quarta-feira, março 29, 2017

A estatistica é como o Biquini :- o que mostra é sugestivo :- o que esconde é vital



"Acho absolutamente inacreditável que o Ministério Público
 pretenda conduzir os processos penais sem prazo", disse 
o ex-primeiro-ministro, falando sobre o processo que o envolve
O antigo primeiro-ministro José Sócrates considerou hoje
 que a decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) 
de adiar a conclusão do inquérito "foi uma decisão gravíssima
" e acusou o Ministério Público de criar complexidade para
 justificar atrasos.
"A decisão da senhora procuradora foi uma decisão gravíssima.
 Trata-se do quinto adiamento e, desta vez, um adiamento
 sem prazo. Acho absolutamente inacreditável que o Ministério
 Público pretenda conduzir os processos penais sem prazo",
 afirmou hoje aos jornalistas José Sócrates, referindo-se à decisão
 da PGR de adiar a conclusão do inquérito e emissão de despacho
 final da 'Operação Marquês'.
O antigo primeiro-ministro sublinhou que aquilo que o Ministério 
Público provoca é "fazer uma condenação sem julgamento",
 acusando os responsáveis pelo processo de criarem a complexidade
 para "justificarem os atrasos e esta campanha de difamação".
"Os prazos previstos no código penal são fundamentais para
 a defesa das pessoas", sendo que estes prazos "não estão 
disponíveis para o Ministério Público os poder manipular 
como entender", notou o também antigo secretário-geral do
 PS, que falava à comunicação social após ter discursado na 
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
De acordo com José Sócrates, o Ministério Público acaba por
 estar a fazer "uma alteração da lei" e não a interpretá-la,
 sublinhando que as alterações legislativas competem à 
Assembleia da República.
O antigo primeiro-ministro também constatou que, ao fim de
 dois anos e meio, a procuradora-geral da República, 
Joana Marques Vidal, "vem agora manifestar dúvidas 
e manifestar até desconfiança quanto à investigação".
O Ministério Público (MP), vincou, utiliza um "método de
 partir de um culpado para depois descobrir o crime" - algo
 que "inverte o processo penal próprio dos Estados democráticos".
José Sócrates criticou o facto de o MP tentar juntar ao 
processo pessoas que "nada têm que ver" com o antigo primeiro-ministro,
 como é o caso de "Ricardo Salgado, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro".
"É absurdo", comentou, classificando essas "tentativas"
 como uma forma de o Ministério Público querer "fazer
 uma nova frente, lançar mais suspeitas sobre as pessoas,
 para mais um adiamento".
"Por favor não atirem areia aos olhos das pessoas", apelou 
o ex-primeiro-ministro.
A defesa de José Sócrates anunciou que vai impugnar 
"por todos os meios legais" a decisão da procuradora-geral 
da República de prorrogar o prazo de conclusão do inquérito
 da 'Operação Marquês'.
Segundo os advogados, "a decisão da senhora procuradora-geral de determinar que o inquérito prossiga sem prazo nenhum é ilegal e ilegítima".
Os procuradores elencaram seis fundamentos para justificar
 novo adiamento da conclusão do inquérito, incluindo a necessidade
 de aprofundar a investigação ligada à PT, realização de novas
 diligências e atrasos de Angola e Suíça na resposta a cartas
 rogatórias, entre outros.
Sócrates está indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada
 e branqueamento de capitais, num processo que investiga crimes
 económico-financeiros e que tem 28 arguidos, 19 pessoas e
 nove empresas.
Entre os arguidos estão Armando Vara, ex-administrador da
 Caixa Geral de Depósitos 
e antigo ministro socialista, Carlos Santos Silva, empresário
 e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário
 do grupo Lena, Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, João Perna,
 antigo motorista de Sócrates, Paulo Lalanda de Castro, do grupo 
Octapharma, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, ex-administradores
 da PT, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários 
Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro e o empresário
 luso-angolano Hélder Bataglia.

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