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Presidente da Câmara de Pedrógão Grande, que avançou como independente
em 2013 com o apoio do PSD, queixa-se de ter sido "usado"
para preencher o mandato a que o anterior líder da autarquia
não podia concorrer
O atual presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves,
eleito pelo PSD, ameaça recandidatar-se à autarquia como independente
, depois de o PSD ter aprovado a candidatura do antigo líder do município,
João Marques, às próximas eleições autárquicas.
João Marques, também presidente da concelhia local, liderou a
autarquia de Pedrógão Grande durante 16 anos, entre 1997 e 2013,
ano em que já não se pôde recandidatar, devido à lei da limitação de
mandatos. O PSD convidou então Valdemar Alves para protagonizar
a disputa autárquica, que viria a vencer com 56,9% dos votos.
O atual presidente da câmara queixa-se agora de ter sido "usado" para
preencher o interregno obrigatório do anterior líder camarário. "Sinto-me
injustiçado pelo que estão a fazer. Serviram-se de mim para fazer
a ponte, tiraram-me do conforto da minha família, e agora fazem isto",
lamenta Valdemar Alves ao DN. O autarca sublinha que a decisão
tomada pelas estruturas locais do PSD - de forma irregular, acusa - vai
contra os princípios de orientação estratégica do partido, aprovados
em Comissão Política, e que apontam para a recandidatura dos atuais
presidentes de câmara.
Valdemar Alves concorreu às eleições de 2013 como independente, mas
filiou-se entretanto no PSD. Diz que já escreveu ao presidente da distrital
de Leiria, mas ficou sem resposta, que já reuniu com o coordenador
autárquico, Carlos Carreiras, sem que a situação tenha ficado resolvida,
e que até escreveu a Pedro Passos Coelho a expor o seu caso,
igualmente sem sucesso. Agora, admite avançar novamente como
independente à presidência da autarquia.
O nome de João Marques foi já aprovado pela Comissão Política Nacional
do PSD, que reuniu na passada semana para aprovação de candidaturas
autárquicas.
Dirigente distrital nega irregularidades
Rui Rocha, presidente da distrital de Leiria do PSD, rejeita que tenha
havido irregularidades no processo de escolha do candidato à Câmara
de Pedrógão Grande: "refuto totalmente". Quanto ao facto de, neste
caso, não ter sido seguida a orientação de recandidatura dos atuais
presidentes, o dirigente distrital sublinha que se trata de uma orientação
e não de uma imposição - caso contrário "não valia a pena haver
estruturas locais".
"O que rege o partido são os seus Estatutos, que são a nossa Constituição.
E os Estatutos o que dizem é que compete às estruturas locais, neste
caso à secção, propor uma candidatura, que é apreciada e votada na
estrutura política e concelhia, que depois a faz chegar à distrital".
Rui Rocha não deixa de sublinhar que o atual presidente do município
"não teve um único voto na eleição que teve lugar na concelhia".
"Vivemos em democracia, temos que respeitar a democracia", conclui.
Sobre a queixa de Valdemar Alves de ter sido usado para preencher o
mandato a que o anterior presidente não podia concorrer, o líder da
distrital de Leiria escusa-se a comentar: "É uma interpretação pessoal
sobre a qual nada tenho a dizer". Quanto à possibilidade de o atual presidente
avançar como independente contra a candidatura social-democrata,
Rui Rocha sublinha que, se esse cenário se vier a verificar, será a
"democracia a funcionar".
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