domingo, outubro 24, 2010

Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros

Artigo do autor



Camilo Lourenço


BPN: memória curta


Março de 2001. A revista "Exame", que na altura dirigia, dizia na capa que o


Banco de Portugal tinha passado um cartão amarelo ao BPN. Dias depois recebi


um telefonema de Pinto Balsemão. Assunto: Dias Loureiro tinha-lhe telefonado


por causa do artigo e, na sequência dessa conversa, queria falar comigo.


Acedi prontamente.






A conversa com o ex-ministro foi breve... mas elucidativa: Dias Loureiro


estava desagradado com o tratamento dado ao BPN; o assunto tinha criado um


problema imagem do banco; não havia qualquer problema com o BPN; Oliveira e


Costa estava muito "incomodado" com a matéria de capa (para a qual tinha


contribuído, com uma entrevista) e pensava processar a revista (como


efectivamente aconteceu).






Depois da conversa comuniquei a Pinto Balsemão que não tinha ficado


esclarecido com as explicações de Dias Loureiro e que, por mim, a "Exame"


mantinha o que tinha escrito. O que aconteceu depois é conhecido...






Ao ouvir Dias Loureiro na RTP fiquei espantado. Porque o ex-ministro disse


que ficara tão preocupado com o artigo que foi, de "motu propriu", ao Banco


Central comunicar que a instituição devia estar atenta. Das duas uma: ou


Dias Loureiro soube de algo desagradável entre a conversa comigo e a ida ao


Banco de Portugal; ou fez "fanfarronice" nessa conversa para esconder os


problemas do BPN. Há uma terceira hipótese... Feia. Mas depois do que vi no


assunto BPN já nada me espanta!






No meu dicionário da língua, portuguesa, 5ª edição da Porto Editora, consta:


Político, adj. Que pertence ou diz respeito à política ou aos negócios


públicos; fig. delicado; cortês; astuto; finório; s.m. indivíduo que trata


de política; estadista.


Em consequência do que se passa neste país, proponho à Porto Editora que


acrescente mais: adj. Hominho aldrabão, trafulha, safado, mentiroso,


vigarista, desonesto, salafrário, sem verticalidade.


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