Nas vésperas de uma visita do Benfica ao Porto, um dirigente portista chamado Aníbal Abreu tomou a iniciativa de mandar um telegrama ao presidente do Benfica, Maurício Vieira de Brito, rogando-lhe que o Benfica prescindisse da sua parte da receita do jogo em favor do clube amigo e aflito. O presidente do Benfica nem foi a tempo de responder porque Aníbal Abreu foi imediatamente demitido por Ângelo César que, à época, presidia à comissão administrativa que geria o FCPorto. O telegrama com que Ângelo César afastou Aníbal Abreu é uma pérola: «Acabo de ter conhecimento do telegrama enviado ao presidente do Benfica. Rogo V. Exa. apresente pedido de demissão por esta via. O FC Porto não precisa de pedir esmolas. A atitude do sr. Aníbal Abreu deixou-nos a todos indignados. O Benfica terá achado o seu pedido uma autêntica loucura, um disparate sem pés nem cabeça.» Naquela tarde de 3 de Abril de 1960, ainda que por via indireta, acabou por ser o Benfica a ajudar o FC Porto na superação da dita crise porque foi com a receita da parte da bilheteira que coube ao clube visitado (490 contos), em dinheiro vivo, que Ângelo César pagou os salários aos seus jogadores antes de o jogo começar. E já agora, o resultado do jogo? 2-2. Igual ao do último FC Porto-Benfica.» - Leonor Pinhão, jornal A Bola, 16 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Aimar. Pude ver (e ler) duas entrevistas com Aimar, que fugiram ao figurino estafado de frases feitas e lugares-comuns. Confirmei o que já achava dele. Jogador de inigualável classe, atleta que irradia a felicidade de fazer o que gosta (basta, em jogo, ler-lhe os olhos), profissional exemplar, pessoa inteligentemente sóbria que não se inebria pelo fascínio do efémero. Simplesmente... simples. Com ele, não se pode falar de nacionalidades. É universal. Logo, também português. Só outro jogador não português deixou para a história do Benfica o mesmo lastro de classe e exemplaridade: Preud'homme. Aimar enche os campos com sinfonia, mestria, perfume. É um dos jogadores de quem até a relva e a bola devem gostar... Há tempos, foi homenageado pela embaixada argentina. Disse então o diplomata: «O seu modo de ser torna-o muito valioso pela qualidade futebolística, mas impressiona ainda mais pelo humanismo. E, como dizemos na Argentina, é uma pessoa muito 'familiera', privilegia o espírito de família.» O presidente do Benfica, na sua mensagem foi também certeiro: «Há jogadores que deviam ser eternos, e tu és um deles. A camisola do Benfica será sempre tua. Gostaria que o Benfica fosse sempre uma das tuas 'pátrias'.» Boa notícia, a da renovação do seu contrato. A idade pode diminuir certas destrezas, mas reforça a sabedoria, a arte e a liderança. Ele que, numa entrevista recente, definiu assim magistralmente o Benfica: «Sinto-me sempre melhor a jogar num dube onde a exigência está presente todos os dias e não se festejam empates.» PS: Ontem Rodrigo foi ceifado. Bruno Alves não desaprendeu!» - Bagão Félix, jornal A Bola, 16 de Fevereiro de 2012. | |||
| «A verdade de hoje. Está confirmado: qualquer "forever" no Sporting vale como morte anunciada e próxima. Menos taxativo do que José Eduardo Bettencourt com Paulo Bento, Godinho Lopes repete a dose com Domingos Paciência. E nem vale a pena evocar a máquina que sacrificou Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio e José Couceiro. Vejamos. Há oito dias escrevia-se aqui mesmo: "Deixa-me a pensar que seja o treinador - não o adepto - a definir a Taça como o grande objetivo da temporada quando, em termos futuros o tal terceiro lugar no Campeonato será seguramente mais útil e mais agradável (... ). É por isso que podemos questionar-nos se, com a sua escolha clara, inequívoca, Domingos Paciência dá sinais de uma personalidade romântica ou se, pelo contrário, quer ganhar a Taça por saber ou intuir que, na próxima época, já não estará no comando técnico do Sporting". Afinal nem a Taça o deixaram ganhar, desviando-o sumariamente da hipótese do seu primeiro título como técnico. À falta de melhor, inventa-se um "adultério" com dirigentes do FC Porto, denunciado por fontes não identificadas. Domingos desmente. Pergunto: quando foram buscar o técnico a Braga e o jogaram como a mais poderosa arma eleitoral não sabiam do amor clubístico do antigo avançado? E não sabiam que ele era um dos candidatos ao posto de treinador no Dragão, desígnio que há-de confirmar-se mais cedo ou mais tarde? E não aceitaram esse pressuposto com base no profissionalismo imaculado do homem, demonstrado em Leiria, em Coimbra e em Braga? No domingo, o presidente do Sporting Clube de Portugal disse - sem que ninguém lhe encomendasse o sermão - que "não fazia sentido" questionar a continuidade de Domingos, já que este fazia parte da estrutura do clube. Na segunda-feira, Domingos era despedido. Pode dar-se o caso de, com a ajuda de um qualquer CSI, os responsáveis leoninos terem descoberto os crimes de alguém que, de repente, num ápice, passou a ser fraco psicologicamente (usando até a leitura de lábios para seguir os seus desabafos no banco), a ser um tirano com os jogadores a quem "não justificava as convocatórias" (como Paulo Bento...), a culpado das lesões (exemplos citados os de Izmailov, Rodríguez e Jeffren, reconhecidamente crónicos do estaleiro), a andar em más companhias (falamos de um clube que oferece trunfos como João Moutinho e Yannick Djaló aos adversários diretos). O poder resvalou para a rua. Ou para a claque. Era dispensável que Godinho Lopes, como presidente, gastasse tantas palavras só para mostrar que é algo de que não dispõe: palavra. Bom será, para todos, que Sá Pinto não falhe, porque os ativos começam a esgotar-se. E até Vítor Pereira vai ter que olhar mais vezes por cima do ombro agora, Domingos Paciência é um homem livre.» - João Gobern, jornal Record, 15 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Amar Aimar. Todas as massas associativas têm os seus bem-amados e os seus mal-amados. Na Luz, Oscar Cardozo, mesmo quando marca golos, é criticado – e Aimar, msmo quando comete erros, é endeusado. Sou vizinho de Aimar, pelo que posso testemunhar que é um homem simpático, afável e bom chefe de família. Tem três filhos pequenos, aos quais dá atenção. Dentro do campo, como todos veem, é um senhor. Mas já tem 32 anos e é fisicamente frágil, precisando de ser gerido com pinças. É capaz do melhor e do pior: tanto pode pôr ordem na equipa e lançá-la para a vitória como pode perder bolas em zonas perigosas. Entretanto, o nome de Aimar no Benfica vai ficar ligado a outro, não argentino mas bem português: Jorge Jesus. Quando Jesus chegou à Luz, Aimar era um jogador em fim de carreira, que parecia já não ter muito para dar. Ora Jesus deu-lhe uma segunda vida. Como deu uma nova vida ao Benfica – que em 2009 era uma equipa em trajetória descendente, com o desgaste de muitas épocas com péssimas classificações (apenas um título conquistado em 10 anos, vários terceiros lugares e um sexto), e hoje é uma equipa alegre, pujante, capaz de exibições sublimes. Aimar, que agora renovou, já não vai ficar muito tempo na Luz. Mas Jesus pode ficar. Independentemente do que suceder esta época, já se viu que o Benfica com ele é outra loiça. Jesus já ganhou 100 jogos, tornando-se o melhor treinador da história do Benfica, com 71% de vitórias nos jogos disputados, à frente dos lendários Bela Guttmann (70%), Eriksson (68%) e Otto Glória (65%). Luís Filipe Vieira deveria, pois, fazer com ele um contrato a longo prazo - tornando-o, como um dia escrevi, o Ferguson do Benfica.» - José António Saraiva, jornal Record, 15 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Decisão para ir até ao fim. Os encarnados não precisaram de muito tempo para perceber que o relvado do jogo está em condições deploráveis, por muito que Jesus tenha tentado passar mensagem de conformismo. Tudo isto poderia ter sido evitado. Bastava à UEFA ter aprovado o sintético do Estádio Luzhniki, em Moscovo, uma das alternativas propostas pelo Zenit. Ao manter o Petrovsky, por muita boa vontade que os responsáveis do emblema de São Petersburgo tenham mostrado, sujeitou-se aos caprichos do tempo, que ninguém controla. Equacionar nova data é brincar com as exigências de uma equipa de alta competição e com os adeptos que fazem viagem longa. Agora, não há como voltar atrás na decisão. Não há retorno.» - Nuno Martins, jornal Record, 15 de Fevereiro de 2012. | |||
| «'Parado' em velocidade. Se há fator que, neste momento, emerge como imagem do bom futebol do Benfica, esse é, claramente, a velocidade. Uma palavra, que traduz o processo de jogo ofensivo da equipa. Mas repare-se: é uma velocidade metida em organização, mesmo com o adversário posicionado a defender, não é produto de jogadas de contra-ataque. O jogo com o Nacional foi mais uma demonstração dessa arma, com Gaitán, Nolito e Rodrigo a voarem para a baliza. No ataque, porém, na posição mais avançada, está um jogador, ponta-de-lança, estruturalmente lento, que por vezes parece jogar parado. Cardozo, claro. Detetar tal facto parece um paradoxo dentro da tal estratégia de velocidade a atacar. Não é assim. Esse jogador aparentemente parado é uma referência e complemento perfeito para os outros correrem à sua volta, em busca dos espaços ideais para explodirem/furarem, sempre verticalmente, por entre as defesas adversárias. É quase como um radar que deteta o excesso de velocidade. Controla-a numa simples tabela, receção ou remate a encostar a bola para a baliza.» - Luis Freitas Lobo, jornal A Bola, 15 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Um erro colossal. O comunicado oficial da SAD do Sporting, que justifica a decisão de demitir Domingos do comando técnico do clube, não deixa dúvidas nem sobre as razões, nem sobre a responsabilidade unilateral da administração. Também não deixa dúvidas sobre uma de duas hipóteses: ou a administração da SAD teve força para contrariar a opinião e a posição oficialmente declarada pelo seu presidente, ou Godinho Lopes mudou radicalmente de opinião em menos de 24 horas, tendo percebido que, afinal, nem o caminho estava traçado, nem a estrutura do futebol devidamente consolidada. É muito mau que o Sporting se sujeite, a si próprio, a estas incoerências e mostre que a influência externa de um grupo de adeptos com as emoções à flor da pele tenha real influência na decisão interna, em pontos tão sensíveis como o da demissão do treinador principal. Há muito que Domingos parecia, de facto, perdido. Bastava ver a sua atitude no banco, durante os jogos, para se perceber que a angústia e a perplexidade mandavam no seu raciocínio. E isso, mesmo se quisermos admitir que Domingos estava em plena crise de personalidade e de autoridade, tornava evidente que a estrutura que o envolvia estava longe de ser sólida e estava longe de conseguir blindá-lo, tornando o desfecho inevitável. O tempo e o modo como tudo aconteceu, porém dá-nos a perspetiva de um erro colossal, com efeitos perturbadores.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 14 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Antero Henrique muito alterado. Rodolfo Vaz, diretor-desportivo da U. Leiria, mostrou-se ontem "extremamente curioso" em relação ao relatório dos delegados da Liga ao jogo entre o FCPorto e os leirienses, disputado domingo à noite, no Dragão. Em declarações à agência Lusa, o responsável leiriense não poupou o dirigente portista. "Já fui fortemente sancionado no passado por muito menos. Vou estar atento para ver se no futebol português não há dois pesos e duas medidas. Estava a conversar tranquilamente com o árbitro Rui Silva [ndr: contestando a expulsão de Shaffer] quando Antero Henrique se dirigiu a mim muito alterado, aos gritos, numa reação completamente inesperada. Não há explicação para o que se passou", afirmou. O diretor-desportivo da U. Leiria revelou ter assinado a ficha de jogo por não ter sentido, na altura, "condições de segurança" e garante que no Estádio do Dragão e, para além do episódio com Antero Henrique, "foram infringidas uma série de regras da competição".» - Rodolfo Vaz, director-desportivo da U. Leiria, citado pelo jornal Record, 14 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) Vítor Pereira também tem lá vários Ferraris e Lamborghinis, mas não os distingue de Fiat Puntos e Renaults. Ele é, por exemplo, a única pessoa que não percebeu a importância do jogo de um Fucile, um Belluschi, um Guarin ou um Candeias, que agora brilha intensamente ao serviço do Nacional. Ele é o único treinador a quem é oferecida uma promessa como o lturbe para o potenciar e, em vez disso, encosta-o em casa, condenado à ociosidade e à desmotivação (veja-se a diferença para o que Jesus fez com Rodrigo, da mesma idade). E é, seguramente, a única pessoa de todas as que vê jogar o FC Porto, que ainda não percebeu que tem um génio ao seu serviço chamado James Rodríguez e lhe prefere banalidades como o Cristian Rodríguez, o Varela ou o... Djalma. Mesmo que, uma e outra vez, o James demonstre que consegue fazer infinitamente mais em meia hora do que os outros três juntos em hora e meia, Vítor Pereira lá continua agarrado à sua fé de que há-de conseguir fazer de um jogador medíocre ou banal um grande jogador e que há-de conseguir fazer de um extraordinário jogador um jogador desmotivado e revoltado. Quando, no final do jogo contra o Leiria, lhe perguntaram se ele não achava que as coisas tinham mudado com a entrada do James, aos 60 minutos (um golo e duas assistências, face à total nulidade do Varela), ele achou que a pergunta continha um elogio à sua pessoa e tratou de explicar que acabara por o meter porque o jogo estava a precisar de alguém assim, dotado de grande técnica, útil para romper defesas baixas e recuadas. Não percebeu que a pergunta era porque razão, então, esperou 60 minutos para o meter em jogo - esteve uma hora à espera de um União de Leiria com defesa alta e espaços abertos? Ou esteve à espera de um Varela rápido, clarividente, rompedor, desequilibrador? O problema com Vitor Pereira é que ele não percebe e não aprende. Qualquer um, no lugar dele, já teria aprendido imenso em sete meses à frente do FC Porto. Vítor Pereira, não: continua igual ao que era em Julho passado. Como dizia Einstein, ele acredita que o mesmo o erro, repetido diversas vezes, há-de um dia produzir resultados diferentes. Querem saber o que ele vai fazer contra o Manchester City? Vai pôr o Maicon a defesa-direito e o Hulk a ponta-de-lança. E, depois de ler várias críticas coincidentes, vai-se contrariar e meter o James de início, em lugar do Cristian ou do Varela, conforme lhe aconselhava a sua intuição. É um caso perdido, definitivamente é um caso perdido. Excelente pessoa, sem dúvida. Mas o maior falhanço naquelas funções desde que, após uma noite mal dormida, Pinto da Costa acordou e fez de Octávio Machado treinador do FC Porto.» - Miguel Sousa Tavares, jornal A Bola, 14 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Quem manda no Sporting? O despedimento de Domingos Paciência tem contornos quase inéditos no futebol português, tantas foram as peripécias que o rodearam, a começar pelo facto de o treinador nunca ter sido assobiado em Alvalade e a acabar na garantia dada por Godinho Lopes 24 horas antes sobre a continuidade do técnico. "Não faz sentido questionar a confiança no treinador", disse o presidente leonino no domingo. O episódio é "apenas" mais um desastre de comunicação, como tantos outros no emblema leonino nos últimos meses. Se Godinho Lopes confiava no treinador, então o que mudou? Quem decidiu a chicotada psicológica? Não é a primeira vez que o presidente é desautorizado com declarações ou decisões claramente contraditórias ao seu discurso. Mas o desastre comunicacional que grassa em Alvalade não ficou por aqui. No comunicado divulgado no site do clube sportinguista, apresentou-se como argumento para o despedimento de Domingos o facto de ter sido eliminado da fase de grupos da Taça da Liga, competição que tomou contornos de extrema importância apenas nesta altura. Primeiro, o técnico não foi eliminado da fase de grupos mas sim "na" fase de grupos. E se era assim tão importante chegar às meias-finais, qual a razão do despedimento não ter acontecido logo imediatamente a seguir ao jogo com o Gil Vicente? Uma vez mais, Godinho Lopes fica com a imagem manchada em todo o processe e, porventura, até era dos que menos mereciam. Ao Sporting continua a faltar uma liderança a uma só voz. Também Domingos cometeu erros capitais mas apresentar a cabeça do técnico numa bandeja não resolve o problema. Só o adia...» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 14 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Paciência. A demissão de Domingos pode ser um erro colossal para a vida do Sporting. Mais um. Confessa um erro de gestão, destrói a ideia de um projeto em construção, dilui o crescimento do entusiasmo, desmonta o álibi das culpas de terceiros e hipoteca a confiança num rumo sufragado há menos de um ano. Alegando o incumprimento de ojetivos para a crueldade de impedir Domingos de estar na final da Taça de Portugal, a direção do Sporting transmite uma imagem de descontrolo, que faz vacilar não apenas os jogadores, mas em particular os adeptos e investidores, não obstante o efeito psicológico que a ascensão de um ícone do perigoso mundo das claques causará nos primeiros tempos. Esta fuga para a frente representa mais um episódio próprio da desculpabilização habitual das elites leoninas, que sempre as conduz para longe da realidade e lhes aumenta a frustração para limites insuportáveis. Afastar um treinador competente já não devia ser opção, quando se vê onde estão hoje Paulo Bento, Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio ou José Couceiro. Domingos entrou no Sporting com uma carteira de 20 milhões em jogadores, para concorrer num quadro competitivo muito adverso, com adversários muito mais avançados do que os sportinguistas conseguem admitir. A aposta num baralho próprio das brincadeiras do Championship Manager legitimou, inclusive, a suspensão da prioritária linha de abastecimento da academia, sem que fosse completamente assumida o evidente desvio da política de formação, deixando o espírito leonino de olho na matriz a vogar no limbo, revoltado, mas amordaçado, sobre uma panóplia de nomes, línguas, currículos, promessas, experiências e óbvias sobrevalorizações. O que Domingos estava a realizar, de acordo com o que parecia ser o projeto da nova direção, apontaria para uma aproximação às três equipas que nas últimas três temporadas se tinham distanciado dramaticamente. O plantel necessitaria de alguns ajustamentos mas havia uma evolução em curso em parâmetros aceitáveis. Apesar da série de maus resultados, há sectores a funcionar muito pior na retaguarda da equipa de futebol que, ao contrário, em zonas que nada melhoraram, desde os tempos de Paulo Bento: estratégia, comunicação e liderança. Pelo contrário, a estratégia revela-se cada dia mais confusa, a comunicação é babilónica e a liderança não resiste a uma gritaria na Portela. Não havendo qualquer evolução desportiva no horizonte, a reorganização do plantel não deixará de custar mais uma pequena revolução, tamanha é a distância ideológica entre o treinador que sai e o que entra. Numa analogia à entrada de Paulo Bento, cujo sucesso se pretende agora reeditar com Sá Pinto, podemos esperar uma nova sangria, tentando corrigir alguns dos erros de casting cometidos na ânsia de causar impacto entre os adeptos: o atual selecionador nacional dispensou 18 e contratou ou promoveu da academia outros 13 nos primeiros seis meses de função. Sem dinheiro e vindo de onde vem, seria normal que Sá Pinto também se virasse, de novo, para o alfobre de Alcochete. Valores como Cédric, Adrien, Wilson Eduardo ou Nuno Reis representam mais esperança no futuro, mas não garantem titulos. Haverá paciência?» - João Querido Manha, jornal Record, 14 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(De) Parabéns. Hoje eu e o capitão Luisão fazemos anos. E o Glorioso resolveu brindar-nos com uma mão cheia de golos e uma exibição de campeão. Já se sabe que eu sou fã do Rodrigo, aquela gazela de ouro que fez dois golos de génio e é grande e grande. Mas, à exceção de Emerson e Cardozo, todos quiseram contribuir para o presente de aniversário. A semana passada, em reação à contratação de inverno de Djaló, escrevi que Jesus podia bem fazer dele jogador. Mas depois de ver a exibição de Gaitán, como somou assistências e ultrapassou meia equipa do Nacional para oferecer o segundo golo do Benfica ao Cardozo, assistem-me dúvidas. Por maior mestria que Jesus tenha na educação de jogadores, Djaló não tem a inteltgência de Gaitán, a criatividade de Nolito e até de Bruno César. Tem a velocidade, mas será que virá a ter mais do que isso? E mais atrás, na defesa lateral? Com Ruben Amorim emprestado e Maxi castigado, o míster inventou e não saiu nada de jeito. O Witsel é muito bom, mas se há coisa que não sabe ser é lateral-direito. Até pode já ter experimentado na Bélgica mas espero que não volte a tentar por cá. Podia ter sido pior, quando a partida começou a memória voou-me até Liverpool ou ao Dragão, a ver o David Luiz na lateral... Será que Capdevila não pode socorrer na direita? Será que Luís Martins não pode jogar daquele lado? E, quando Maxi regressar, não poderá algum deles ir para a esquerda, fazer-nos esquecer que o Emerson existe? Hoje é dia de pedir desejos. Subir a estátua do Marquês em maio, para celebrar o campeonato, é o primeiro. E já que vamos tão bem lançados, outros mais pequenos mas importantes: míster, o Cardozo pode deixar de marcar (falhar) penáltis, por favor? O Emerson pode deixar a titularidade? E, finalmente, podemos ir à final da Champions? Numa noite gloriosa como a de sábado, Jorge Sousa fez o que costuma: roubar-nos escandalosamente. E é este um dos árbitros de top em Portugal.» - Marta Rebelo, jornal Record, 13 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Bronze. Ana Oliveira. A diretora técnica do atletismo do Benfica mostrou o resultado do seu trabalho, ao levar o título nacional de clubes em pista coberta para a Luz, 17 anos depois da última vitória. Uma aposta de sucesso.» - Luis Milhano, atribuição de medalhas Record, 13 de Fevereiro de 2012. | |||
| «São Petersburgo. O Benfica joga na próxima quarta-feira em São Petersburgo, a mais bela das cidades da Rússia. Parece certo que a partida se disputará sob neve e com uma temperatura perto dos 20 graus negativos. Estou curioso para ver qual será a atitude da UEFA perante as condições extremas que se verificarão, muito mais agrestes, por exemplo, do que aquelas que levaram, este fim de semana, a alguns adiamentos na Serie A italiana e no Torneio das Seis Nações. A força da televisão, no reino de Platini, é grande. Mas será suficientemente poderosa para (caso se confirmem as condições previstas...) congelar consciências?» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 13 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Guerreiros e Briosos. No início da época muitos duvidavam que o Sp. Braga pudesse manter a bitola exibicional dos anos anteriores. A saída de Domingos Paciência e a debandada de jogadores nucleares, de uma equipa minhota que chegou a uma histórica final europeia, faziam perspetivar uma quebra na temporada em curso. Eu próprio, confesso, cheguei a ter algumas reservas em relação aquilo que a equipa poderia fazer este ano. Porém, os guerreiros do Minho estão a mostrar a sua força e as previsões iniciais não podiam estar mais erradas. Este Sp. Braga é um sério candidato a uma qualificação para a Liga dos Campeões. Leonardo Jardim, treinador talentoso e estratega, chegou a Braga com a dificil tarefa de integrar muitas caras novas no plantel. Os primeiros jogos denunciaram dificuldades, mas aos poucos a equipa bracarense foi-se entrosando e conseguiu criar uma notável dinâmica de vitória. Onze vitórias nos últimos 12 jogos é obra! O Sp. Braga está bem encaminhado para ficar entre os três primeiros classificados do campeonato. Para o presidente António Salvador é um excelente indicador desportivo e financeiro. A perspetiva de uma segunda presença na Liga dos Campeões seria mais um grande feito a acrescentar ao excelente trabalho deste dirigente. Há que elogiar igualmente a forma como o Sp. Braga se mexe no mercado. Com um orçamento bem inferior ao dos três grandes, é impressionante a "facilidade" como colmata a saída de jogadores importantes numa gestão exemplar e sem despesismos exagerados, que devia merecer a atenção de muitas equipas. Analisando o plantel bracarense, podemos constatar que as qualidades de Quim continuam intactas, pelo que a saída de Artur Moraes não causou mossa na baliza. Na ala direita, o lateral Baiano estava a ser uma boa surpresa até à sua lesão, sendo que a adaptação do médio Leandro Salino ao lugar também se revelou uma aposta ganha. Já o central Ewerton é uma das revelações desta Primeira Liga. Alto, rápido e forte na marcação, o brasileiro é craque e trouxe segurança ao eixo defensivo do Sp. Braga. No eixo do terreno, o líbio Djamal, que Leonardo Jardim já orientara em Aveiro, mostrou-se um verdadeiro tanque, no desarme e circulação de bola, complemento ideal para o talento de Mossoró e a alta rotação de Hugo Viana, que bem merece uma chamada à Seleção Nacional, pelo trabalho que tem realizado. Com Alan na direita ao seu melhor nível, foi do lado esquerdo que nasceu uma nova vedeta, Hélder Barbosa, que deixou de ser uma promessa adiada, para se afirmar no onze bracarense, com golos e assistências que, certamente, também não passarão despercebidos a Paulo Bento. Por sua vez, a veia goleadora de Lima, o seu oportunismo e remate fácil, fazem do brasileiro um dos melhores avançados da Liga. A experiência de jogadores como Custódio, Paulo César e Nuno Gomes, assim como as chegadas de Luís Alberto, Miguel Lopes e Ruben Amorim, dotam a equipa do Sp. Braga de muitos e bons recursos para encarar três frentes (campeonato, Liga Europa e Taça da Liga) sem temer qualquer adversário. Gostaria também deixar um palavra para a Académica. Os comandados de Pedro Emanuel conseguiram a passagem à final da Taça de Portugal e, 43 anos depois, vão voltar ao Jamor. Um prémio merecido para um histórico do futebol português que, este ano, apresenta uma equipa competitiva e ambiciosa.» - António Oliveira, jornal Record, 13 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Mais do que cem vitórias. Depois de ter conquistado a centésima vitória ao serviço do Benfica, Jorge Jesus vai embalado para o seu segundo título de campeão em três épocas. A consegui-lo, o treinador que hoje faz capa deste jornal, numa produção exclusiva do Record, confirmará a tendência que se desenhou desde o primeiro dia em que entrou pela porta do Estádio da Luz quando assumiu o comando técnico da equipa: com ele, o Benfica entrou numa nova era. Como sublinha Jesus, são as vitórias que conduzem aos títulos e o registo que o treinador tem nos 141 jogos realizados no Benfica (quase 71 por cento de triunfos) reforçam, de facto, a convicção de que há mais conquistas à mão de semear. A clubes com a grandeza do Benfica está associado um destino ganhador. Mas há momentos em que não se chega lá apenas com a força da dimensão e da história. Veja-se o caso do FCPorto que só depois da entrada de Pedroto (com Pinto da Costa) conseguiu quebrar um longo jejum de títulos que durou 18 anos e arrancou para tempos de muitas e brilhantes conquistas. Não fora a conquista de Trapattoni em 2004/05, o Benfica teria estado 15 anos sem ser campeão. Até por isso, Luís Filipe Vieira não tem dúvidas que Jesus é o homem certo para projetar um ciclo virtuoso no Benfica que ficará mais consolidado com um segundo título em três épocas. É verdade que nada se consegue sozinho e o próprio Jesus faz questão de sublinhar que as 100 vitórias são “a marca de um grupo", mas é inquestionável o carisma e a paixão do treinador a uma causa que não se reduz ao Benfica, antes é mais lata. Um dia, Cruyff escreveu a propósito dos técnicos que valorizam o futebol e sabem potenciar a qualidade dos jogadores com quem trabalham: “É importante ter treinadores que contagiem a alegria e o amor à arte. Não apenas os aspetos menos gratos e sofridos do jogo, mas sim o seu lado mais luminoso e estimulante." Certamente por isso Aimar diz de Jesus que foi o melhor treinador que conheceu e também por isso o treinador gosta de vitórias com nota artística. Temos que lhe estar agradecidos.» - António Magalhães, jornal Record, 13 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Adepto ao poder. Ver o estádio restaurado e ajustado às necessidades do seu utilizador e uma partida intensa entre a Oliveirense e a Associação Académica de Coimbra no acesso à final da Taça de Portugal foram apenas os pressupostos para verificar o mais importante: um estádio cheio de adeptos com vibração pelo jogo! Por ser uma raridade (exceto nas partidas que todos sabemos quais são), quem gosta do jogo apreciou a mancha humana que é a clientela desse mesmo jogo. E todos lamentamos que uma clientela tão apaixonada por esta modalidade deixasse de ser nas últimas décadas uma clientela fiel. Se dizem que o futebol é um negócio, então o negócio não tem conseguido trazer os seus clientes à... "fábrica". Como foi possível chegar a tal ponto, num país tão fervorosamente interessado pelo futebol? Quem viu esse jogo, porém, tem que acreditar em recuperar da falência: ver os adeptos vencedores, no fim, saltarem para o campo para comungar com os jogadores e os técnicos a sua emoção é uma imagem de tempos passados - que deixa uma esperança. Combater a perversão é o inicio de tudo. O adepto sempre tem sido pensado, legislado e regulamentado numa perspetiva negativa e repressiva: como controlar e punir a violência, como sancionar os clubes pela sua atuação incorreta, como estruturar e legalizar a sua organização. Não admira que o adepto apareça motivador de interesse quando se assalta e vandaliza e quando se aterroriza. Falta o nevrálgico: o adepto que gosta do jogo e faz dele um momento de prazer e partilha. Que se refere àquela partida como uma oportunidade de lazer com familiares e amigos. Não o adepto que vai para uma batalha com rancor, mas sim o adepto que se vai divertir com as vicissitudes de um jogo que o empolga. Falta pensar, legislar e regulamentar este adepto: com "estatuto", "direitos" e "condições" para cheirar por sistema aquela fragrância inconfundível da relva. Encontramo-nos hoje na charneira: ou se dá o salto ou se perdem as bancadas. Comenta-se no meio que o futebol português não tem hoje lideranças para pensar estrategicamente a modalidade. Vive-se o "consenso" do momento, alegam-se as questões "politicamente corretas" e "resiste-se" à confeção de um "plano global" gizado na FPF e na Liga. Não há muito tempo escrevi aqui sobre a urgência da regulamentação desse programa sobre o adepto, com exemplos: 1) impor aos clubes a ocupação de 3/4 dos estádios através de ingressos baratos, tendo em conta critérios como a proximidade geográfica entre clubes e a proximidade competitiva na tabela classificativa; 2) determinar pacotes familiares com custo baixo e “marketing" incorporado; 3) associar o adepto aos patrocinadores da competição e dos clubes na aquisição de bens e serviços, especialmente atendendo à assistência a um número considerável de jogos; 4) ajustar os horários televisivos; 5) converter os jogos em locais de animação e divertimento alternativo. Tudo com o efeito subordinante das leis fundadoras, onde residiriam a emancipação e a valorização do adepto "positivo". Dúvidas e resistências? Revejam o que se passou durante e depois do jogo de Santa Maria da Feira...» - Ricardo Costa, jornal Record, 12 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Jogámos contra sete. O FCPorto não necessita da ajuda dos árbitros nos jogos, porque tem uma grande equipa.» - Hernani Jorge, vice-presidente do Candelária, citado pelo jornal Record, 12 de Fevereiro de 2012. | |||
| «A mística faz a diferença... O Benfica venceu ontem o Nacional, perante mais de 53 mil espectadores, com alta nota artística. Mas, acima da qualidade de jogo demonstrada, deve ser salientada a quantidade de boas soluções de que Jorge Jesus dispôs, para além daquela que, com sucesso, «inventou», ao colocar Axel Witsel, que era visto como 6, 8 ou 10, no lugar de Maxi Pereira. Exibição sólida, consistente e convincente dos encarnados que, se mantiverem esta atitude (porque futebol não lhes falta...), deverão ser vistos como os mais sérios candidatos ao título. Mas, neste particular, a atitude é mais importante do que o futebol, o querer vale mais do que a arte. Uma palavra, enfim, explica tudo: mística. Já o Sporting parece cada vez mais longe da possibilidade de chegar à pré-eliminatória da Champions. A equipa pagou a fatura da Choupana e deu uma pálida imagem nos Barreiros. Neste contexto, um alerta deve ser feito aos comandos de Alvalade: faltam 97 dias para a final do Jamor. É tempo de mais para ser desperdiçado em degradação. O Sporting precisa de recuperar auto-estima na Liga Europa e deve encarar cada jogo da Liga com o empenho que o emblema do leão exige. Só assim, além de criar melhores condições para vencer a Taça de Portugal, poderá consolidar em 2012/13 o projeto esta época encetado.» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 12 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) Hoje como ontem. E, neste ontem, trago à colação um artigo publicado em 1965 (Março/Abril) numa revista emblemática - "O Tempo e o Modo" -, da autoria de José Cutileiro, com o sugestivo título: "Os Superportugueses: Algumas notas sobre o Sport Lisboa e Benfica". E o artigo, que vale a pena ler - e incluir possível original no Museu do Benfica (uma obra notável, de recolha) -, começava assim: «Os jornais noticiaram, há dias, que um homem pobre e doente, falecido no Hospital de São José, deixara como última vontade, a de ser enterrado vestindo a camisola do Benfica e, se possível, debaixo da águia que identifica o Estádio da Luz. Apenas a primeira parte do desejo pôde ser satisfeita. As posturas municipais modernas são rigorosas e cada vez se percebe menos de mortos». É este Benfica de ontem que não se perde. E que somos, no presente, cada um de nós, tão só, uma ponte entre o passado e o futuro. Sem discutir os aspetos jurídicos, a questão do totonegócio, novamente suscitada na sequência das notificações que a administração tributária endereçou aos clubes, merece uma breve nota. Falamos de dívidas fiscais anteriores a 1996. Falamos da adesão dos clubes, através da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e da Federação Portuguesa de Futebol, ao então denominado Plano Mateus. Falamos sobre a dação em pagamento das receitas do totobola que o Estado aceitou e recebeu como forma de extinção das dívidas fiscais. Falamos do compromisso do Estado na promoção do totobola e de outros jogos sociais, com vista a facilitar este cumprimento no prazo estipulado. O que se passou desde então é que o totobola decaiu, abruptamente, nas suas receitas, o Estado e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa pouco fizeram para o promover. Os clubes, alguns deles agora transformados em SAD's, têm contribuído para a fazenda nacional através dos impostos que pagam em cerca de uma centena de milhões de euros por ano. Os clubes cumpriram o que se comprometeram. O Estado e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não agiram da mesma forma. É a esta luz que se terá que encontrar uma solução política, que não penalize mais quem, nesta relação, não falhou. E estou firmemente convicto que o atual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Doutor Pedro Santana Lopes, tudo fará para a busca, bem urgente, de uma solução que não suscite acrescidas provações para muitos clubes e sociedades anónimas desportivas. O seu conhecimento profundo da realidade e a sua sagacidade política são elementos fundamentais na busca, em verdadeira parceria estratégica, de uma solução equilibrada para um problema que já se arrasta há tempo demais. E neste compromisso importa envolver os titulares dos diferentes Casinos de Portugal.» - Fernando Seara, jornal A Bola, 12 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Obrigado. From: Domingos Amaral To: Pablo Aimar. Caro Pablo Aimar: Um dia, com imensa pena, vamos ver-te partir. Regressar a casa, à tua pátria, quem sabe ao teu River Plate do coração, para por fim arrumares as botas. Nesse dia, vamos agradecer-te, vamos homenagear-te, vamos aplaudir-te todos de pé, num adeus sentido e emocionado. Nesse dia, vamos sentir saudades da tua arte, da tua humildade, do teu profissionalismo. Nesse dia, vamos sentir saudades do teu amor pelo nosso país, aonde tu e a tua família se sentem tão bem e toda a gente gosta de ti. Nesse dia, vamos sentir saudades do teu comportamento, em campo e fora dele, da tua forma honesta de jogares. Nesse dia, vamos sentir saudades das tuas tabelinhas, das tuas danças com a bola nos pés, dos teus passes de morte, da tua visão de jogo, da tua solidariedade para com os teus companheiros. Nesse dia, felizes, vamos dizer bem alto: eu sou do tempo de Aimar, eu vi o puro talento neste estádio a quem tu dás ainda mais luz, eu vi um homem cavalheiro como poucos com o emblema do Benfica ao peito, em vi um génio a honrar a nossa camisola. Nesse dia, vamos dizer que contigo ganhámos muito, títulos e taças, e que contigo sonhámos e os sonhos tornaram-se realidade, e o Benfica jogava como nós sempre imaginámos desde miúdos e ganhava e marcava golos, muitos golos. Nesse dia, vamos sentir um vazio nos nossos corações e no nosso meio-campo, vamos procurar-te com os olhos e tu não vais estar lá para nos resolver as nossas aflições e os nossos jogos e vamos ter saudades, tantas saudades que até vão doer. Graças a Deus, este não é ainda esse dia. Obrigado Pablo, por passares mais um ano connosco.» - Domingos Amaral, jornal Record, 12 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Vá lá, não sejam piegas e emigrem. Não sabemos se o povo português gostaria de ter a senhora Merkel como primeira ministra, mas já sabemos que o dr. Passos Coelho gostaria de ser primeiro ministro do povo alemão, que é compenetrado, empreendedor e frio, como deve ser um povo que odeia pieguices, conforme duas guerras brutais bem demonstraram. Aliás, um amigo meu garante-me que o dr. Passos Coelho, se soubesse o que hoje sabe de experiência feita no governo, teria dado o cadeirão de S. Bento ao dr. Paulo Portas e teria ficado, exclusivamente, com a secretaria de estado das comunidades, para melhor promover a ideia de que os portugueses devem seguir o lema nacional do "venha para dentro lá fora", explicando que não há bocadinho mais português do que a Dundas Street em Toronto, a Ferry Street em Newark ou a Burgholzstrasse em Dortmund. Claro que muita gente ficou estupidamente melindrada e olhou com maus olhos a declaração churchiliana do primeiro ministro, mas é inegável que os portugueses se sentem tanto mais portugueses quanto mais longe estão da Pátria amada e menos portugueses quanto menos de cá saem. Passos Coelho tem ainda outro trunfo no argumento só aparentemente cruel. Os portugueses mais considerados pelo mundo são os que vivem fora de Portugal, como é o caso do Mourinho e do Cristiano Ronaldo. Já era assim no tempo do Afonso de Albuquerque e do Luís Figo e assim continuou por força do destino da nossa História. Mais: o primeiro ministro não tem dúvidas de que os melhores trabalhadores portugueses são os que emigraram, daí a sua ideia de que quanto mais portugueses forem para fora, melhores trabalhadores haveremos de ter e melhor será a sua produtividade. Ao contrário do que possam garantir alguns comentadores politicos, certamente toldados pela influência da oposição e, em especial, pelo tão penetrante quanto irresistivel discurso do dr. António José Seguro, o dr. Passos Coelho tem uma ideia clara para o futuro de Portugal e que não difere, no essencial, da ideia que o Paulo Futre tinha para o Sporting: quanto mais portugueses saírem e mais chineses entrarem, mais depressa chegaremos à almejada prosperidade. O ideal seria mesmo trocar dez milhões de portugueses por vinte milhões de chineses a ganhar metade e a produzir dez vezes mais. Se tal acontecesse acabariam, de vez com todos os feriados, incluindo o do Natal, tal como acabariam todos os programas de debate político nas televisões, ficando apenas um, com a mobilizadora designação de Prós e Prós, sob a avisada orientação do ministro dos negócios estrangeiros da China. Diga-se, ainda, que o exemplo chinês é de tal forma apreciado em S. Bento que se torna cada vez mais previsível que o governo proponha à presidência da república, para o próximo 10 de Junho, a mais alta condecoração a Jaime Pacheco. Como se sabe, o ilustre cidadão de Paços de Ferreira não só saiu de Portugal, como se recomenda a um bom português, como garantiu um importante lugar de chefia na China, o que lhe permite trazer chineses a Portugal quando quer e lhe apetece. É definitiva convicção do dr. Passos Coelho que dez milhões de portugueses na China nem se notariam e por isso, mesmo que fossem todos para lá vender pastéis de nata, não haveriam de incomodar muito o desenvolvimento económico traçado por Pequim.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 11 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Capdevila é um exemplo. Não existem muitos jogadores que depois de chegarem a um patamar de excelência - com a conquista de títulos soberbos como o Campeonato da Europa e do Mundo -, aceitassem de bom grado uma mudança de país e habitat para serem suplentes pela primeira vez na carreira. Joan Capdevila perdeu o lugar na Luz para Emerson, que, até agora, convenceu muito poucos mas nem por isso se tomou num elemento desestabilizador. Nunca se ouviu uma crítica a Jesus e veio agora elogiar publicamente, imagine-se, Emerson que, segundo o espanhol, até merece ser chamado ao escrete. Por esta personalidade, Capdevila é um dos elementos mais respeitados no balneário encarnado. Por toda a gente.» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 11 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Leão sob pressão. Pode ser à condição, mas é real: até que novos factos demonstrem o contrário, o Braga soma 40 pontos, os mesmos do FCPorto, menos cinco do que o Benfica, que lidera, e mais oito do que o Sporting, de repente atirado para longe da última vaga da Liga dos Campeões. Talvez tudo se altere, entre hoje e amanhã, mas não há dúvida que o sucesso bracarense diante do V. Setúbal, no jogo de abertura da 18ª jomada da Liga, aumentou a pressão entre a vizinhança. Para os que o precedem, vencer é obrigatório, não por terem ficado preocupados com a aproximação do Braga, mas por nenhum deles querer deixar escapar sinais de fraqueza numa corrida a dois: Benfica e FCPorto. O primeiro tem por objetivo ampliar a diferença para o perseguidor imediato, o qual, obviamente, espreita idêntico ensejo, embora de sentido inverso: vencer o Leiria no Dragão, tarefa de principiante, e dar força ao Nacional para bater o pé na Luz, de modo a aproveitar-se de eventual distração vermelha na abordagem do jogo, o que seria, igualmente, deslize de principiante; por isso, fora de cogitações. Assim, na frente da classificação é como na meteorologia: não se preveem alterações apreciáveis... Mais abaixo, porém, há previsão de tempo instável, suscetível de constipar o Sporting, que vê o Braga oito pontos acima e corre o risco de descer para o quinto lugar. Não quer dizer que assim seja, mas, em Alvalade, foi o Maritimo quem ganhou. Leão sofre...» - Fernando Guerra, jornal A Bola, 11 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Servilismo, não. Costumo dizê-lo quando à conversa com o meu pai, meio a sério, meio a brincar, que uma das vantagens de trabalhar num jornal desportivo é não ter de assistir de tão perto à degradação de moral e valores de um país que me diz muito e cujas lideranças tão mal têm tratado. Sim, nos jornais generalistas há mais mundo, mais temas, maior diversidade diária, mas sectores como política e economia, para não falar da degradação da sociedade, tornar-se-iam complicados de gerir quando alguns dos implicados fazem tanta pele de galinha. No desporto, por muito que se goste de Benfica, Sporting ou FC Porto, de futebol ou hóquei em patins, com maior ou menor dificuldade, tudo não passa de um jogo. Com um papel importante nas nossas vidas, nalgumas até demasiado, capaz de despertar paixões assolapadas, mas se colocado no devido lugar, incapaz de substituir o sorriso do bebé quando chego a casa. Então o futebol é melhor do que o País? Claro que não. Apenas um espelho, com gente tão limpa ou corrupta como nas restantes atividades. E sabe-se como Portugal é hoje um local de esquemas e compadrios. Ainda assim, o impacto das medidas de um dirigente de clube pouco sério é sempre menor do que a de um político, jurista ou detentor de um cargo capaz de afetar todos os portugueses. E são muitos, infelizmente. Há algo em que o futebol português é infinitamente mais interessante, digno, até valente. Joga para ganhar. Ao contrário do que acontece com os nossos políticos atuais, capazes das figuras mais tristes perante os congéneres alemães, mas incapazes de assumirem que Portugal ainda é uma nação soberana, onde se deviam tomar decisões a bem dos que cá vivem. Pode jogar-se à defesa, pode-se até acabar goleado. Mas de cabeça levantada, diz-se não ao servilismo.» - Bernardo Ribeiro, jornal Record, 11 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Cuidado com os... carteiristas - Publicado no 'site' oficial dos 'citizens' um aviso de segurança aos adeptos que visitem o Porto. É um golpe duro para a publicidade turística da cidade do Porto, mas os responsáveis do Manchester City não tiveram contemplações e deixaram um aviso de segurança aos adeptos que queiram acompanhar a equipa até à Invicta. “Carteiristas e especialistas em roubos por esticão atuam em zonas turísticas, nos transportes públicos e nas imediações do estádio”, é o alerta publicado no site oficial dos citizens, mais simpáticos ao referirem que o Porto “tem muito para ver e locais que vale a pena visitar”.» - Jornal A Bola, 11 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Considerado um deus no futebol italiano, Alessandro Del Piero provou que também faz milagres fora das quatro linhas de jogo. Tudo se passou no hospital de Crotone, onde uma menina foi «tocada» pela voz do jogador da Juventus e despertou de uma coma que durava há 15 dias. A menina, de nome Giada, tinha tido um colapso ao ver um jogo da Vecchia Signora e o pai pensou que a cura poderia estar na «doença». Decidiu então escrever a Del Piero, ídolo de Giada, que se comoveu ao receber a missiva e gravou um vídeo com uma mensagem a desejar as melhoras. «Olá Giada, sou Alessandro Del Piero. Espero que recuperes o mais rápido possível e que me venhas a conhecer e ver os meus jogos». Foi remédio santo: «Naquela noite aconteceu algo de muito particular e Giada mexeu uma mão e algumas horas depois chamou pela mãe», contou o pai aos meios de comunicação italianos. Um dia após ter ouvido a voz do seu ídolo a menina já pedia «gelado de baunilha e stracciatella». «Não há palavras para descrever isto. Quero agradecer ao Del Piero pela sua generosidade e afeto e também aos médicos que estiveram sempre perto da minha filha a trabalhar na recuperação», disse o pai após a filha ter tido alta. «Giada é fã de Del Piero especialmente pelo que ele é como pessoa», acrescentou.» - Jornal A Bola, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O Sp. Braga tem vindo a fazer isso [intrometer-se entre os «grandes»], não é por eu vir para cá que isso acontece. Eu sou mais um a ajudar o Sp. Braga. Se este é um grupo com a mesma qualidade do Benfica? Não vamos ser hipócritas, mas é uma grande equipa também.» - Declarações de Rúben Amorim na Flash Interview depois do SCBraga-V.Setúbal, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O relatório da falência técnica que a PJ devia ler. "Somente os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam." – Confúcio. Cada dia é um dia. O segredo está em compreendermos que somos todos mortais! O Fundo sportinguista, Sporting Portugal Fund, foi constituído a 9 de Agosto de 2011, no valor de 15 milhões e comunicado à CMVM no dia seguinte, sendo gerido pela ESAF - Espírito Santo Fundo de Investimento Mobiliário SA. A 18 de Agosto, a mesma CMVM, recebia a primeira informação sobre a composição do fundo, respeitante ao encaixe de 5,9 milhões de euros pela percentagem de passes de oito jogadores. A 15 de Setembro e no Relatório e Contas, a SAD do Sporting comunicou à entidade reguladora a cedência de metade dos passes de Wolfswinkel, Rubio, Elias e Rinaudo a um Fundo Internacional - Quality Football Ireland Limited, no qual tem intervenção Peter Kenyon. Por esta operação o Sporting recebeu pouco mais de seis milhões. No entanto, procederia a outro encaixe pouco tempo depois, novamente através do Sporting Portugal Fund. A 22 de Setembro, as percentagens dos passes de Jeffren, Rinaudo, Capel e Carrillo valeram 3,45 milhões de euros. Já em Janeiro de 2012, Van Wolfswinkel, Emiliano Ínsua e Diego Rubio, renderam respectivamente, 975.000 €, 525.000 € e 450.000 €. Na Fig. 1 reproduzimos a composição em Janeiro de 2012 do Sporting Portugal Fund. Os primeiros oito elementos da lista renderam 5,9 milhões de euros ao Sporting, em Agosto de 2011. Em Setembro do mesmo ano, os quatro seguintes permitiram um encaixe de 3,450 milhões de euros. Os últimos três, renderam em Janeiro de 2012 1,950 milhões de euros. Mas não esquecer que existe, aqui pelo meio, um fundo de investimento na Irlanda. Esta região, apesar do "crash" que se abateu sobre o Mundo inteiro, vivia, e recomeça agora a viver, de nova concentração de capital. Não há espaço para reproduzirmos tudo, mas aqui ficam os maiores accionistas do fundo na Fig. 2. Quem se quiser entreter a cavar mais fundo é muito fácil. No entanto, poderão encontrar o milagre da multiplicação dos pães, pois há o Quality Football Ireland Limited I, o II, o III e por aí fora – só para despistar! O relatório que foi presente à Comunicação Social em sumário executivo, mas que nós tivemos acesso na sua integralidade, está muito bem feito, tecnicamente falando. Para a realização do mesmo, foram realizadas consolidações das contas de várias empresas, apesar de não existir consolidação obrigatória, sendo que a sociedade Sporting Património e Marketing, relacionada com a sociedade Cinemas Millennium SA, que fazia parte do Alvalade XXI, se encontra em processo de insolvência. Na Fig. 3, o gráfico sobre os Terrenos e Edifícios do Sporting. É fácil de perceber. O aumento em 2004 é fruto do Estádio motivado pelo Euro 2004 e o decréscimo em 2007, resulta da venda à SILCOGE de parte do património não desportivo, detido pelo clube SCP (direito da propriedade de raíz incluindo o direito ao solo do Health Club, Edifício Administrativo, Secretaria, Clínica, FEC - Centro de Entretenimento Familiar ou Alvaláxia). Também resulta da alienação à SILCOGE dos direitos de superfície detidos pela sociedade SPM (Sporting Património e Marketing) - a tal que está em processo de insolvência -, sobre o mesmo património acima descrito. Os jogadores ficarão para a semana, ou não, que será de Champions e de esperança... oxalá!» - Pragal Colaço, jornal O Benfica, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Nota de rodapé. Primeiro, a notícia surgiu como uma mera nota de rodapé num jogo sem grande história: o Fábio Faria saíra de campo ao minuto oitenta e cinco, sentira-se mal. O Rio Ave perdera o jogo e o atleta vila-condense que o Benfica tem emprestado ao Rio Ave tinha perdido apenas cinco minutos de jogo. Mais tarde, a notícia saiu da margem do jogo para se sobrepor ao próprio jogo. Havia uma complicação, um problema cardíaco. O assunto deixou de ser apenas uma nota de rodapé na história do jogo. Aquele momento, poderia ser o título de um capítulo na vida do Fábio, pois o coração ameaça uma fragilidade que poderá hipotecar o futuro do Fábio atleta. Aos vinte e dois anos de vida o Fábio Faria tem a confirmação de que, para ouvir uma gargalhada de Deus, basta que lhe confiemos os nossos projectos. E o Fábio, certamente, estará a ouvir essa gargalhada. Dolorosamente, assustado e com o medo de voltar a sussurrar futuros, de voltar a sussurrar notas de rodapé da vida. Para a frieza da história, para o corpo do texto fica o registo de que o Rio Ave perdeu o jogo e o Fábio perdeu cinco minutos do jogo. Aqueles cinco minutos perdidos poderão ter garantido um futuro bem mais importante do que uma nota de rodapé. Sabemos que o nosso desempenho como homens vai muito além do nosso papel como adeptos. Independentemente do que o futuro reservar ao Fábio, certamente que ele saberá que a sua dimensão como homem ultrapassa o seu papel como atleta. O Fábio saberá, neste momento, que uma nota de rodapé na vida se ultrapassa lutando e construindo o futuro, o resto do texto.» - Pedro Ferreira, jornal O Benfica, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O aviso trágico de Port Said. A primeira vez que li sobre a cidade de Port Said foi no livro "O Egipto", de Eça de Queiroz, uma obra de juventude que revelava já o extraordinário talento literário e jornalístico daquele que viria a ser o autor de "Os Maias". Port Said, num tempo em que se viajava pouco, devido às dificuldades com os transportes, ainda lentos e arcaicos, era um nome envolvido pelo mistério das paragens exóticas. Desta vez o nome ressurgiu associado a uma das maiores tragédias da história do Futebol, com 74 óbitos registados em consequência da violência com que a equipa visitante, o Al-Alhy, treinado por Manuel José, mesmo perdendo, foi tratada pelos adeptos enfurecidos do Al-Masry, que cercaram e mataram pessoas totalmente, indefesas nos balneários, no relvado e nas bancadas. Este quadro de violência extrema só pode ser entendido se tiver em fundo a profunda tensão política, social, económica e religiosa que envolve um país de história milenar, com uma população de mais 80 milhões de habitantes. Muito boa gente, no chamado Ocidente, convenceu-se de que a primavera árabe iria franquear as portas a saudáveis e sustentáveis democracias de tipo europeu ou norte-americano. Esqueceram-se, porém, de que a realidade política e religiosa desses países nada tem a ver com a nossa e também de que, na sombra, nunca deixaram de actuar, de forma sistemática e experiente, as forças do Islão radical, prontas a chegar ao poder por via eleitoral para depois imporem todas as restrições resultantes de uma leitura fundamentalista do Corão. Foi o choque dessas forças com as restantes que deu origem a uma tragédia como a que ensombrou Port Said e a história do Futebol. Quem quer dar dimensão mediática à violência, escolhe, em regra, grandes espaços como os estádios de Futebol para que a mensagem se globalize e chegue a todo o Mundo. Foi o que aconteceu e poderá voltar a acontecer noutros países com idênticos problemas, caso não sejam tomadas a tempo as medidas adequadas.» - José Jorge Letria, jornal O Benfica, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Mais e melhor. O Benfica significa vitórias e até, por vezes, é grande nas derrotas. Vitórias como a da judoca Telma Monteiro: 9 segundos para derrotar a Campeã do Mundo e conquistar a medalha de ouro no Grand Slam de Paris. Ou como a vitória no único grupo difícil da Taça da Liga: 3.° jogo, 3.ª vitória, nove golos marcados, um golo sofrido. Derrotas como a da equipa de hóquei em patins do Benfica: um jogo inteiro a dominar e a marcar golos (5), no covil ululante do réptil mitológico... e a sofrer golos (6) de grandes penalidades e de livres directos inventados. Sempre mais e melhor. Resultados positivos, Estádio cheio, receitas a aumentar, marca de eleição, o Benfica está entre os 30 emblemas mais valiosos do Futebol europeu, segundo um estudo da Brand Finance. Nenhum outro emblema português figura na lista. Ao mesmo tempo, o Benfica mantém-se como o melhor Clube português, e o único a figurar entre os 10 primeiros do Mundo, para a Federação Internacional de Histórica e Estatística do Futebol, de acordo com dados já de Fevereiro. Estes valores são indesmentíveis mas não dão, mesmo assim, toda a grandeza da Sociedade e do Clube Benfica. A alma desta associação de vontades e dinâmicas não cabe em nenhuma avaliação. Lendo o jornal "O Benfica", aí sim, vem todo um Mundo que se move em diferentes escalões de Formação e nas mais diversas modalidades, com passagem pela cultura e a solidariedade, e com um calendário ao qual um marketing imaginoso e incansável não deixa escapar qualquer oportunidade.» - João Paulo Guerra, jornal O Benfica, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «No mercado do sucesso. O presidente do Benfica, em tempo útil e com sentido de responsabilidade, não deixou de fazer a advertência. O nosso Clube, a despeito da recuperação financeira que tem garantido nos últimos anos, não poderia exibir-se activo no chamado mercado de Inverno do Futebol. Luís Filipe Vieira não fez demagogia quando aludiu aos tempos ásperos que caracterizam a sociedade portuguesa e europeia, também no caso vertente em matéria de Futebol. O líder Benfiquista, ainda assim, só por imodéstia não se referiu de forma mais altissonante à confiança que o actual quadro de jogadores lhe suscita. Da mesma forma, a todo o Universo Benfiquista. Apesar de tudo. Djaló ingressou no Benfica? Foi uma questão de oportunidade, amplamente vantajosa, tendo por adquirido que o ex-sportinguista reúne bastante predicados para auxiliar o colectivo nas múltiplas frentes em que estará envolvido nos próximos tempos. Trata-se de um jogador credenciado, de nacionalidade portuguesa, subtraído aos principais rivais, decerto apostado em regressar à ribalta, para mais depois da rábula que o afastou durante alguns meses dos relvados. Com Djaló e todos os outros, o Benfica tem tudo para manter a senda vitoriosa, marca (felizmente) distintiva da presente temporada. Já outros, em desespero de causa, investiram mais no mercado de Inverno (FC Porto) ou não o fizeram por manifesta fragilidade financeira (Sporting). É este Benfica que agrada aos adeptos. Competitivamente sólido, financeiramente responsável. A luta, essa, vai continuar a ser árdua. O Inverno já exibiu um novo Campeão? A Primavera confirmá -lo-á.» - João Malheiro, jornal O Benfica, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Objectivamente. As recentes passagens por África da equipa de Juniores do Benfica têm entusiasmado não só os adeptos, que estão, assim, mais próximos do Clube do seu coração, como igualmente treinadores e dirigentes que têm sentido bem de perto aquele «calor especial» próprio das gentes africanas. Recentemente foram duas deslocações à Guiné e Angola. Muito proximamente será a equipa principal que rumará a Luanda para participar num grandioso torneio Lusófono com Sporting, FC Porto e as melhores equipas angolanas - segundo anunciaram fontes próximas dos Ministros dos Desportos - o que levou de imediato a grandes ondas de entusiasmo, fazendo recordar os bons velhos tempos em que eram frequentes jogos entre Benfica e Sporting, quer em Angola, quer em Moçambique. Foi dessas ligações fraternas que Benfica, Sporting e a Selecção Nacional descobriram valores como Eusébio, Coluna, Hilário, Néné, Vicente e Matateu. No início da semana, quando foi inaugurada a nova sede da CPLP em Lisboa, com a presença dos mais importantes diplomatas de todos os países lusófonos, foram muitas as ideias lançadas para fazer essa reaproximação ao grande continente. Falou-se muito na abertura e estudo de novas condições para igualdade de estatutos. Pode ser que seja desta a abertura de uma nova via de aproximação entre Portugal e estes países irmãos de África. Recordo que neste momento os jogadores brasileiros têm estatuto privilegiado em relação aos africanos. Estes têm de procurar parentes para que lhes seja concedido igual estatuto. No Benfica veja-se como sempre foram acarinhados os jogadores africanos. Mantorras é um exemplo dessa extraordinária relação sentimental de carinho e afecto. Até Yannick Djaló, luso-guineense, foi recebido como um príncipe. Vai ser a nova coqueluche dos benfiquistas porque ele também merece pela sua humildade e profissionalismo. Somos assim, e não devemos perder esta virtude por nada.» - João Diogo, jornal O Benfica, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Apoio às modalidades. 1. O Benfica lançou uma oportuna campanha de apoio às modalidades, no sentido de levar os sócios e adeptos aos nossos jogos. Um velho consócio fez-me um pedido: que eu aproveite esta coluna a fim de apelar aos nossos adeptos, para que estejam mais vezes nos (excelentes) pavilhões que possuímos. Ele tem toda a razão e contra mim falo. Salvo algumas muito honrosas excepções, perdemos o hábito de assistir aos jogos das modalidades. Lembro-me das enchentes nos pavilhões do nosso antigo Estádio e de quanto os Benfiquistas então vibravam com os êxitos do Hóquei em Patins, do Basquetebol, do Andebol, do Voleibol (ainda não havia Futsal). É altura das equipas sentirem novamente o nosso (forte) apoio. 2. Sempre achei uma aberração o chamado "mercado de inverno" ou "janela de Janeiro". Só pode interessar aos empresários de jogadores. Este ano, até acho que ficámos a perder. Admito que Yannick venha a progredir bastante, mas temo que o seu empresário arranje mais alguns "caldinhos". E lamento muito a saída de Ruben Amorim, que nos pode vir a fazer muita falta e acaba por sair beneficiado de uma infracção que terá cometido. Mais uma razão para não gostar das transferências de Janeiro... 3. Os jornais titularam: "Tribunal deu razão a Pinto da Costa". É verdade! O tribunal "alinhou" na jogada do presidente do Conselho de Justiça da Federação, vendo que perdia a votação, terminou a reunião na qual FCPorto (e Pinto da Costa) e Boavista seriam castigados. Mas, atenção: mais uma vez foram pormenores processuais a impedir que os casos fossem decididos. Pois os factos estão lá e ninguém disse que não aconteceram. Pinto da Costa recebeu árbitros, combinou estratagemas para os subornar, tentou corrompê-los. Ninguém o consegue negar. Só não conseguem é puni-lo. Mas também já não interessa...» - Arons de Carvalho, jornal O Benfica, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Os perigos do jogo de amanhã. Amanhã o jogo contra o Nacional encerra perigos muito diferentes dos habituais. Em condições normais o Benfica ganhará ao Nacional no Estádio da Luz. Um dos problemas pode ser esse, os jogadores sabem que são favoritos e por isso não colocarem a intensidade de jogo necessária para vencer sem passar por sustos. A deslocação da próxima semana a São Petersburgo, para a Liga dos Campeões, não pode estar na cabeça dos jogadores neste sábado. Se isso acontecer o risco aumenta. A confiança é boa quando é um tónico para a motivação e não uma desculpa para a preguiça. Jorge Jesus é um antídoto para estes perigos, mas receio que as facilidades que apregoam, a superioridade que noticiam e a vantagem que conseguimos possam ser anestésicos da vontade de ganhar. No último título conquistado pelo Benfica, o jogo com o Nacional foi uma das páginas mais coloridas, vencemos 6-1, e não consta que fosse a poupar. Que sirva de mote. O Nacional tem vindo a subir de produção com este treinador, e mostrou frente ao Sporting, na quarta-feira, que será difícil vencê-lo. É preciso ganhar amanhã para ver a Rússia de outra maneira. Se vencermos o Nacional, veremos com tranquilidade no domingo o novo FCPorto agora treinado por Lucho Gonzalez. Nos caminhos do título é bom depender apenas de nós, e por isso teremos de conservar os cinco pontos de avanço. Quem está em tantas frentes de conquista sabe bem disso. A Champions é uma espécie da matrioska, cada patamar que passamos temos um ainda maior para passar. É o interminável aumentar do desafio. Há sempre novos e mais difíceis obstáculos, numa prova onde o dinheiro e o prestígio são o móbil, gostava essencialmente de jogar bem e mostrar qualidade em terras russas. Faltam três degraus para o limite. PS – Acabo de saber que Pablo Aimar renovou contrato por mais uma época. Já dei ordens para que renovem a minha cadeira no estádio da Luz porque ter Aimar é ter a garantia de assistir a grandes espectáculos.» - Sílvio Cervan, jornal A Bola, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Vieira, FC Porto, Sporting e Aimar. Sensatas palavras de Luís Filipe Vieira na entrevista que concedeu à RTP1. O Benfica parece, de facto, estar no bom caminho, a equipa apresenta-se sólida e com boas soluções alternativas. Mas o caminho que falta percorrer é ainda longo e o FCPorto conta, a partir de agora, pelo menos com dois reforços importantes, Danilo e Lucho. Já sobre Janko é preciso ver para crer, sobretudo porque o austríaco tem características que sugerem um futebol mais direto do que aquele que os dragões praticam. Seja como for, neste campeonato pouco equilibrado como é o nosso, se o Benfica mantiver o querer que demonstrou na Feira, poderá perder poucos pontos ao longo da segunda volta. Já o Sporting, quando estava quase a bater no fundo, foi buscar força e convicção ao fundo da alma e, na raça, criou condições para olhar para o que falta da época com renovada ilusão. Domingos sai deste processo mais forte. Porque o que não nos mata torna-nos mais fortes... PS – Pablo Aimar renovou contrato com o Benfica. Excelente notícia para os encarnados, em particular, e para quem, em Portugal, gosta de futebol, em geral. El Mago vai ficar na história não só como executante exímio, mas sobretudo como exemplo para as gerações vindouras.» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Dar a volta a uma falência. Às vezes, é a partir de um momento mau que se constrói algo novo bom e melhor. No Futebol também pode ser assim, se os clubes e as cidades em que se inserem souberem aproveitar a oportunidade. Não faltam exemplos de emblemas que andaram pelo escalão principal, no convívio com os grandes, e que, não resistindo à tentativa de acompanhar as exigências do profissionalismo, acabaram condenados, falidos, atirados para os distritais, ou mesmo desaparecendo. Mas o profissionalismo não é para todos, nem sequer será a honra maior: essa é servir uma cidade, uma região, uma população que precisa de praticar desporto. Estes clubes, como o Ac. Viseu, devem dar prioridade ao desportista local. Se assim for, vale a pena.» - Joaquim Semeano, jornal Record, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O destino marca a hora. A renovação contratual de Pablo Aimar era um evidência nos últimos meses, corroborada por vários fatores que foram sucedendo ao longo desta época. O primeiro dos quais, e o mais importante, teve a ver com a excelência da prestação desportiva que o médio argentino vem tendo ao longo desta época, parecendo o melhor Aimar de sempre. Seguiu-se a renovação de Saviola ( "apenas e só" o melhor amigo do camisola 10) e, por fim, as palavras recentes de Vieira que deixou claro que valia a pena o esforço financeiro de manter o jogador na Luz. O destino estava traçado e a hora marcada. A continuidade de Aimar é uma boa notícia para os benfiquistas mas também para o futebol português.» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Falidos. Era um segreqo de polichinelo: o Sporting está falido. Assumi-lo é o preço da transparência. Na verdade, todos os clubes nacionais (e quase todos os clubes europeus) estão na mesma situação. A diferença é que o Sporting fez uma auditoria externa. Recordo-me que as SAD e a empresarialização dos clubes foram vendidas como a sua tábua de salvação financeira do associativismo desportivo. Passado algum tempo, sabemos que pelo contrário, foram o seu cangalheiro. Acompanho algumas das críticas feitas pela candidatura independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting. A auditoria, que deve merecer elogio nos seus propósitos, não foi tão transparente, exaustiva e corajosa como se exigia. Com uma falha especial: não aponta responsáveis pela calamitosa situação financeira. Compreende-se. Desde a chegada, há 16 anos, da oligarquia bancária à direção do Sporting que assistimos a uma sobreposição de interesses pouco claros. Uma verdadeira auditoria não deixaria pedra sobre pedra. A começar pelo responsável pela derrapagem na construção do estádio e da academia, que tão dramáticos efeitos teve na saúde financeira do Sporting: o atual presidente. Ainda assim, apoio a política expansionista de Godinho Lopes. Sei que, no país e no futebol, é difícil explicar que quando se entra em declínio económico só um investimento em contraciclo, mas inteligente, nos pode salvar. Começar a cortar a eito é a melhor forma de acelerar a desgraça. Há, no entanto, uma fronteira que não passarei: no dia em que o clube perder a maioria da SAD deixarei de ser sócio do Sporting. Não sou nenhum benemérito. Não pago quotas para financiar negócios onde a minha palavra não conta. Por emoção, continuará a ser o meu clube. Mas a sua memória e a sua razão de ser terão morrido.» - Daniel Oliveira, jornal Record, 10 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Um clássico no Jamor. Sporting e Académica na final da Taça de Portugal. Curiosamente, uma final inédita, mas clássica no confronto entre velhos conhecidos do futebol português. Ambos com tradição e com história. Capazes, por isso, de fazer do jogo do Jamor, um jogo especial e uma festa bonita. Para a Académica, a esplendorosa sensação de reviver os gloriosos tempos em que tinha o hábito de pisar os melhores palcos. Justa e compreensível, por isso, a maneira generosa e emotiva com que Coimbra recebeu a equipa, depois da certeza da qualificação. Para o Sporting, a janela aberta para evitar uma época que ameaçava uma profunda desilusão. E, para Domingos, o respirar de alívio pelo cumprimento de um objetivo que, ao que chegou a parecer pelas declarações mais recentes do treinador, poderia ser decisivo quanto à sua continuidade no clube. É difícil ter outra leitura do que o técnico do Sporting disse antes do jogo, considerando-o como um desafio entre o tudo e o nada. Sendo que o tudo era, tão só, o tudo possível nesta época onde o comboio do título já vai demasiado distante, e o nada pressupõe, desde logo, uma menor ilusão quanto às competições europeias. É importante dizer, pois, que se falhasse o propósito de estar na final da Taça, dificilmente Domingos teria condições para resistir. Lançou os dados e ganhou. Com maior ou menor fortuna, a verdade é que conquistou a presença no Jamor e afastou o espetro de uma precoce despedida de Alvalade, até porque o Sporting volta a estar em condições de fazer bem mais e melhor do que tinha feito nas últimas épocas.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 9 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Os “direitos” do Benfica. Luís Filipe Vieira (LFV) foi à RTP fazer um último "aviso à navegação" sobre os direitos televisivos, mas toda a gente já percebeu que o presidente do Benfica "afrouxou" na sua luta contra aquilo que venho chamando os "miasmas do sistema". E isso tem muito a ver com a derrota que Pinto da Costa lhe infligiu na época passada, depois de um começo desastroso em que a estratégia de afrontar a arbitragem e o FCPorto não lhe creditou qualquer benefício, pelo contrário, até algum ridículo e desprezo, como ficou evidente no rescaldo do "apagão" e dos festejos (regados) dos campeões nacionais. Essa estratégia saldou-se por um logro absoluto e LFV alterou comportamento(s) e procedimentos. O "porta-voz" João Gabriel recolheu-se, Rui Costa já se havia encolhido e a estrutura, que chegou a ter naqueles elementos duas "pedras angulares", passou a rever-se, "oficialmente", no discurso do seu presidente "assessorado" para as questões financeiras por Domingos Soares de Oliveira, e nas intervenções de Jorge Jesus, escorado pelos restantes elementos da equipa técnica e por António Carraça - e moderado pela influência do "mourinhista" Manuel Sérgio. O Benfica reduziu o ruído das suas intervenções e concentrou-se no objectivo de participar activamente nas alterações de liderança desencadeadas, primeiro, na Liga e, a seguir, na FPF, sempre convicto de que Fernando Gomes, ex-administrador da SAD do FC Porto, era o homem certo para protagonizar os "novos tempos" do futebol português. O Benfica, depois de ter chamado à razão, com alguma violência dialéctica, o ex-presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, colocando-o "em sentido", empenhou-se profundamente na recondução de Vítor Pereira como "homem forte da arbitragem", agora no seio da FPF. E não foi por acaso, certamente, a declaração de LFV na entrevista de terça-feira à RTP segundo a qual "não voltarei a falar de arbitragens até que esteja concluída a profissionalização do sector". Quer dizer: o maior sossego denunciado pelo presidente do Benfica - em ano de eleições - pode muito bem estar relacionado não apenas com a longevidade do cargo e com uma indiscutível capacidade de "aprender com os erros ", mas também com uma sossegada arbitragem para as bandas da Luz. Luís Filipe Vieira não se cansa de proclamar o seu empenhamento na defesa dos "direitos" do Benfica. E entre esses estão naturalmente... os televisivos. Não acredito, apesar da velada e mui romântica "ameaça" na "erre-tê-pê", que LFV accione a "bomba atómica". O Benfica pode ser, para a "Brand Finance", a 28.ª marca mais valiosa do futebol europeu em 2011, mas quem "viu tudo" desde o começo foi Pinto da Costa, que se apressou a negociar com Joaquim Oliveira 80% do valor a contratualizar pelos encarnados. O Benfica, amarrado à Olivedesportos, nunca receberá mais de direitos televisivos aquilo que encaixam, por exemplo, o Rennes, o Bordéus e o Villarreal. Resta saber se a receita a assegurar pela Benfica TV não seria suficiente para LFV passar a condicionar todo o mercado. As contas estão feitas, mas, à cautela, LFV já veio dizer que o assunto tem de ficar encerrado... este mês. Em Março há duas visitas do FC Porto. Pois.» - Rui Santos, jornal Record, 9 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Jogo limpo. As contas dos clubes de futebol são turvas como azeite - e as suas verdades também acabam por vir ao de cima. O Sporting decidiu mostrar tudo. O resultado foi o que se comentou há uma semana: uma auditoria que confirma a "falência técnica" há muito conhecida mas por valores piores do que se supunha. E assim a conversa passou a ser outra: a de que o Sporting não está pior do que os outros, apenas foi mais ingénuo. Pois foi. A ideia foi ontem defendida neste jornal pelo sportinguíssimo Carlos Barbosa da Cruz, que na sua coluna semanal explicou que o Sporting nunca devia ter feito aquele exercício de striptease, que considerou ingénuo e apelidou de "tentação do abismo", pois expôs fragilidades sem benefício em troca. Esta posição é representativa de muitas críticas de sportinguistas da última semana, em parte pelo vexame que esta auditoria produziu. O principal aspeto desta crítica a uma gestão que foi "mais papista que o Papa" é a desigualdade de transparência face a outros clubes, nomeadamente o Porto e o Benfica. E é aqui que o Governo devia, atuar: na transparência. Por estes dias, a Federação, a Liga e os clubes estão a querer renegociar o Totonegócio, que foi na sua génese, nos anos 90, uma forma de perdão de dívidas fiscais de clubes de futebol (que seriam pagas por receitas do Totobola). Nem que seja por isso, há razões de exigir a transparência total numa atividade que é também um negócio, um negócio onde muita gente ganha e o clube perde sempre. Com esta auditoria, o Sporting ganhou em credibilidade o que perdeu em crédito. Como numa vitória moral, a honra enrijece mas não marca pontos. Porto e Benfica (e todos) deviam ser obrigados a passar pelos mesmos filtros. A bem dos credores, dos acionistas e dos adeptos. E, já agora, pelo ar que respiramos.» - Pedro Guerreiro, jornal Record, 9 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Um enorme investimento. Na entrevista que concedeu à RTP, na noite de terça-feira, Luís Filipe Vieira mostrou estar numa encruzilhada: "Fizemos um esforço muito grande para ter esta equipa", revelou o presidente dos encarnados, ao mesmo tempo que reconheceu que a venda de jogadores é crucial neste modelo, mais a mais quando a conjuntura de crise aconselha a transferência de uma ou mais pérolas. A época está longe de estar decidida, mas as estrelas da Luz já começam a despertar o interesse dos colossos europeus. Parece inevitável que o Berifica tenha de vender uma das joias, mas o futuro estará mais garantido, quanto mais a SAD evitar a desagregação do plantel. Em período de apertar o cinto, segurar os melhores será o grande investimento.» - Nuno Martins, jornal Record, 9 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) Por ser uma experiência totalmente diferente do habitual, foi engraçado de testemunhar no domingo na Luz o incómodo sentido nas bancadas benfiquistas no momento em que o árbitro Artur Soares Dias, do Porto, expulsou injustamente um jogador do Marítimo, Pouga, ficando o adversário - reduzido a 10 jogadores de campo - Isto não é para vermelho! - Lá estão a estes árbitros a roubar o Benfica! - A roubar o Benfica? - Sim, a roubar brilho às nossas vitórias dando azo a que os nossos rivais andem a choramingar porque somos beneficiados... É um bocadinho excessivo o raciocínio, mas não está mal visto.» - Leonor Pinhão, jornal A Bola, 9 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) Por outras palavras, o Sporting encarregou-se de expor publicamente as suas mazelas e de anunciar as suas desgraças. Sem necessidade, sem justificação. Foi talvez o maior exercício de masoquismo e autoflagelação de que tenho memória no clube. O Benfica e o FC Porto têm passivos iguais ou maiores, não andam a brincar às auditorias e não se comprazem em exercícios inúteis de autofagismo.» - Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record, 8 de Fevereiro de 2012. | |||
| «A farsa do Fair Play. Pelos vistos, a UEFA está mesmo empenhada em levar a sério a instituição do fair play financeiro com o objectivo, segundo ela, de assegurar a equidade competitiva e a verdade desportiva. Não lhe basta impor aos clubes que a partir de 2014 as despesas não ultrapassem as receitas, agora quer também impedi-los de partilhar os direitos económicos dos jogadores com fundos de investimento, empresários ou outras entidades. Neste campo, de facto, há demasiados abusos e todas as medidas que venham no sentido de as limitar são bem-vindas. Os empréstimos a titulo gratuito ou mesmo oneroso são outro artifício que promove a concorrência desleal. Mas uma coisa são os abusos e outra bem diferente a racionalidade na gestão das sociedades desportivas. Não compreendo nem aceito que um clube não possa partilhar o passe de um jogador desde que possua uma percentagem de mais de 50 por cento. O futebol é um negócio e a UEFA sabe mais disso do que ninguém. De resto, o sistema está tão difundido em toda a Europa e envolve tantos interesses que não vejo como é que Platini vai contornar as dificuldades sem entrar em guerra aberta com os clubes. E - pergunto - tem a UEFA competência legal para ir tão longe? Guerra por guerra, se Platini pretende realmente, ao arrepio dos tempos, moralizar o futebol, porque não afronta antes os poderosos emires do golfo pérsico ou os vários Abramovichs que ameaçam apropriar-se de todos os grandes clubes se borrifam para a paridade de contas que ele tanto leva a peito? Mesmo que os clubes daqueles magnatas acumulem perdas, há sempre forma de os riscar do balanço através do patrocínio de uma das suas empresas ou da sua própria conta bancária.» - Manuel Martins de Sá, jornal A Bola, 8 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Penálti? Os penáltis (marcados ou não marcados) são os lances que provocam maior polémica no futebol. Ainda no sábado, Domingos Paciência justificava a derrota frente ao Gil Vicente com o facto de o árbitro ter marcado um penálti a favor do adversário e ignorado outro a favor do Sporting. Ora, não fica bem aos treinadores justificarem os maus resultados com erros dos árbitros. Além disso, sendo o penúltima falta pesada, que normalmente dá golo, os árbitros têm de ser muito exigentes na sua apreciação. O referido jogo de Alvalade é bom para ilustrar esta ideia. O penálti contra o Sporting resultou do derrube claro de um jogador do Gil que ia isolar-se em posição frontal à baliza, o penálti reclamado por Domingos foi um toque duvidoso num jogador do Sporting que estava de costas para a baliza, em posição lateral e no limite da área, numa jogada que não tinha perigo nenhum. Os legalistas dizem que os árbitros devem marcar cegamente todas as faltas na área, quer sejam mais ou menos graves. Mas, do mesmo, modo que o juiz não pode aplicar a mesma pena ao tipo que rouba uma carcaça num supermercado ou ao ladrão que assalta uma senhora para lhe roubar a mala, também o árbitro deve ter o bom senso de não marcar penáltis por dá cá aquela palha. Porque isso pode adulterar gravemente a verdade desportiva. Uma nota para concluir: o jornalista da SIC que relatou esse jogo de Alvalade parecia um adepto do Sporting a gritar na bancada, repetindo seis vezes que fora penálti e que o jogador do Gil Vicente devia ter sido expulso. Ora, os jornalistas devem ser um fator de moderação e não o contrário, alimentando o fanatismo dos adeptos.» - José António Saraiva, jornal Record, 8 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Vieira aprendeu com os erros. Numa das entrevistas mais duras feitas a um presidente de clube - e aqui há que dar mérito à entrevistadora, que não entrou na habitual bajulação presidencial - Luís Filipe Vieira mostrou que aprendeu com os erros cometidos no passado. Desde logo, começou por evitar o tabu da recandidatura, deixando claro que o projeto que traçou está longe do fim, naquilo que é uma evidência para todos. Não entrou em choque com Jesus, mas colocou cada um no seu lugar e, em vez das promessas megalómanas de outros tempos, teve um discurso humilde no plano desportivo. E foi pragmático na questão – dos direitos televisivos: é óbvio que a Olivedesportos tem uma palavra a dizer, desde que pague o valor considerado iusto.» - João Rui Rodrigues, jornal Record, 8 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Novos objetivos. Em consciência, aplicado o realismo necessário para temperar desejos e esperanças, são poucos os que acreditam que o Sporting - este Sporting carregado de dúvidas e ansiedades, este Sporting em que ainda não se percebeu se contam mais as limitações ou os fantasmas, este Sporting que tão depressa passou de aflito a empolgante e daqui saltou para uma confrangedora banalidade - possa ganhar a Liga Europa. Tratando-se, ainda por cima, de uma prova a eliminar e com adversários poderosos, pode aspirar-se ao prolongamento de uma aventura. Mas a expedição pode desfazer-se já na próxima esquina. Depois há o campeonato. Aí, num par de meses, o Sporting passou de candidato-sombra (esteve a um ponto dos comandantes, recorde-se) a uma posição em que o seu combate parece confinado a Sporting de Braga e a Marítimo, - na corrida pelo último lugar do pódio, o tal que avaliza a participação na pré-eliminatória da Champions. A cinco pontos dos minhotos, que o precedem, joga no próximo sábado uma cartada muito importante, quando fizerem nos Barreiros o segundo jogo do périplo madeirense, então com o surpreendente Marítimo de Pedro Martins. Em caso de derrota, recorde-se, baixa a quinto lugar. A Taça da Liga ajudou os leões a mergulharem na depressão. Apesar de ser uma competição geométrica e ideologicamente desenhada para os grandes, o Sporting não fez o que lhe cumpria, não ganhou nenhum jogo e acabou atrás de Gil Vicente e Moreirense. Mais logo, tudo ficará decidido quanto à Taça de Portugal que, depois dos brindes do Porto e do Benfica, o Sporting "tem obrigação de ganhar". Claro está que a ideia de que este passou a ser o grande objetivo da época tem duas leituras. Por um lado, o Sporting precisa do Jamor como de pão para a boca, pelo reencontro festivo dos seus adeptos, pela proximidade a que fica de regressar a um título. Mas, confesso, deixa-me a pensar que seja o treinador - não o adepto - a definir a Taça como o grande objetivo da temporada quando, em termos futuros, o tal terceiro lugar no Campeonato será seguramente mais útil e mais agradável (do ponto de vista financeiro, no que toca às eventuais contratações). A Taça vale curriculo e alguma mobilização. A "medalha de bronze" na Liga vale futuro e desafio. É por isso que podemos questionar-nos se, com a sua escolha clara, inequívoca, Domingos Paciência dá sinais de uma personalidade romântica ou se, pelo contrário, quer ganhar a Taça por saber ou intuir que, na próxima época, já não estará no comando técnico do Sporting. Quero acreditar na primeira hipótese. Além do mais, se o Sporting chumbar logo na Choupana, parece que fica despido, vazio, de outros objetivos. E isso não augura nada de bom.» - João Gobern, jornal Record, 8 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Cardozo racionado. No domingo, dois jovens jogadores, Nélson Oliveira e Rodrigo, fizeram uma exibição de nível. Devido ao seu talento, mas justo é dizer que, também, em função da notável capacidade de Jorge Jesus para fazer crescer e potenciar jogadores. Aliás, basta olhar para os resultados da sua acção no SLB: Coentrão (a maior descoberta), Di María (antes inconsequente), Maxi Pereira (agora mais completo), Luisão (na sua fase plena), Carlos Martins (que renasceu). Isto para não falar, entre outros, de David Luiz, Gaitán e da própria gestão do talento de Aimar. E também de Cardozo, o mal-amado. Que Jesus tem sabido estimular, melhorando muito o seu desempenho. Cardozo vinha de uma série de oito jogos consecutivos a facturar. Mais um e... ultrapassaria Eusébio. Porém, no domingo, o seu tempo foi racionado. Uns míseros 5 minutos... já com o resultado em 3-0! Sou um fervoroso apoiante do treinador do Benfica, mas não gostei. Foi uma esmola de jogo para uma emulação que, humana e desportivamente, estaria, por certo, nas cogitações do avançado. Ainda que involuntariamente, Jesus impediu-o de bater o histórico recorde de Eusébio. Deveria ter tido direito a 90 minutos para o tentar. Foi um momento menos feliz de gestão anímica de um jogador. E houve pouco cuidado em termos de gestão de expectativas. Que, ao invés, Jesus teve (e bem) com o destreinado Djaló. Cardozo não merecia isto: por causa de um 8... feito num oito. Se Nélson teve a justa aclamação saindo antes de o jogo acabar, não poderia, por exemplo, ter entrado Bruno César? Estou certo que até Eusébio gostaria de ver o seu recorde ultrapassado. Nota - Bagão Félix opta por escrever as suas crónicas na ortografia antiga.» - Bagão Félix, jornal A Bola, 8 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Que futebol na Madeira? A grande questão que se coloca aos clubes da Madeira não será tanto a de saber quem lhe pagará as faturas das viagens em atraso, mas que clubes poderão vir a ser no futuro próximo e num contexto de uma crise que tudo põe em causa, desde os subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores da função pública à drástica contenção de despesas em setores essenciais do Estado, como o da educação ou o da saúde. É pouco realista não pensar no assunto com a devida seriedade e lucidez e será irresponsável não perceber que a mudança pode ser drástica, uma vez que dificilmente o Governo regional poderá continuar a contabilizar, nas suas contas públicas, a elevada despesa de toda a atividade desportiva do arquipélago, desde os tradicionais clubes de futebol profissional, aos clubes com equipas profissionais das mais diversas modalidades. Para o Governo regional era ponto assente que os elevados subsídios mantinham clubes como o Marítimo ou o Nacional a um nível razoável de competitividade com os principais clubes do continente e isso, independentemente do juízo que possa ser feito, era considerado não tanto uma despesa, mas um investimento, com reflexos positivos em setores como o do turismo e na própria auto-estima do povo madeirense. É óbvio que a famosa troika não se deteve com o pormenor dos subsídios aos clubes madeirenses, mas é evidente que o Governo regional terá de considerar uma nova ordem de prioridades e de critérios para os seus setores subsidio-dependentes. É este novo cenário que os clubes da Madeira podem e devem considerar e refletir.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 7 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Comprar o que é nosso. Cardozo, Rodrigo, Saviola e Nélson Oliveira. Não faltam ao Benfica soluções ofensivas, de qualidade, que permitem gerir com algum conforto o futuro mais próximo da equipa neste campo. Devia o melhor avançado do Mundial de Sub-20 jogar com maior regularidade? Claro. Só assim poderá amadurecer ainda mais, ganhar automatismos, e abrir espaço para ser o ponta-de-lança da Seleção. Um luxo do qual Paulo Bento não prescindiria certamente, se existisse regularidade. Infelizmente para Nélson Oliveira, o matador Cardozo e o endiabrado Rodrigo apareceram-lhe pelo caminho. Terá mais oportunidades, não tantas como gostaria. Mas estará, naturalmente, mais preparado para substituir o paraguaio, se o peso do dinheiro falar mais alto no final da época.» - Vanda Cipriano, 7 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Que segredo esconde Rinaudo? O Sporting está a poucas horas de disputar mais uma final antecipada. Um julgamento que supostamente deveria acontecer lá para abril ou maio, afinal de contas, ocorre já em meados de fevereiro. A semana das grandes decisões começou mal, pessimamente - com uma derrota em Alvalade e o inesperado adeus a um dos objetivos tangiveis da época. Seguem-se duas hipóteses de renascimento, ambas na Madeira, mas debaixo de uma desconfiança cada vez maior. Mesmo quando as razões de um descalabro não são óbvias, o adepto exige sempre uma explicação. É a única forma de confortar a alma. No caso dos leões, há uma teoria que vai servindo de "aconchego" neste período mais delicado: a ausência de Rinaudo. Com ele, o Sporting corria e jogava. Sem ele, corre menos e, por isso, quase não joga. Ora, é mau sinal quando a eficácia de uma estrutura depende em excesso da presença do seu pivô. Mas é igualmente mau que um treinador demore tanto tempo a encontrar uma solução à altura. Domingos tentou adaptar um central (Carriço), um jogador fino e com futebol mais elegante (André Santos) e até um "reforço" que chegou e pouco depois já estava em campo num clássico (Renato Neto). Falharam todos. Que segredo esconde Rinaudo? O recentemente eleito presidente da Liga de Clubes, Mário Figueiredo, teve um arranque de mandato marcado pelas questôes do eventual alargamento da Liga e da alegada não descida de divisão. Isto quando ainda antes da sua eleição rebentara o caso Bwin. E ainda não aquecera o lugar e já o Governo encostava os clubes à parede com o Totonegócio. Advogado experimentado, ainda sócio de escritório de Adelino Caldeira, vice-presidente do FCPorto, e de Gil Moreira dos Santos, advogado de Pinto da Costa no Apito Dourado, Mário Figueiredo tem sabido resistir à reação fácil e extemporânea em proveito de um trabalho de casa que um destes dias terá de apresentar. Cada um é para o que nasce: há dirigentes que se eternizam nas funçôes e renovam mandatos como quem muda de camisa. Outros, com 20 dias de ação, são julgados como se fossem os responsáveis por todos os males do futebol português. É preciso ter calma.» - Nuno Farinha, jornal Record, 7 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) Fosse eu sportinguista e aquilo que fui escrevendo teria sido bem diferente... É sem dúvida um triste sinal da situação em que caiu o Sporting que agora se discuta a sério a hipótese de vender o clube aos chineses. Assim como o é o facto de o presidente do Vitória de Guimarães ter jogado todas as suas esperanças (inclusive a de conseguir pagar salários aos jogadores), na hipótese de um qualquer sheik árabe vir aí comprar o clube. Eis o cúmulo da humilhação a que conduziram gestões irresponsáveis: dois dos clubes com maiores pergaminhos no nosso futebol estão reduzidos à condíção de suplicantes de dinheiro árabe ou chinês, o que quer que seja, sem lhes importar sequer se esse dinheiro é lavagem de negócios obscuros ou presentes envenenados para servir outros fins. E, enquanto vivem na esperança da quimera de ouro, os seus clubes desabam desportivamente. Seria de esperar outra coisa? Mas estes são apenas os primeiros sinais e as primeira vítimas de uma ilusão geral, que vai provocar, seguramente, um violento despertar. Há vários sinais que estão aí, para quem os quiser ver, e que ameaçam todos, grandes incluídos: os fundos de jogadores, que têm sido uma panaceia para os nossos clubes irem às compras, estão sob vigilância e suspeita da FIFA; os direitos televisivos são aqueles que o nosso deprimido mercado pode pagar e não o que se sonhava, como o aprendeu o Benfica, depois das suas bravatas com a Olivedesportos; e as vendas milionárias de jogadores aos potentados europeus parecem vir a tornar-se chão que já deu uvas, como acaba de o perceber o FC Porto, que não conseguiu vender nenhum jogador neste mercado de Janeiro, mas apenas emprestar, grátis e à experiência, o Fucile, o Guarín e o Belluschi.» - Miguel Sousa Tavares, jornal A Bola, 7 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Capitão Sporting. O americano Onyewu deu largas a uma sinceridade que apanhou de surpresa o mundo leonino, ao pedir publicamente desculpas por ter deixado mal a equipa com a sua expulsão frente ao Gil Vicente. Mas os sportinguistas não entenderam a transparência do chamado Capitão América, talvez o primeiro em mais de 20 anos a admitir responsabilidades numa decisão arbitral nefasta - para o emblema. Educado para enfrentar a realidade, Onyewu procede de uma cultura desportiva incompatível com a nossa tradição de alijar responsabilidades para os parentes mais débeis da cadeia social. Não é um problema exclusivo do Sporting, mas um ponto fraco que se agudiza nos momentos críticos de todos os emblemas e decorre da falta de cultura (e prática) desportiva dos adeptos e de formação profissional dos dirigentes. O episódio surge dias depois da revelação da auditoria à gestão dos últimos doze anos, cujas óbvias constatações também justificariam que alguns personagens, se fossem "americanos", se chegassem à frente a pedir desculpa por terem deixado ficar mal o clube, com as suas faltas e erros sistemáticos. Pelo contrário; o ciclo fechou com o regresso à direção dos responsáveis pela construção do estádio e da gestão de jogadores, agora reconhecidos como os dois vetores principais da crise financeira. Onyewu saiu do relvado sob aplausos, os sucessivos ex-dirigentes do "projeto Roquette" estão ilibados, incluindo os conselhos fiscais que os louvavam em cada relatório anual. Ao longo de décadas, a personalidade do Sporting evoluiu, de forma quase impercetível, para este estado de negação que lhe vem retirando discernimento coletivo e capacidade de concentração geral na recuperação do lugar perdido para o FCPorto. Entre estados de euforia sem controlo e de depressão sem serenidade, falta capacidade de definir um plano de crescimento sustentado e um pouco menos de azar com os eleitos. De momento, é uma utopia encontrar um corpo para a farda de um corajoso "Capitão América" que o salve desta progressiva perda de identidade, ameaçada pela anarquia interna e pelo totalitarismo da Banca. O Sporting tem a melhor capacidade de formação de talentos, criou dois dos melhores jogadores do Mundo deste século, mas, se não consegue retê-los para ganhar campeonatos, devia pelo menos ser capaz de os vender por valores que lhe pagassem as contas em vez de as agravar. O Sporting que joga o melhor futebol, apresenta os melhores jogadores, escolhe o treinador mais capaz, procura há anos, sem sucesso, uma solução para o crónico problema da arbitragem, que define como é o único a separá-lo de regulares conquistas de títulos. O Sporting tem a marca desportiva mais forte, um enorme potencial de crescimento entre a juventude urbana, mas não consegue atualizar a comunicação em parâmetros de futuro, indeciso entre o primado do ecletismo e a frustração do futebol e condicionado pela sobrevalorizada influência das falanges organizadas - suprema ironia, quando nos lembramos da razão da existência do "verdadeiro" Capitão América e da índole dos seus inimigos.» - João Querido Manha, jornal Record, 7 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Ah valentes! o Benfica ultrapassou a única equipa que nos derrotou esta época e avança para as meias-finais da Taça da Liga. Não é novidade para ninguém que o meu coração benfiquista bate mais forte pelos nossos miúdos, que são valentes, que são grandes e que, idealmente, são o futuro do Glorioso: o Rodrigo e o Nélson Oliveira. É quase criminoso que um atacante como o Nélson Oliveira fique de fora, a mais das vezes, dos planos de Jesus. Mas a concorrência é forte, Rodrigo é uma gazela real e Cardozo vai marcando. O Nélson tem a velocidade, a técnica, a inteligência, a visão de jogo e a frieza finalizadora de um grande. Aos 13' marcou e muito bem, aos 71' serviu Gaitán na linha e este lançou Rodrigo para o golo. E depois veio outro, do Rodrigo. Teriam sido dois golos para cada miúdo, não estivesse o Nolito numa noite de triste egoísmo: roubou um golo ao Nélson e tirou ao Cardozo a hipótese dos 200 golos de carreira. Já imaginaram o ataque do Benfica com dois jogadores de génio e velocidade como o Rodrigo e o Nélson Oliveira? Se as necessidades de encaixe financeiro não falarem mais alto antes do tempo, o futuro encarnado é todo deles. E, por isso, nosso. O Benfica continua dominante. E ontem estiveram na Luz 20 mil a torcer pela equipa e a chamar pela novidade do plantel: Djaló, "Floribelo", o Yannick. Não vibrei com esta contratação. Preocupa-me muito a defesa esquerda, porque o Emerson é mau de mais. Mas a custo zero, e acreditando no poder de criação do míster, o Djaló estará bem para as alas, para a extrema-direita. Aliás, o Benfica está a fazer o que eu ando a pedir há anos: a acautelar as saídas previsíveis. Gaitán deve rumar a outros voos no final da época, e o camisola 12 é veloz e pode fazer a ala. Precisa de inteligência, porque não é o mais técnico e brilhante dos jogadores. Mas se Jesus fez o Fábio, o Di Maria, o Gaitán, pode fazer o Djaló.» - Marta Rebelo, jornal Record, 6 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Futebol que temos no País que somos. O estado financeiro da nação sportinguista, trazido a público pela auditoria externa agora publicitada, só pode ter apanhado de surpresa os mais desatentos. Mas, embora quiçá mais gravoso, não diferirá muito da situação vivida pela maioria dos demais emblemas nacionais. As notícias que dão conta da dificuldade do pagamento de salários, de norte a sul, aumentam exponencialmente e a noção de que é preciso fazer alguma coisa mais entra pelos olhos dentro. Como em todas as situações desta natureza a fórmula estará em aumentar receitas e diminuir custos. Mas isto é de La Palisse. Passar esta evidência à prática é que parece não constar do ADN dos dirigentes do futebol. Para que se aumentem as receitas, há que não desbaratar os meios previamente existentes, nomeadamente os proventos – comuns aos restantes clubes europeus – das apostas on line. Avizinha-se uma solução politica que irá colocar a questão na rota do bom senso, encontrando-se um ponto de equilíbrio entre os argumentos colocados sobre a mesa. Logo que consumada, outras formas de fazer mais dinheiro deverão ser equacionadas, com a seriedade de quem luta pela sobrevivência. É ideia do novo presidente da Liga de Clubes que se passe de 16 para 18 clubes, aumentando assim quatro jornadas às receitas da época. Entre 16 e 18, prefiro 18, porque o futebol será igualmente nivelado por baixo (disso ninguém tenha dúvidas), mas com maiores proventos. A boa solução, contudo, é outra, mas não há coragem (nem condições no seio dos clubes da Liga, apenas interessados em olhar o próprio umbigo) para que venha a vingar. Querem maiores receitas? Formatem o futebol profissional à dimensão do País. Criem uma I Divisão com 12 clubes, que joguem entre si numa primeira fase (22 jogos), passando à segunda fase, dividida em duas séries (mais 10 jogos), a primeira com os seis da frente, com o título e a UEFA em disputa, a segunda com os restantes seis, onde se decidiria a questão da permanência. Neste modelo, haveria interesse até ao fim durante as 32 jornadas, com a vantagem das receitas receberem um acréscimo de quase 100 por cento. Quem recusa esta fórmula, recusa riqueza e perde legitimidade quando exige ao Estado que perceba que o Totonegócio é para pagar com as receitas do Totobola e não com outras quaisquer. Infelizmente, mais do que defender a indústria do futebol, o que está na mente dos dirigentes é garantir que cada um dos seus clubes atua no escalão principal, não olhando à sustentabilidade da competição. Reduzir despesas é sempre possível. Mas que sentido faz reduzir despesas se perante a possibilidade real, efetiva, exequível e tremendamente simples de aumentar receitas a resposta é não?» - José Manuel Delgado, jornal A Bola, 6 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Entre assobios e aplausos. Os adeptos têm, por vezes, comportamentos difíceis de explicar de forma racional. Vem isto a propósito dos aplausos escutados por Onyewu no preciso momento em que recebeu ordem de expulsão, depois de cometer uma grande penalidade que acabou por revelar-se determinante no desfecho do embate com o Gil Vicente. Logo, prejudicando a sua equipa. O próprio jogador tem noção do erro. É natural que os adeptos acarinhem um elemento que ainda há uma semana marcou 2 golos ao Beira-Mar que valeram 3 pontos à equipa, mas não é tão natural que estes sejam os mesmos adeptos, que num passado não muito distante assobiaram Custódio, Yannick ou Nani, de cada vez que estes tocavam na bola.» - João Lopes, jornal Record, 6 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Chocante. Entendo um jogo de futebol como uma festa onde duas equipas se defrontam com três resultados possíveis, vitória, derrota e empate. Uma festa onde exista fair-play, desportivismo e respeito. O futebol serve para aproximar povos e fomentar a paz. A universalidade do futebol une, junta, promove a responsabilidade social e tem ética. Lamentavelmente por vezes o futebol é utilizado por questões verdadeiramente absurdas e anómalas. Todos ficámos chocados com o que se passou no Egito, algo absolutamente irracional. Uma das maiores tragédias de sempre em eventos desportivos. O que se passou em Port Said é tanto chocante como inaceitável. Já ninguém se lembra do resultado final, o que conta são os 74 mortos e milhares de feridos. Importa perceber quais as razões que levaram a que fosse possível este chocante massacre. A FIFA, União Europeia e ONU exigem relatórios sobre os acontecimentos e medidas; eu acrescento os adeptos de futebol também merecem perceber o porquê desta inaceitável situação. Os portugueses Manuel José, Pedro Barny e Fidalgo Antunes também viveram estes momentos de terror. Para a história deveria contar a derrota da equipa liderada por Manuel José, mas não, infelizmente o único resultado é o número de mortos associados a um jogo de futebol. Precisamos e merecemos saber o porquê desta horrorosa situação. Nada, mesmo nada, justifica esta violência. O futebol não se revê nestas atitudes, o futebol serve para promover a paz e aproximar aqueles que por razões várias estão distantes. Os responsáveis deste triste episódio nunca mais devem participar em eventos desportivos. Numa palavra, chocante.» - Hermínio Loureiro, jornal Record, 6 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O exemplo alemão. Muito se diz que o sucesso da 1.ª Liga depende do seu número de participantes. Uns pedem a redução de equipas, enquanto outros se mostram favoráveis ao alargamento, em prol da sustentabilidade financeira e qualidade competitiva da competição. Este bem que parece um daqueles casos em que o médico faz um diagnóstico errado às dores do seu paciente. Os clubes, para sobreviverem, não podem é depender apenas das transmissões televisivas. Há que encontrar formas de trazer as pessoas ao futebol e consequência disso, atrair investidores ávidos de comunicar produtos e serviços junto de um público massificado. O recente Sporting-Beira-Mar, realizado numa bela tarde de domingo e com uma assistência superior a 38 mil pessoas provou que é possível fazer melhor. Espero que esta experiência dos domingos à tarde possa ser repetida também em partidas do Benfica e do FC Porto. Se forem criadas condições, as pessoas mostram-se dispostas a assistir aos jogos. E o nosso futebol só terá a ganhar com isso, conquistando novos públicos, mais famílias e jovens criando um círculo virtuoso na geração de receitas. Olhe-se para o atual panorama da liga alemã, a Bundesliga. Sem emblemas e estreias tão entusiasmantes como as que jogam em Espanha, Itália ou Inglaterra, esta competição é líder mundial nas assistências futebolísticas, com os clubes a registarem uma taxa de ocupação média dos estádios superior a 90%. Este caso de estudo deve merecer a nossa atenção. Geridos com rigor e contenção orçamental, os clubes alemães têm um campeonato que é um verdadeiro espetáculo. Ainda esta semana, num jogo que opôs Nuremberga e Borussia Dortmund, disputado em condições climatéricas adversas (13 graus negativos), não faltou um grande ambiente, com futebol de qualidade e um estádio cheio de adeptos efusivos. Podemos afirmar que o maior poder de compra germânico também permite ir mais vezes ao futebol. Mas o segredo não é só esse. Os jogos da Bundesliga são quase todos disputados à tarde, as condições dos estádios são excelentes e a qualidade das partidas é também elevada, tal como a competitividade (várias equipas lutam pelo título) e as audiências televisivas. É evidente que esta competição de sucesso se torna atraente para os patrocinadores, cuja presença no futebol, por vezes, ultrapassa o anúncio nas camisolas e o naming dos estádios. Grandes empresas do país não perdem a oportunidade de piscar o olho aos adeptos. Nomes como Audi, Bayer, Mercedes-Benz e Volkswagen, sem esquecer a banca e outras referências da indústria local marcam presença na liga alemã. É este o círculo virtuoso. As pessoas vão aos estádios, os clubes geram receitas de bilheteira e as empresas tendem a investir mais. Por seu turno, o bom futebol é conseguido por equipas compostas, na maioria, por jogadores alemães, fruto de um excelente trabalho na formação. E sem cometerem loucuras, até os clubes médios conseguem incluir um ou dois jogadores de top nos seus plantéis. Será possível replicar a fórmula em Portugal? Numa menor escala, acredito que sim. Com horas e preços condizentes, mais adeptos surgiriam e o apetite dos patrocinadores para investir na 1.ª Liga seria certamente maior, diminuindo a dependência dos direitos televisivos. Além disso, a maioria dos estádios portugueses oferece boas condições e está provado que a formação pode gerar receitas importantes. Só não vale a pena é andar a discutir se a competição deve ter 14, 16 ou 18 equipas.» - António Oliveira, jornal Record, 6 de Fevereiro de 2012. | |||
| «No fundo do poço. O Sporting caiu no fundo mais fundo de um poço, do qual não encontra maneira de sair. Psicologicamente perturbado por uma irregularidade competitiva que não conhece fim, o leão parece, por vezes, dar sinais de vida, mas rapidamente volta a ficar ligado à máquina. Domingos anunciara, com óbvia esperança, que esta seria uma semana de muita exigência e responsabilidade. Pois bem, o primeiro dos grandes testes da equipa redundou num colapso fatal. O Sporting foi afastado da Taça da Liga, perdendo em Alvalade, com o Gil Vicente, e depois de ter empatado em casa com o Moreirense. Ou seja, o Sporting desperdiçou a questionável vantagem que, como se sabe, as equipas grandes têm nesta competição, onde as razões económicas se sobrepõem, de maneira chocante, às razões desportivas. É verdade que, em matéria de tempos azarados, é difícil encontrar um rival do Sporting. Num momento em que a equipa precisava de reagir, calhou-lhe em sorte um Gil Vicente altamente moralizado e que correspondeu inteiramente à ameaça do seu treinador, que afirmara ir a Alvalade para ganhar o jogo. Depois de ter feito a vida negra ao Benfica e de ter vencido o FCPorto, o Gil Vicente resolveu trazer a sua barca do inferno para Alvalade. Este Sporting ainda não estava preparado para tanto. Resta saber como irá conseguir reagir a mais um desastre, sabendo que terá, de seguida, aquele que pode tornar-se num dos seus jogos mais importantes da época. Domingos não tem alternativa: há que evitar mais destroços, tapar os rombos e, apesar de tudo, tentar navegar.» - Vitor Serpa, jornal A Bola, 5 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O alargamento. Os resultados das eleições intercalares para a presidência da Liga de Futebol confirmaram um clássico dos manuais de ciência política: a vitória do 'descamisado' que foi à "praça" tentar a sua sorte e a derrota do "vencedor antecipado" sentado no plesbicito anunciado. Enquanto Laranjo despachava na Refer iludido com a influência dos seus apoiantes, Figueiredo (e a sua equipa de comunicação) atuavam como se estivessem numa eleição para a junta de freguesia e distribuíam os seus "panfletos" porta a porta, café a café, igreja a igreja, de dia e de noite. Laranjo revelava uma inabilidade política surpreendente, à medida que negligenciava os sinais mais evidentes: (1) os primeiros apoiantes de Figueiredo pertencentes à 1.ª Liga situavam-se na cauda da tabela e Figueiredo anunciou o tema do alargamento: Laranjo não compreendeu a potencialidade de contágio; (2) a reunião dos clubes da 2.ª Liga (que tinham sido a "lebre" combinada nas corridas eleitorais de Fernando Gomes) mostravam uma tendência que não era favorável a Laranjo: são "16 clubes, apareceram 11 e só 6 votaram a favor do apoio a Laranjo - este não percebeu que estavam 10 clubes disponíveis para votar na lista adversária e que esses 10 votos eram decisivos; resultado: Figueiredo convenceu 9; (3) Figueiredo escolheu dois temas apelativos para os "sem-abrigo" (concentração dos direitos televisivos e aumento dos clubes nas provas) e repetiu-os até à exaustão em todas as oportunidades, enquanto Laranjo, sem reacção, perdeu-se num "discurso redondo" insusceptível de convencer indecisos; (4) Laranjo esqueceu-se que as eleições eram em dezembro e não em junho ou julho, sem negócios de jogadores, treinadores e agentes metidos na campanha - algo que Figueiredo bem sabia de outras andanças no passado. Figueiredo é, no fim das contas, o aproveitamento de um tempo e a virtude de um método. À medida que a época avança, é óbvio que a promessa do alargamento da 1.ª Liga vai ser questionada: quando e como? Se for para vigorar na próxima época, os clubes têm até meados de julho para tomar decisões, mas o seu poder de modificação do Regulamento de Competições está condicionado por uma autonomia "relativa". Porquê? O regime jurídico das federações de 2008 institui a figura do "contrato" entre a federação e a liga, substituto do (ainda) vigente "protocolo" e necessitado de celebração urgente. Entre outras matérias do relacionamento entre federação e liga, a lei obriga a que se estabeleça nesse acordo o "número de clubes que participam na competição desportiva profissional" (tal como o "regime de acesso entre as competições desportivas não profissionais e profissionais"). Está à vista que qualquer deliberação de alargamento que se faça sem a previsão antecipada dessa cláusula (ou que, no limite, a desrespeite) estará viciada na sua eficácia. Em suma: primeiro, o acordo da Federação; segundo, a decisão da Liga. E convinha que tudo fosse limpo. Já sabemos como no futebol há sempre alguém disponível para transformar a questão mais simples num interminável imbróglio jurídico, como bem sabe Figueiredo de outras andanças...» - Ricardo Costa, jornal Record, 5 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) Uma das marcas de referência do nosso futebol foi, esta semana, uma marca que evidencia a diferença. Com efeito, segundo o estudo da "Brand Finance", o Benfica entrou na lista das 30 marcas mais valiosas do futebol europeu em 2011. O Benfica encontra-se em 28.º lugar, com um valor de 43 milhões de euros, bem distante, é claro, dos primeiros três, que são o Manchester United (490 milhões), Real Madrid (477 milhões) e Barcelona (467 milhões). Mas, o estudo permite-nos perceber o crescimento do Manchester City e a queda de valor da Roma, do Arsenal e da Juventus, entre outros. Os números do Benfica permitem perceber e reconhecer a estratégia dos últimos anos e são um estímulo para o Presidente Luís Filipe Vieira. Mas, os números ajudam a perceber a importância da participação na Liga dos Campeões, a prova de referência, a todos os niveis, no conjunto das competições de futebol.» - Fernando Seara, jornal A Bola, 5 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Haircut. From: Domingos Amaral To: Godinho Lopes. Caro Godinho Lopes: Aguiar Branco, ministro da Defesa, declarou esta semana que as Forças Armadas, que ele tutela, são "insustentáveis, tal como estão". Podia estar a falar da Madeira, da banca, do Metro, da CP, da Carris, de Portugal ou da Grécia ou do seu Sporting, cuja auditoria mostrou em “falência técnica", mas também de muitos clubes europeus, que a UEFA considerou recentemente à beira do abismo. Curiosamente, à nossa volta quase tudo parece hoje "insustentável, tal como está. E o que fazer? Fecha-se a Marinha e a Força Aérea, o Sporting ou o Metro? Fecha-se a maioria dos clubes de futebol europeus? Fecha-se a Grécia? Claro que não. Há três caminhos. O primeiro é o "merkeliano", aplicado na Grécia. Viu-se o resultado: a austeridade gerou uma profunda recessão, e os credores vão digerir 70 por cento de perdas. Ou seja, perderam todos. Num clube de futebol, este é o caminho do fim. Lembre-se que, no Sporting, a contenção de custos já derrotou Franco e Bettencourt. O segundo caminho é o milagre dos "petroeuros", provavelmente angolanos. É tentador, mas perigoso. Vende-se o clube, mas quem paga manda, e os sportinguistas pagariam a andar a toque de caixa de Luanda. É isso que deseja, tornar-se um pau mandado? Resta a terceira via: reestruturar a dívida com um "haircut" (perdão parcial) e um plano financeiro de longo prazo, credível e ambicioso. Eu ia por aí. Ao contrário da Grécia (e de Portugal), o Sporting ainda pode evitar o ciclo infernal e depressivo da austeridade. Faça isso e continue a construir uma boa equipa, como fez Vieira no Benfica. É difícil e demorado, mas vale a pena.» - Domingos Amaral, jornal Record, 5 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Boa... Taça! A Taça da Liga faz parte da valiosa herança deixada por Hermínio Loureiro. Não sei quem lhe desenhou o formato, mas percebe-se que houve uma lógica de valorização, e também de proteção aos grandes dubes, o que, poderá encerrar alguma injustiça, mas alegra a discussão, mais depressa capta patrocinadores e, obviamente gera receitas simpáticas para os participantes. Nenhum ponto em comum se lhe observa em relação à Taça de Portugal, sendo pertinente questionar, em face da realidade portuguesa, qual dos modelos mais agrada, independentemente dos entraves jurídicos... Nesta fase, por exemplo, Gil Vicente, Sporting e Rio Ave (grupo A), Benfica e Marítimo (grupo B), Braga e Penafiel (grupo C) e FC Porto, V. Setúbal e Paços de Ferreira (grupo D) têm uma palavra a dizer. Ou seja, na antecâmara das meias-finais perfilam-se os cinco primeiros do campeonato o que é garantia de enorme intensidade competitiva até ser conhecido o nome do vencedor. Quadro que não se vislumbra na prova da FPF, nos moldes em que é organizada, em que Benfica e FC Porto, entre outros de Primeira Liga, há muito saíram de cena, arrefecendo, como se compreende, o entusiasmo do mercado do futebol e afastando bons investidores. lmaglne-se uma final entre o Nacional e a Oliveirense. Se lá chegarem serão credores do máximo respeito, mas o Jamor não é Wembley, nem Portugal é Inglaterra, e se os atores, ou pelo menos um deles, não forem estrelas pior ainda...»- Fernando Guerra, jornal A Bola, 4 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Vendam aos estrangeiros. A auditoria divulgada esta semana colocou o Sporting na ribalta por causa da falência técnica em que o clube se encontra. Mas para quem segue o negócio do futebol, os resultados não foram surpresa: há anos que se sabe que o clube não gera receitas para cobrir as suas despesas. A questão agora é saber como pode o Sporting (e não só: Sporting, Benfica e FC Porto, embora não estejam em falência técnica, também têm de repensar o modelo de negócio) ultrapassar o problema. Há uma primeira conclusão a tirar: o nosso futebol não gera receitas para as despesas que tem, facto visível nos orçamentos dos três grandes (um orçamento de 100 milhões, como o do FC Porto, não é sustentável). É por isso que o futebol português tem de fazer um forte ajustamento em baixa. Um ajustamento que poderá custar as críticas de sócios e adeptos, que se habituaram a ver os seus emblemas bem representados na Europa (veja-se os sucessos desportivos na Liga dos Campeões e na Liga Europa). Mas é preciso lembrar-lhes que esse sucesso é o resultado de investimentos não sustentáveis. E que só foram possíveis porque tiveram nos bancos um aliado (veja-se a conversão de VMOC do Sporting, que ficaram, quase a 100%, nos cofres de BES e BCP). Só que a situação dos bancos mudou drasticamente em 2010, o que os obrigou a fechar a torneira até às empresas rentáveis. A somar à debandada dos bancos, os clubes tiveram de enfrentar outros problemas: quebra de receitas de bilheteira, merchandising e comerciais. O que os obriga a viverem dentro das suas posses. Com uma consequência: perda de competitividade, que os pode afastar da alta-roda do futebol europeu (sem jogadores de qualidade não há futebol de qualidade). O que, por sua vez, lhes pode tirar o acesso regular à Liga dos Campeões, que com as suas chorudas receitas de qualificação e prémios de performance quase cobrem o défice de tesouraria de clubes como Benfica e Porto. A saída da Champions teria outra consequência, devastadora, para os clubes: o fim da "montra de marketing" onde valorizam os passes dos seus jogadores, o ativo mais precioso que têm para realizar receitas. Mas há uma forma de evitar que os clubes resvalem para a irrelevância futebolística: a aposta num novo paradigma. Uma ideia de que temos falado aqui há vários anos e que passa por vender as SAD a investidores estrangeiros com os bolsos fundos. Pessoas que olham para o futebol como um investimento de prestigio e não para gerar mais-valias. E a verdade é que o Mundo (Rússia, Angola, países árabes, China...) está cheio de capital disponível para estas operações. Dir-se-á que os clubes portugueses são ativos pouco apetecíveis. Não o serão para os investidores mais ambiciosos, os que olham preferencialmente para Ligas mais ricas (mas também mais caras): França, Espanha, Itália e mesmo Inglaterra. Mas para um investidor médio, os clubes portugueses fazem perfeitamente sentido. E era bom que os seus responsáveis começassem já a mentalizar os sócios e adeptos para essa inevitabilidade. Antes que os clubes de ligas vizinhas se adiantem no terreno...» - Camilo Lourenço, jornal Record, 4 de Fevereiro de 2012. | |||
| «A crise do leão. Culpado dos males de Alvalade, com Hélder Postiga, o outro "mártir", Yannick Djaló foi primeiro despachado para Nice, um tanto às três pancadas, e aparece agora na Luz com a auréola da grande estrela que ainda não é. Veremos se Jorge Jesus consegue estabilizar emocionalmente o jogador e fazer das suas características uma mais-valia para o futebol dos encarnados. Mesmo que Yannick já não fosse do Sporting, o simples facto de o adepto dos leões o ver agora de camisola vermelha surge como mais uma contrariedade para um clube que vai perdendo os seus nomes emblemáticos. E resulta pior ainda numa semana em que se confirmou a falência técnica, que vemos o treinador manter a cabeça quente – a interminável cruzada contra os jornalistas é desgastante, desculpabilizadora e inútil - e se assiste à demissão de um dos dirigentes de primeira linha, Carlos Barbosa. Não gostaria de estar na pele de Godinho Lopes, que se tem desdobrado em explicações na tentativa de serenar um pouco as hostes. Se o dinheiro - ou a sua falta - não constituir um impedimento inultrapassável, e isso vai acontecer no futebol português com consequências bem mais graves do que geralmente se admite, a presente crise leonina será superada. Yannick, como Postiga ou Moutinho, é passado, Domingos acabará por serenar, a vida continuará. E as taças surgem no horizonte como objetivos redentores. Já o afastamento de Carlos Barbosa é mais pesado. Primeiro, a clássica versão oficial dos "afazeres profissionais" não cola, pois o presidente do ACP sabia bem, quando tomou posse, o que o esperava. Depois, os motivos que se deixaram cair para os jornais, de que Barbosa não estaria a desempenhar corretamente as suas funções – numa área em que nada tem a aprender com ninguém - são tão estapafúrdios, que esclarecer de vez todas as dúvidas seria o melhor caminho para Godinho Lopes poder exibir alguma solidariedade numa direção que nasceu deslaçada, por força das circunstâncias, e que não conseguiu ainda unir-se.» - Alexandre Pais, jornal Record, 4 de Fevereiro de 2012. | |||
«Sport Lisboa e Ipanema. A barraca do Benfica no Rio de Janeiro. Quem rola pelo calçadão de Ipanema pode ver a bandeira do Benfica desfraldada no areal, no conhecido e apregoado Posto 9, entre a Rua Vinicius de Moraes e a Farme de Amoedo. Fosse a praia carioca um bairro lisboeta e estaríamos no Chiado. Em vez de miúdas descendo a Rua Garrett temos garotas de biquíni, em vez de pastelarias e lojas de cadeias internacionais, temos panteras negras - caipivodka black com fruta - e sportings no menu da barraca do Chico, que desde dezembro passou a ser também a barraca do Sport Lisboa e Benfica no Rio de Janeiro. Encontro-me com os produtores desta ideia quando o Sol está a pique e as havaianas fervem na calçada. Diogo Anjos e João Viana Ruas descem comigo para o areal, cumprimentam Chico, o dono da barraca, e Diogo questiona um dos empregados: "Galo, você viu os vídeos do Benfica que postei no Face?" Um guarda-sol montado e três cadeiras na sombra depois, Diogo e João, amigos há cinco anos e companheiros de negócios no Brasil, começam por pedir sportings. A explicação aparece no cardápio que Galo me entrega: "Sporting: garrafa de água, ou seja, não faz mal a ninguém." É ali, naquele spot de Ipanema, que se encontram muitas vezes para falar de trabalho e definir agendas. Foi ali que surgiu a ideia para a barraca do Benfica, para negócios e até para novos desportos como o futegolfe - já lá iremos. Há entre eles a cumplicidade dos rapazes e o vigor dos empreendedores, uma apetência para o disparate se jogam conversa fora, mas também uma atenção constante às oportunidades que o Brasil oferece, em particular no mercado imobiliário. Os rapazes, como se diz aqui, estão ligados. Em dezembro, Diogo e João, benfiquistas proativos, repararam que muitas barracas de praia têm bandeiras de clubes, quase sempre brasileiros - o Vasco, o Flamengo, o Fluminense. Chico, dono da barraca do Chico & Mar, número 67, tinha apenas uma bandeira do Brasil e sempre fora um anfitrião impecável. "O Benfica é o maior clube de Portugal, há cada vez mais portugueses no Rio, ou seja, mais benfiquistas", explica Diogo. "Nós queríamos um lugar onde os benfiquistas e os portugueses pudessem vir conversar e beber uma cerveja. Um lugar para nos encontrarmos. Fomos falar com o Chico e fizemos uma proposta." Diogo e João providenciariam bandeiras, faixas, camisolas oficiais do Benfica para os empregados e até um menu temático. Também haveria cerveja portuguesa. Em troca, Chico teria mais clientes e garantia que, com uma página no Facebook - Benfica Posto 9 Ipanema - com 193 membros, se organizariam ali mais atividades além do levantamento da caipirinha: torneios de futebol, aulas de futevólei, campanhas para recolha de lixo. Mais gente, mais negócio, mas também algo em sintonia com o espírito atual do Rio, sublimado no slogan da Prefeitura: "Rio: eu amo, eu cuido". E, claro, o futegolfe, de que falaremos mais adiante. Chico, com 37 anos bem curtidos na cara morena, explica-me porque aceitou a proposta: "O meu time é o Atlético Mineiro, sempre fui diferente. Hoje toda gente é do Barcelona ou do Real Madrid. Eu já conhecia o Benfica. E falamos a mesma língua." Chico, morador da favela da Rocinha, que enfrenta um verão difícil por causa dos dias de chuva, chega à praia por volta das seis da manhã para montar a barraca e descarregar centenas de cadeiras, chapéus-de-sol, sacos de gelo e paletes de cerveja. Por vezes só volta a casa de noite: "A galera quer ficar aí para ver o pôr do Sol e beber." Pergunto-lhe se há muitos curiosos, gente que passa e faz perguntas. "Há muitos benfiquistas, até estrangeiros. Mas também vem aqui gente dos rivais me oferecer dinheiro para queimar a bandeira." Diogo, 31 anos, está há quatro no Rio, como gerente duma confeitaria que faz parte do negócio da família. "Sou um cliché, o portuga que trabalha na padaria" diz, embora a sua história seja diferente dos Joaquins e Manéis que chegaram há décadas, muitos sem saber ler ou escrever (literalmente), para triunfarem no mundo da panificação. João, 28 anos, ainda não embarcou na torrente da nova emigração para o Brasil, feita de gente jovem, licenciada, com experiência profissional, como o amigo Diogo. Trabalha com a família, dona de duas empresas de construção: "Temos uma em Portugal, centenária, e outra aqui há 30 anos. Por enquanto vou e venho. Amanhã vou para Lisboa, mas já estou aqui outra vez no final de fevereiro." Nessa semana, Eusébio fez 70 anos, o Benfica goleou e já podiam ver-se os jogos, na sombra de vários chapéus providenciados por Chico, num computador que aproveita a rede wi fi grátis da orla costeira. Diogo diz que a transmissão dos jogos vai trazer ainda mais portugueses, sejam ou não do Benfica. A barraca do Benfica já se tornou um ponto de encontro: se alguém chega Chico informa onde estão os amigos; os portugueses aparecem cada vez mais. Por isso e porque esta época tudo flui para os benfiquistas como num jogo de goleada, Diogo e João estão felizes na tarde de verão carioca em que João explica, por fim, o futegolfe: "Tem de ser num dia de chuva ou muito nublado, para haver pouca gente na praia. Fazes um buraco a umas centenas de metros de distância, uma espécie de green, e jogas com uma bola de futebol. Já experimentámos aqui." Embora entusiasmado, desilude-se quando lhe pergunto se é uma ideia original: "Não, nós julgávamos que era, depois fomos ver à net e já alguém pensou no mesmo." Mas logo passa uma morena de óculos espelhados no doce balanço do mar (passaram várias durante a entrevista), e os rapazes perdem o fio da conversa, esquecendo que há ideias que funcionam melhor que outras. Barraca do Benfica 1 - Futegolfe 0. Retrato Chico tornou a sua barraca na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, temática com o Benfica no centro do negócio. Diogo e João arranjaram bandeiras, faixas, camisolas oficiais para os empregados e até um menu temático. A barraca organiza torneios de futebol, aulas de futevólei, campanhas para recolha de lixo, entre outras atividades. E até tem uma página no Facebook: Benfica Posto 9 Ipanema.» - DinheiroVivo.PT, 4 de Fevereiro de 2012. Fotografia de Hugo Gonçalves. | |||
| «O mais recente relatório da UEFA sobre o desenvolvimento financeiro dos clubes europeus. Esta semana escolhemos falar-vos sobre o relatório da UEFA que se debruçou no desenvolvimento financeiro dos clubes Europeus, com referência ao ano de 2010. O quadro seguinte que reproduzimos na Fig. 1, dá-nos a evolução das receitas das maiores divisões da Europa, no período compreendido entre 2006 e 2010. Na Fig. 1 podemos, então, surpreender os valores correspondentes às seguintes receitas: commercial & others (receitas comerciais e outras), Gate receipts (receitas de bilheteira), Sponsorship (Publicidade) e Broadcasting (Transmissão televisiva). Ora, apesar de constar da conclusão que as receitas aumentaram uma média de 9,1% ao ano, na senda do aumento médio da economia Europeia, não concordamos, de todo, com a mesma asserção. Em primeiro lugar, o Euro valorizou-se em relação ao dólar o que significa que em termos relativos as receitas podem ter diminuído, caso essa valorização supere a valorização dos valores absolutos dessas receitas. Em segundo lugar, sabemos que os valores absolutos se encontram inflacionados pelos fenómenos resultantes da crise financeira de 2008, os quais não foram tidos em análise. Por estas razões discordamos da conclusão do relatório numa perspectiva macroeconómica. No mesmo estudo podemos surpreender uma análise que foi efectuada sobre as transferências realizadas entre os anos de 1996 e 2010, mas aqui à escala Mundial. Com esses dados foi possível construir-se um gráfico que reproduzimos na Fig. 2, onde podemos, no lado esquerdo do mesmo observar, por nacionalidade, os Países que venderam mais jogadores no top 400 das transferências e, no da direita, por nacionalidade, os Países que mais jogadores compraram no top 400 dessas mesmas transferências. É evidente que nos estamos a referir a valores monetários para definir as 400 maiores transferências e no gráfico encontram-se reproduzidos o número de jogadores vendidos ou comprados (ver Fig. 1). É curioso verificar que a Inglaterra e a Itália são os Países que dentro das maiores 400 transferências realizadas desde 1996 a 2011, mais compraram e mais venderam, mas trocando de posições. A Itália vendeu 96 e a Inglaterra 90 jogadores das maiores 400 vendas, enquanto que, por sua vez, a Inglaterra comprou 148 e a Itália 116. Portugal aparece em 5.° lugar com 27 vendas encaixadas nas maiores 400. Seria interessante dissecar cada uma das transferências de "per si" para, assim, se poder configurar uma linha de circulação de capital. Da análise financeira aos clubes resulta, inequivocamente, que o seu grande sustentáculo são as receitas provenientes das transferências de jogadores. E para ficarmos com uma ideia da percentagem de clubes que em cada Campeonato dão prejuízo, fiquemos com o gráfico da Fig. 3, onde se consegue perceber os prejuízos que grassam no mundo dos clubes.» - Pragal Colaço, jornal O Benfica, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Abrolha. O jogo que o Benfica venceu no Estádio Marcolino de Castro, distanciando-se na liderança do Campeonato da Liga, fez-me lembrar uma série de crónicas de Raul Solnado nas quais tive a feliz oportunidade de colaborar. O paralelo entre o jogo da Feira e as crónicas da Abrolha - a terreola imaginária desses sketches do Solnado - é que nestas também havia uma espécie de estádio. E em dado episódio, a Junta de Freguesia, propunha-se mesmo levar para a aldeia a final da Taça. O filho do presidente da Junta mexia os cordelinhos em intermináveis conversas telefónicas. «O campo do Abrolha é um bocado inclinado, mas como as equipas mudam ao intervalo também não há problema: cada uma joga 45 minutos a subir e outros 45 minutos a descer. O relvado tem alguns buracos, mas o queijo suíço também tem e ninguém se queixa. Vai da baliza encostada ao muro do cemitério, à outra que dá para o quintal da casa do meu pai, o Benevides, presidente da Junta. Ele até já deu autorização ao nosso guarda-redes para tomar balanço no quintal para marcar os pontapés de baliza. «Bancadas? Temos um talude que dá aí para umas duas mil pessoas. E a gente até está a pensar pôr uns rolos de arame farpado para os adeptos não caírem para o campo. E mais uns 500 lugares nas varandas, para as claques se sentirem em farnilia. Mas como a televisão vai transmitir o jogo não são precisos mais lugares. É preciso é arranjar lugar para a televisão para que se veja alguma coisa de jeito.» O que não passava pela cabeça de ninguém, nem mesmo para uma história do Solnado, era a figura de um jogador que marcou um golo para cada lado e depois fez um penálti para desempatar. Coisas da Abrolha. Como um galo de barro a depenar um dragão.» - João Paulo Guerra, jornal O Benfica, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Mesquinhez. Não quero ir tão longe como Ramalho Ortigão num escrito do século XIX."A opinião pública é a coisa pública mais estúpida que em Portugal existe”. Não quero ir tão longe como o meu amigo Manuel José, antigo jogador e treinador do nosso Benfica. "Em Portugal, há dezenas de inteligências e milhões de cotovelos". Não quero ir tão longe, mas ando lá perto. E não posso mesmo é deixar de refutar, com veemência, uma acusação ao grande Eusébio, proclamando que este contribuiu para inquinar a Verdade Desportiva e que terá ajudado a que o Benfica vencesse o Campeonato de 76/77. Eusébio confessou, recentemente, que se recusou a marcar um livre, na defesa das cores do Beira-Mar, num embate frente ao Benfica. Foi verdade. Havia-o dito já antes do jogo. Eusébio jamais admitiria apontar um golo ao seu Benfica. Na altura, estava de férias na sua aventura americana, já na fase de veterania, quando assinou um vínculo com o Beira-Mar. Era sobretudo um contrato de marketing como na actualidade sói dizer-se. Pago jogo a jogo, nem sequer treinava em Aveiro, onde só se deslocava aos fins-de-semana para actuar. Ainda assim, o treinador, Manuel Oliveira quis inclui-lo no onze inicial. Saibam aqueles que querem denegrir a imagem do nosso Eusébio que esse Beira-Mar-Benfica até terminou empatado (2-2) e que o nosso Clube arrebatou o título com nove pontos de avanço (na actualidade, seriam quinze) numa demonstração categórica de superioridade. Eusébio mais não fez do que exibir uma manifestação de amor ao Benfica. Será muito custoso admiti-lo? Ao que parece sim, para um punhado de idiotas, ressabiados, que procuram de forma malévola aproveitar a sinceridade de Eusébio. Só que esses, ao invés de Eusébio, só sabem marcar golos na baliza da imbecilidade.» - João Malheiro, jornal O Benfica, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Objectivamente. Os dirigentes e adeptos do FCP não se cansam de insultar o árbitro, Bruno Paixão, culpando-o pela derrota frente ao Gil Vicente. Ainda se ouvem ecos de uma célebre arbitragem em Campo Maior, quando Jardel e José Soares protagonizaram uma vulgar picardia que Bruno Paixão resolveu mandando o intocável Jardel para a rua! Desde esse dia Bruno Paixão passou a «persona non grata» no Porto e teve de se redimir já muitas vezes para ter o perdão do Papa mas, pelos vistos, voltou tudo à estaca zero... Toda a gente sabe que Bruno Paixão não tem muito jeito para a arbitragem. Não é novidade para ninguém. O que não se percebe é que os «Miguéis Sousas Tavares» que têm a missão de defender o «Sistema FC Porto» para que continue a vigorar eternamente não enxerguem mais que arbitragens más para justificar as MISERÁVEIS EXIBIÇÕES da sua equipa. Já se esqueceram que antes de Bruno Paixão (que mesmo assim teve o perdão papal um ano depois do caso Campo Maior e nós sabemos o que se passou a seguir...), havia o José Silvano (que nem qualificação tinha), José Guimaro, Fortunato Azevedo, manos Calheiros, Rosa Santos, Francisco Silva, etc., etc... dos quais nunca falam porque lhes serviram na perfeição durante mais de 25 anos! Vou lembrar-lhes todos os dias destes nomes para que nunca os esqueçam quando falam de arbitragens! Deviam ter bustos no Estádio do Dragão porque ajudaram a construir a história recente do clube! E pelos vistos vão continuando impunes. Agora, mais uma decisão recente dos tribunais a querer «lavar» a culpa dos envolvidos no «Apito Final». De facto, aquilo que está gravado nas Escutas Telefónicas sobre a corrupção vergonhosa e miserável no Futebol É TUDO MENTIRA! A cada decisão de recursos e mais recursos, como é pródiga a Justiça portuguesa, nós vamos ficando a saber quem afinal manda nisto!» - João Diogo, jornal O Benfica, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Ainda falta muito. 1. Fim-de-semana sofrido mas saboroso. Primeiro, no sábado, a nossa vitória em Vila da Feira, num campo pequeno, com relva em mau estado e frente a uma equipa muito lutadora. Criámos oportunidades suficientes para não andarmos com o coração nas mãos até ao final, mas, tal como uma semana antes frente ao Gil Vicente, não gostei de ver os jogadores adversários a chegar primeiro à bola que os nossos e o Benfica a não a conseguir segurar na parte final. Mas acabámos por ganhar bem, demos mais uma vez a volta ao marcador e continuamos na frente. No domingo, a derrota do FC Porto em Barcelos fez com que tenhamos ficado com 5 pontos de vantagem. É bastante face ao equilíbrio habitualmente existente, é pouco face ao que falta do Campeonato. Muito importante é chegarmos ao desafio com o FC Porto com essa vantagem. Mas, até lá, para além de recebermos um sempre difícil Nacional, teremos que ir a Guimarães e a Coimbra. Nada fácil... É preciso é ir ganhando jogo a jogo. 2. Na Comunicação Social, dá-se muitas vezes este exemplo: "o cão morder o homem não é notícia; notícia é o homem morder o cão." Está justificado o relevo dado à arbitragem do jogo de domingo passado, em Barcelos. Pode bem dizer-se que "notícia não é o FC Porto ser beneficiado pelos árbitros; notícia é o FC Porto ser por eles prejudicado..." 3. Miguel Sousa Tavares não é um modelo de rigor. Mas tem uma virtude: não tem medo de afrontar o presidente do seu clube. Na semana passada, escreveu n’A Bola: "Muito gostava que alguém da direcção do FC Porto viesse explicar o estranho e nebuloso contrato de compra do Danilo ao Santos, envolvendo 18 milhões de euros, seis meses de espera e a cedência gratuita do Fucile por um ano." Estranho e nebuloso, escreveu ele.» - Arons de Carvalho, jornal O Benfica, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Pereira não dá pêras. Ao almoço me dão pêras; Ao jantar pêras me dão; Ao lanche pão com pêras; À ceia pêras com pão. Ia assim a lengalenga da nossa infância. Ia assim o enjôo. Mas pior ainda se Pereira não dá pêras e enjoa na mesma. Pereira vomita sentenças, vela ameaças, solta fel. Os frutos é que não se vêem. Pereira está aflito, tem medo. Atrás de si uivam os lobos famintos e, na escuridão húmida dos túneis, o Madaleno alimenta os fungos que o hão-de devolver à sua tristonha existência de anónimo. Todo um mundo podre está em polvorosa. O Copiador de livros Alheios gane incessantemente baba e ranho incontidos; o Merceeiro Aldrabão agita as asas de borboleta e profere tiradas de intelectualidade de pacotilha da qual nada se retira senão a fosforescência do ódio; o Baladeiro Bacoco de Tiques Estranhos esganiça a voz de castrato e irrita-se por tudo e por nada, acentuando o seu ar de fedelho mimado que passou ao lado da bofetada pedagógica. Mas que quer esta canalha? Que pretende esta súcia de analfabetos de pai e mãe? Pedem contas? Querem saber de que lhes vale investir tanto dinheiro em prostitutas baratas e repastos de lagostas se, volta e meia, há um desses gnomos de cócoras que se recusa a fazer-lhes as vontades? Por isso ladram. Não é injustiça que lhes dói, é a desobediência. Habituados a corromper, a mentir, a forjar, não aceitam o erro, a falha. Pela sua percepção da realidade, tudo está envolto pelo manto diáfano do suborno e da podridão. O Mundo não é, para estes tunantes, nem sequer a branco e preto. É só a preto. Sujo, enlameado, conspurcado, infecto. É disso que se alimentam e não resistem à necessidade de arrastar todos os outros para o universo inquinado que Mestre Palhaço criou. «Nem mil anos apagarão a culpa da Alemanha»,dizia-se no tempo do Julgamento de Nuremberga. Nem 100 anos anos apagarão a culpa de tais corruptos! Por isso, CALEM-SE!» - Afonso de Melo, jornal O Benfica, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Não há razões para euforias. O Benfica tem cinco pontos de vantagem, o que reflecte aquilo que foi até ao momento a melhor equipa nacional. Este fim-de-semana ganhou onde o FCPorto havia empatado e viu o seu adversário perder onde até agora o Benfica tinha feito o seu pior resultado. O FCPorto fez pior que o pior Benfica havia feito desde o início do campeonato. Vítor Pereira queixava-se do árbitro enquanto milhões de portistas se queixavam dele. É bom ter cinco pontos de avanço se a mentalidade for a mesma, caso contrário esta vantagem que demorou 17 jornadas a conseguir pode perder-se em duas. Há razões para confiar (na equipa), mas é bom desconfiar do adversário, que estará mais forte e com vontade de ficar mais perto... O FCPorto queria o Ganso do Brasil, mas acabou a ficar com o Galo de Barcelos, o que foi duplamente bom para o Benfica. Não terá sido tão positivo para a concorrência o regresso de Lucho Gonzalez, um jogador muito bom, que fará um FC Porto seguramente mais forte. Foi, no entanto positivo, que tivesse vindo Janko em vez de Diego Forlán. O Sporting ganhou um jogo, o que não deixa de ser também uma novidade. O SC Braga, pé ante pé, está mais perto do FC Porto, que o FC Porto do Benfica. Em suma só um Benfica de topo nos põe a cobro das vicissitudes e capacidades da concorrência. Domingo jogamos contra o Marítimo, única equipa que nos colocou fora de uma competição este ano, e que pode, caso vença, tirar-nos outra. Não podemos dizer que não estamos avisados, domingo queremos carimbar passagem às meias-finais da Taça da Liga. Grandes equipas são apenas as que conquistam muitos títulos. Há pois razões para os adeptos do Benfica estarem satisfeitos, para estarem orgulhosos e até confiantes, mas não vejo espaço para fanfarronices nem para euforias.» - Sílvio Cervan, jornal A Bola, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Porque não na Luz? Fernando Guerra não se conforma e voltou a criticar o Feirense por ter usado o seu renovado estádio por ocasião da visita do Benfica, logo, desprezando a receita adicional que poderia ter em Aveiro, onde a bancada é maior. Que os adeptos feirenses tivessem de continuar a viajar para tão longe, é coisa pouca e, para a maioria dos benfiquistas, que não vivem em terras de santa Maria, isso seria irrelevante. Afinal, há clubes bem geridos, que sabem fazer as coisas como devem ser feitas. Foi o célebre caso do Estoril, quando optou por jogar no Algarve. Guerra garante que sabe porque razão o Feirense insistiu em usar o seu estádio. Eu garanto que sei a razão pela qual o Estoril jogou no Algarve.» - Rui Moreira, jornal A Bola, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Estádio de sítio. É por isto e por aquilo. Ontem foi dia de reflexão contínua sobre as causas do campo de batalha em que se transformou um relvado. O confronto anunciado em qualquer tese primária de comportamento humano. Um regime político marcado por uma suposta democracia, militarizada à força, com escapes reprimidos durante décadas que implodiram na Praça Tahir (Liberdade), no Cairo, Mesmo que a realidade africana continue julgada como excessivamente díspar das idíossincrasias europeias, é de jovens em perfeita anarquia, numa turba enlouquecida por uma paixão clubista, que constatamos um ideário onde a única regra aceitável é da aniquilação do inimigo. As imagens são perfeitamente reveladoras da passividade das forças políciais em procederem à execução das suas funções, observando placidamente a chacina que se avolumava a cada minuto. É esta irracionalidade arrebatadora, o futebol, que pode despoletar o pretexto para uma intensificação dura, um braço armado do grito contido em que se move a humanidade. Aqui na nossa Europa calma e serena - será? -, em Paris, já se viveu uma provocadora gritaria magrebe, num jogo que colocou em confronto a seleção francesa à seleção tunisina. São conhecidas as profundas influências entre o futebol e a guerra que se viveu na ex-Jugoslávia, e as comprovadas inspirações nazis e xenófobas das claques, e dos seus líderes, envolvidos nalguns dos massacres étnicos que vitimizaram milhares de cidadãos, compatriotas até então. Como o ódio religioso entre o Celtic dos católicos, e o Rangers, dos protestantes, impedem a passagem de alguns adeptos por determinadas ruas conotadas com apoiantes, de um ou outro clube. Numa recente ida à cidade, confidenciaram-me que o ambiente que antecede o embate entre os dois emblemas cria uma tensão inquieta, e acelera o regresso a casa da população impávida. E à noite, qualquer esconso cruzamento não inspira confiança. Não foi há muito que um adepto do Ajax invadiu o relvado e trocou agressões com o guarda-redes da equipa contrária. E existia segurança privada, câmaras de vigilância, e uma probabilidade escassa de tal ocorrer, segundo relataram as autoridades holandesas. Em Portugal, apesar do esforço continuado das forças policiais, assistimos a assomos de uma escalada violenta. Já deu direito a incêndio num estádio, a uma morte por verylight, a autocarros apedrejados em pontos estratégicos de autoestradas e vias rápidas, ciladas a adeptos que acabaram esfaqueados, treinadores atingidos por objetos pirotécnicos à saída dos treinos, ameaças fisicas a porta das residências dos atletas, etc., etc., etc... Este cenário ocorre com centenas, milhares de efetivos destacados para os recintos desportivos que mais não são, para alguns, do que os campos de batalha do séc. 21. "Como o Futebol explica o Mundo", de Franklin Foer, é um livro perdido nos escaparates que deslinda o Estádio de Port Said noutros pontos do Globo. São histórias que ilustram como o jogo pode promover desde um choque das civilizações às assimetrias da economia internacional, narrando as chagas de qualquer sociedade. Um caldeirão de fanatismo religioso, democracia descredibilizada e pobreza generalizada. Imaginem um palco português, com polícias desmoralizados, de salários baixos, horas extraordinárias por pagar, subsídios cancelados, fardas remendadas carros avariados, ladrões soltos, contas em casa por pagar... Imaginem a vontade para repor a calma de claques organizadas, bem-fadadas por dirigentes irresponsáveis.» - Jorge Gabriel, jornal Record, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «17 horas. Não dou para o peditório das arbitragens. Ouvir o Porto a queixar-se de quem é levado ao colo é como ouvir o Presidente da República a lamentar-se das suas reformas. Haja, pelo menos, algum decoro. Quero, por isso, falar-vos de um outro acontecimento desta semana. Daqueles que dá menos manchetes mas faz muito mais pelo futebol. Ao intervalo do jogo do Sporting, com o Beira-Mar olhei para o espaço onde costuma estar a Torcida Verde. Sendo civilizada, mostra como o apoio organizado pode estar a léguas da violência. Costumam dar voz, através dos seus cartazes no estádio, a reivindicações dos sócios. No último domingo fizeram um merecido elogio à direção. Era qualquer coisa como isto: "17h, finalmente um horário decente". Já defendi aqui que uma alteração simples pode fazer toda a diferença. Jogos à tarde trarão mais gente aos estádios. Mais importante: trarão gente diferente. Famílias, mulheres, crianças. Numa noite de domingo só aparecem os indefetíveis. O que muitos têm defendido ficou provado no último jogo. Num péssimo momento do Sporting e num jogo que não era o mais importante, estavam mais de 38 mil pessoas em Alvalade. Muito mais mulheres e crianças. Terão ajudado os bilhetes gratuitos para menores de 11, uma experiência a repetir muitas vezes. O ambiente, sentia-se, era logo outro. Se os clubes querem depender menos dos operadores de televisão, ter estádios cheios, ter mais receitas de bilheteira, ganhar mais adeptos (desde cedo) e ter menos violência nas bancadas, mudem todos os jogos de fim-de-semana para as tardes de sábado e de domingo, baixem um pouco o preço dos bilhetes e criem condições para os miúdos irem à bola com frequência. A experiência está feita. Resulta.» - Daniel Oliveira, jornal Record, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Dos fracos não reza a história. Vieira demorou, não ganhou muito nos 9 anos que leva como presidente, mas aprende e já faz mais coisas bem do que mal. No plano da credibilidade financeira e da mobilidade social há muito que o presidente deu mostras de valia imensa. Já muitos se esqueceram, mas o clube que herdou de Vilarinho tinha acabado de ser espoliado até ao tutano por Vale e Azevedo, o tal que continua a viver no bem-bom em Londres, sabe-se lá como. Foi no futebol que as coisas tardaram e há apenas 2 títulos de campeão para festejar. Mas há sinais de melhoras. E, quem sabe, mais uma conquista das boas para celebrar no final da época. A forma como tem gerido a equipa este ano, como chutou Rui Costa para cima e contratou um profissional como António Carraça para blindar o balneário, o facto de ter segurado Jorge Jesus, apesar da pobre temporada passada, e um pormenor como o hoje revelado por Record em relação a Rodrigo mostram como evoluiu o homem que manda no Benfica. Hoje incontestado como Pinto da Costa no Dragão. A obra não se compara, sim, mas não está terminada. O assunto passou quase despercebido e para os árbitros - os dois em questão e a classe em geral - era melhor que nem tivesse sido divulgado. Só que ontem o Conselho de Disciplina da FPF castigou João Ferreira com 3 jogos de suspensão e Paulo Baptista com dois por se terem recusado a apitar o Beira-Mar-Sporting. A razão, recorde-se, as criticas leoninas à arbitragem após a triste atuação de Cartos Xistra no jogo com o Olhanense. Cantavam os Heróis do Mar que dos fracos não reza a história. Talvez seja por isso que haja quem defenda que não se deve falar de árbitros. A ilegalidade das ações frente ao Sporting esta época foi agora castigada. Recordo que por solidariedade bacoca, birra ou algo pior, após Aveiro, Pedro Proença foi a Alvalade maltratar o leão com uma das piores arbitragens da carreira. Mais grave, esta época já se ouviram criticas semelhantes a Pinto da Costa e antes a Vieira e o corporativismo despreocupado dos juízes não apareceu. É fácil roubar o mais fraco. Chama-se cobardia e neste país há muito quem o faça. Mas ainda há quem esteja atento.» - Bernardo Ribeiro, jornal Record, 3 de Fevereiro de 2012. | |||
| «O colo do Benfica. Vítor Pereira é, no FC Porto, o menos culpado da época que o campeão nacional está a realizar. Nem sempre um bom adjunto dá um óptimo treinador. Vítor Pereira limitou-se a tentar agarrar a "sorte grande" que Pinto da Costa lhe colocou nas mãos. Num clube habituado a ganhar (quase) tudo, já atirou muito prematuramente pela janela fora a Liga dos Campeões e a Taça de Portugal e os 5 pontos de desvantagem para o Benfica não auguram nada de bom na prova mais importante do calendário futebolístico indígena. Com a conivência e portanto a responsabilidade da SAD portista e do seu presidente, Vítor Pereira não consegue potenciar os jogadores que estiveram na base de uma época de enorme sucesso e no momento em que o FC Porto é prejudicado por erros de arbitragem lança o anátema sobre o Benfica, dizendo que - ao colo da arbitragem - já pode encomendar as faixas de campeão. A realidade, é esta: o Benfica tem a melhor equipa e não tem sido prejudicado pela arbitragem, como decorre da velada "promessa eleitoral" do outro... Vítor Pereira. Faz toda a diferença. A minha afirmação segundo a qual "não há campeões em Portugal sem os favores de arbitragem" resulta, em grande parte, das queixas e observações, quer de treinadores, quer de dirigentes. São eles que nos levam a acreditar que o futebol ganha-se, primeiro, fora das quatro linhas e só depois dentro delas. Este é o grande problema e também o grande desafio que se coloca à indústria do futebol. Recentrar a sua importância dentro do campo e não fora dele. Para isso, a comunidade futebolística tem de se capacitar que é preciso refundar os princípios da "regulação do jogo", dando melhores meios aos árbitros. A FIFA tem de ganhar urgentemente essa consciência sob pena de todos nós andarmos a alimentar uma fraude e um dos tentáculos mais importantes das chamadas "economias paralelas". Vítor Pereira não disse que o Benfica "já pode encomendar as faixas" porque é a equipa que joga o melhor futebol que se vê praticar na I Liga; o treinador do FCPorto diz que o Benfica já pode encomendar as faixas "porque está a ser levado ao colo" pelo sector da arbitragem. O Benfica tem: - o melhor treinador da Liga portuguesa: Jorge Jesus; - o melhor ou um dos três melhores guarda-redes da Liga: Artur; - o melhor lateral-direito da Liga: Maxi Pereira (seguido de João Pereira); - o melhor defesa-central da Liga: Luisão; - a melhor dupla de centrais da Liga: Luisão e Garay; - o melhor trinco da Liga: Javi García; - o melhor 10 da Liga: Aimar; - os melhores pontas-de-lança da Liga: Cardozo e Rodrigo; - o melhor banco de suplentes da Liga, que pode ter: Eduardo, Matic, Bruno César, Nolito e Saviola, por exemplo; - o melhor futebol que se pratica na Liga. Pouco? Não é seguramente. Mas poderia ser pouco se a arbitragem não estivesse mansa para os lados da Luz. Uns dizem: é goooooooooolo! Outros dizem: é coooooooooolo! É golo ao colo.» - Rui Santos, jornal Record, 2 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Sporting falido. O Sporting andou 13 anos a construir uma mentira e a esconder uma verdade. A mentira foi a imagem de um clube com tanta ambição nas palavras como falta de resultados desportivos face às expectativas. A verdade foi a perdição nas suas contas, que o condenam a um lento estertor ao longo dos últimos anos. Isto tem sido dito e escrito, aqui e noutros lados, há muito tempo. Há anos que o Camilo Lourenço diz isso do Sporting, e de outros clubes, o que lhe foi valendo reprimendas mais ou menos públicas. Não deixa, pois, de ser surpreendente que a auditoria que hoje vai ser apresentada pela direção do clube esteja a produzir tanto frémito. Só não sabia que o Sporting estava falido quem nunca quis saber. E as últimas eleições prolongaram o logro, com as promessas costumeiras de sacos de dinheiro que depois nunca ninguém vê. Se o Sporting vendesse tudo o que tem (o ativo) para pagar tudo o que deve (o passivo), ainda ficariam por pagar 183 milhões de euros. E isso que quer dizer falência técnica, ou ter capitais negativos. Em linguagem coloquial diz-se "buraco". E esse buraco foi crescendo em cima de dívida bancária, sobretudo do BCP e do BES, que sustentou alegremente a inviabilidade crónica de um clube que tem cabeça de leão mas pés de gato... A tudo isto chama-se má gestão. Se fosse uma empresa, não haveria apelo nem agravo: fechava, era liquidado e os credores tomavam conta dos ativos. Mas no futebol a massa associativa vale mais que a massa falida, o que aponta para novas necessidades. O Sporting não pode ter resgates do Estado, precisa, sim, que os bancos perdoem parte da dívida, que acionistas (angolanos?) aumentem capital e que a gestão desenhe um modelo em que receitas sejam pelo menos iguais a custos. Ou arruma as contas ou arruma as botas.» - Pedro Guerreiro, jornal Record, 2 de Fevereiro de 2012. | |||
| «“Estes indivíduos não percebem nada. Não têm noção do ridículo em que caem. Estão a dar cabo do futebol e a criar um sistema insustentável para os árbitros que têm sido uns heróis." – Pinto da Costa, 24 de Agosto de 2011. Se o futebol se decide com golos então é caso para se dizer que em Santa Maria da Feira houve Varelas a mais e em Barcelos houve Varelas a menos. Este é um modo objetivo de resumir em poucas palavras o que foi a última jornada do campeonato para o Benfica e para o FC Porto no momento em que o zodíaco chinês festejou a chegada do Ano do Dragão. O zodíaco chinês deve estar avariado porque o Dragão não só perdeu o jogo como reclama ter sido gamado em duas grandes penalidade pelo árbitro Bruno Paixão que, de certeza absoluta, também devia estar um bocado para o avariado. O treinador do FC Porto queixou-se da «vergonhosa» arbitragem. Compreende-se. Vítor Pereira, por razões óbvias, não ia desatar a queixar-se do treinador - porque é ele o treinador e ficava-lhe esquisito. Foram breves as palavras de Vítor Pereira. Foi uma boa opção. Quanto menos falasse depois do jogo menos hipóteses haveria de ter de responder a perguntas atrevidas, como então, mister, agora o Helton já não é o capitão e passa a ser o Rolando, mas porquê? Ou mesmo a perguntas muito atrevidas como mister, não acha que perante aquilo que a sua equipa produziu nem com o Carlos Calheiros a apitar a vitória seria certa? Mas Vítor Pereira nem deu hipótese. Disse mal do árbitro mas não disse mal de si próprio. Assim, acabou Vítor Pereira a destoar, por razões compreensíveis, da esmagadora maioria dos adeptos portistas que se queixam tanto do árbitro como do treinador. Uma pessoa também se sente estranha ao ouvir o FC Porto a queixar-se dos árbitros. Não é costume. Raramente há razões para tal, o que tem permitido ao presidente do clube uma abordagem exclusivamente de índole desportiva aos problemas que atormentam o setor. Os árbitros são uns heróis e ridículos são aqueles que se queixam dos árbitros, não é verdade? É verdade que sim. Daí o silêncio de Pinto da Costa. O presidente sabe de árbitros mas também sabe de futebol. E por isso sabe fazer contas: mesmo que Bruno Paixão tivesse assinalado os dois castigos máximos e mesmo que Kléber os convertesse a preceito, mesmo assim não dava para ganhar o jogo em Barcelos. Ficava a coisa num 3-3 sem graça nenhuma.» - Leonor Pinhão, jornal A Bola, 2 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Coitadinho do João. “[João Pereira] parece alvo de campanha completamente persecutória. Tenho a sensação nítida de que sofreu mais faltas do que as que cometeu.” – Carlos Freitas, director-geral do Sporting. Treino da Seleção Nacional, preparação para o Euro-2004, no Jamor: Scolari quer fazer um treino de conjunto mas não há convocados suficientes; por isso, chama juniores do Benflca (como mais tarde faria com seniores do Belenenses, por exemplo) para completar o onze para onze. Entre esses juniores que surgem no Jamor está um lateral-direito pequeno, em altura e em largura, chamado João Pereira. Sim, aquilo de ter começado a jogar na equipa principal do Benfica como médio, à frente de Miguel, foi um acidente, fez a formação como lateral, nunca foi uma adaptação à defesa como quiseram fazer crer. Nesse onze para onze, a extremo-esquerdo da equipa que Scolari testa está Luís Figo, que na altura já tinha sido consagrado como melhor jogador do mundo. Num lance do treino o jogador do Real Madrid faz falta sobre o lateral dos juniores do Benfica, que se levanta de repente e cresce para o adversário, questionando-o na cara. João Pereira tinha, na altura, 17 ou 18 anos. Dizer-se que João Pereira é perseguido pelos árbitros é não querer ver a realidade: não deve haver jogador que tanto refile como ele; apresentar como argumento o tacto de sofrer mais faltas do que as que faz é querer enganar as pessoas; não é pelas faltas que faz mas pelo que diz aos árbitros depois de as fazer (e foi isso que aconteceu frente ao Beira-Mar) que está sempre a ver cartões. Atenção, isto não é uma crítica a João Pereira. Refilar está-lhe no sangue, desde pequenino. E até pode ser bom para a equipa, quando ela está amorfa, embora possa ter um efeito perverso se ela já estiver enervada. Coitadinho do João é que não!...» - Hugo Vasconcelos, jornal A Bola, 2 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Capas e audiências. Em 2011, houve 130 capas de jornais desportlvos pré-anunciando jogadores para o Benfica, que nunca lá ingressaram. Ao todo, 47 putatlvos jogadores. Mais de quatro equipas completas. É obra! O Benfica é, pela sua força, o abono de família das notícias desportivas. Mesmo dos media mais conotados com os seus adversários. Primeira página sem Benfica e notícia da rádio ou TV sem Benfica são como comida sem sal. O Benflca noticiado é o aperitivo, o prato principal e a sobremesa. Que o digam o registo das audiências e a contabilidade das vendas. Assim, não admira que tudo se misture no frenesim do pretenso efeito das notícias e da sofreguidão da sua leitura. Ou desde a imaginação fértil à manobra de um qualquer agente que depois de assegurar a internacionallzação de um vulgar jogador lhe quer subir artificialmente a cotação, via pretenso interesse do SLB. Quanto aos direitos televisivos, parece que os valores a receber pelo Porto e Sportlng estão indexados ao que o Benfica receberá. Bela boleia... que fala por si. Ou seja, a negociação do monopolista com o SLB implica (1+2) contratos novos com custos acrescidos. Assim se prejudica o Benfica neste estranho ajuste a três dimensões. PS - Fechado o mercado de inverno, desta vez (e bem) não foi o Benfica o principal animador dos sortidos de transferências. Apesar disso e compreendendo as dificuldades, fico preocupado com as alternativas para defesas-laterais. Agora sem Amorim, fica o turista Capdevila e os jovens André Almeida e Luís Martins, talvez jogadores de futuro, mas ainda longe do que, agora, é necessário. Muito arriscado...» - Bagão Félix, jornal A Bola, 2 de Fevereiro de 2012. | |||
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| «Olhar virado para o futuro. Uma das frustrações de Carlos Lisboa como jogador foi ter saído lesionado durante o encontro Benfica-Panathinaikos no velhinho pavilhão da Luz. A humidade era tal no recinto que o camisola n.º 7 escorregou e lesionou-se. A equipa de Mário Palma estava a bater-se de igual para igual com um dos colossos do basquetebol europeu e sem o contributo de Lisboa perdeu esse jogo para a Liga Europa. Volvidos tantos anos, o agora diretor-geral das modalidades deu particular ênfase a um pequeno pormenor: a climatização e o conforto dos dois pavilhões na Luz. Todo o estádio foi virado para o futuro e esta iniciativa do Benfica vem provar o forte ecletismo de um clube que vai comemorar 108 anos, apoiando fortemente as modalidades de pavilhão. Só falta comemorar os títulos...» - Norberto Santos, jornal Record, 1 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Uma lição. A derrota do FC Porto em Barcelos constituiu uma lição para muita gente. Depois das dificuldades do Benfica para vencer o Gil Vicente na Luz, alguns portistas diziam arrogantemente que o Gil tinha dado "um banho de bola" ao Benfica. Simultaneamente, os comentadores afetos ao Porto diziam que o seu clube tinha feito contra o Guimarães um dos melhores jogos da época, querendo convencer-se a si próprios de que, sem Hulk, o FC Porto ainda podia ser mais forte. Ora, viu-se. E isto devia servir de lição a todos os adeptos do futebol, aconselhando-os a ser mais comedidos. De que vale estar, num domingo, a atirar pedras aos adeptos do rival para, no domingo seguinte, as pedras estarem a cair-nos em cima? Um adepto do Sporting dizia-me no princípio de dezembro que Jesus não chegaria ao Natal, pois perderia com o Manchester United, perderia a seguir com o Sporting, e ficaria com a época estragada. Ora, se cheirava a heresia dizer que Jesus não chegava ao Natal, o que se passou foi o contrário e quem veio a ficar na berlinda foi o treinador do Sporting. O Benfica está hoje no topo. Mas os benfiquistas também não deverão cantar de galo (ou de águia). Até porque 5 pontos podem ser imenso ou muito pouco. Se o Benfica derrotar o Porto na Luz, os 5 transformam-se em 8 e equivalem a 9 (porque em caso de desempate o Benfica ganhará). Mas se o FC Porto vencer na Luz, os 5 serão apenas 2 - e valem por 1. O jogo de Barcelos foi uma lição para todos: não humilhes hoje o teu adversário, porque essa humilhação voltar-se-á amanhã contra ti.» - José António Saraiva, jornal Record, 1 de Fevereiro de 2012. | |||
| «Sinais de fumo. Já tinha havido sintomas de que as exigências do lugar de treinador principal do FCPorto iam muito além da couraça psicológica de Vítor Pereira. Agora, mesmo diante de uma arbitragem infeliz, o antigo adjunto de Villas-Boas começou por assumir responsabilidades para depois derrapar sem remédio, ao referir as “faixas de campeão para outra equipa". Não há memória de, a cinco pontos de distância e a quatro meses da meta, alguém com responsabilidades neste clube, ter assinado assim, unilateralmente, os papéis para a rendição. Em defesa do técnico, mantenho a ideia de que os dois maiores catalizadores da época cinzenta do FC Porto - que, em boa verdade, ainda pode ser campeão e importar de novo a taça da Liga Europa, mas não se livra do justificado amuo de muitos adeptos - se deve a teimosias da "estrutura". O que, neste universo, equivale a dizer duas iniciativas presidenciais demasiado prolongadas, sobretudo porque já se provaram sobejamente calamitosas. Uma nasce da incapacidade de Pinto da Costa perder a face em público - agora, fica à vista que Pereira foi um remendo para tapar a cratera aberta por Villas-Boas, que deixou descalço o patronato. Como o poder nunca pede desculpa pelos enganos, é o que se vê: um apoio "incondicional" que parece contar as horas que faltam para poder fazer a limpeza ao homem que escolheu. A segunda provém da falta de força do treinador, que não conseguiu impor a contratação de um ponta-de-lança com as caraterísticas do muito recordado Falcão, deixando a tarefa nos pés de um Kleber sem estatuto, de um Walter sem velocidade e de um Hulk sem o dom da omnipresença. Sem referência de área e sem um matador, o FC Porto somou outros problemas: se foi capaz de integrar Defour e Mangalla, cuja remoção para o banco é incompreensível no ano negro de Rolando, não conseguiu potenciar lturbe nem Alex Sandro. E Danilo, a menos que haja emenda rápida, vai pelo mesmo caminho. Guarín perdeu-se cedo na época e Belluschi foi queimado antes deste despacho pouco honroso para Génova. Moutinho está longe dos expoentes da última época. Fucile e Sapunaru ainda não devem perceber o que lhes aconteceu. Tal como na "crise Villas-Boas", quem manda no FC Porto foi rápido a responder à "crise Gil Vicente". Resta saber se a cortina de fumo vai além disso mesmo. Lucho? É um grande jogador, cujo regresso ao futebol português se aplaude, é um Comandante. E capaz de desenovelar esta equipa? A ver vamos. Janko? Salvo melhor opinião, nunca vi nenhum ponta-de-lança deste tipo deixar boas lembranças no FC Porto. Pode dar certo. Mas não me espantava se os sinais de fumo resvalassem para um fogo em casa - acontece muito, com a pressa de provar que tudo vai bem.» - João Gobern, jornal Record, 1 de Fevereiro de 2012. | |||
| «(...) A arbitragem de Duarte Gomes no último jogo do Sporting foi de tal maneira parcial no julgamento das faltas, da amostragem de cartões (com que prazer eles eram mostrados aos jogadores do meu clube...), e em outros pormenores, que entendi porque Patrício pontapeou a bola quando um corte-balão de um colega lhe chegou ao pé (gato rescaldado de água morna tem medo). Mas que diabo, dizer ou escrever que o nosso gigante americano merecia ter sido expulso aos 30 segundos no lance em que foi amarelado é gozar connosco. A azia trata-se com anti-ácidos ou com inibidores da bomba de protões, o anti-sportinguismo primário pode fazer perfurar a úlcera.» - Eduardo Barroso, jornal A Bola, 1 de Janeiro de 2012. | |||
| «A outra equipa. «Se quiserem levar a outra equipa ao colo...», afirmou peremptoriamente o técnico do Porto, após o galo cantar três vezes em Barcelos. A outra equipa? Primeiro pensei no Gil Vicente. De facto, era a outra equipa, só não entendi o colo. A seguir lembrei-me do cipriota Apoel. Mas logo achei quão impossível é ganharem a Champions, mesmo que num colo de ouro. Depois surgiu-me na mente a Académica, que está a um passo de chegar ao Jamor, ao colo da Oliveirense. Mas não. A outra equipa tem um nome que escalda a língua do até aqui envernizado e prudente Vítor Pereira: Sport Lisboa e Benfica. Um fulminante ataque de amnésia que, por paixão ou galo, o impediu de se lembrar de tão ignoto adversário. É assim a memória: selectiva, abrasiva e reprimida. Já quanto à costumeira expressão «levar ao colo», o treinador ficou-se pela vulgaridade contumaz. Prejudicado pelo árbitro no jogo de domingo (o que, só por si, não justifica o desaire), recai nas amnésias. Por exemplo, esquece o conveniente penalti na 1.ª jornada em Guimarães, obra de Benquerença, assim como, em casa e contra o incómodo Gil Vicente, olvida um penalti inventado por um tal Rui Silva e um vermelho directo transformado num pálido amarelo para Otamendi aos 5 minutos. Por fim, percebo a frustração de o Porto não ter igualado o recorde (da «outra equipa») de jogos consecutivos sem perder. Tal qual como no ano passado e depois de notável liga sem derrotas, ter também ficado aquém do recorde de 28 vitórias e dois empates da mesma «outra equipa», então por força de um intruso Paços de Ferreira. Sempre a obsessão com a tal «outra equipa»...» - Bagão Félix, jornal A Bola, 1 de Fevereiro de 2012. | |||
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