sexta-feira, maio 13, 2016

A estatistica é como o Biquini :- o que mostra é sugestivo :- o que esconde é vital



Metalúrgicos alemães obtêm espectacular aumento de salários


Economia


A notícia surge a par de uma outra, sobre a retomada de um pujante crescimento da economia alemã. Fica a pergunta sobre o ovo e a galinha - mas os economistas apontam a subida dos salários e a reanimação do consumo como motor do mini-boom da produção.

A economica alemã voltou, no primeiro trimestre de 2016, a um ritmo de crescimento de outros tempos: 0,7 por cento, segundo hoje anunciou o instituto alemão de estatística (Statistische Bundesamt), citado em Der Spiegel. O contraste é nítido com os 0,3 por cento de crescimento do PIB no trimestre anterior, o último de 2015.

Vários factores são apontados como possível explicação para esta aceleração, nomeadamente o aumento de investimento em equipamentos e o bom momento que vive a indústria da construção civil, em parte favorecido por um inverno relativamente suave.

Mas principalmente a reanimação da procura e do consumo das famílias são vistos como motor fundamental da aceleração do crescimento económico. Às exportações pouco devem estas boas notícias, porque a conjuntura internacional continua marcada pela estagnação ou pela crise, em especial nos casos de tradicionais importadores de produtos alemães, como a Rússia, o Brasil ou a China, e porque a robustez do euro não ajuda a vender mais para esses países.

Por sua vez, o novo dinamismo do mercado interno alemão vem sendo potenciado por vários factores, como é neste momento o nível de desemprego mais baixo dos últimos 25 anos, a redução da factura da energia para as famílias, ou as taxas de juro em mínimos históricos, que desencorajam a poupança e, pelo contrário, convidam ao consumo.
Acordo histórico nas indústrias eletro-metalúrgicas
Enfim, o mais importante factor do reforço de procura interna é o aumento de salários e pensões. O exemplo, por excelência, desta tendência faz também hoje parangonas e manchetes na imprensa alemã e é dado pelo acordo-piloto, ontem assinado entre sindicatos e confederações patronais, prevendo um aumento salarial de 4,8 por cento, sobre um pano de fundo em que praticamente não existe inflação.

Segundo o Süddeutsche Zeitung, o acordo começou por ser assinado para as indústrias da metalurgia e da eletricidade no Land de Renânia-Norte Vestefália, e tem uma vigência de 21 meses, segundo foi hoje comunicado em Colónia pelas organizações subscritoras.

O aumento de 4,8 por cento será atingido de forma faseada, mas em prazos curtos: primeiro, todos os trabalhadores receberão um aumento uniforme de 150 euros, até 1 de Julho; a partir daí, serão aumentados em 2,8 por cento até Abril de 2017; nesse momento, receberão novo aumento, de2 por cento.

Receava-se que o impasse negocial levasse a uma greve, em vésperas do fim de semana longo - na Alemanha, o fim de semana de Pentecostes. Por isso mesmo, sindicatos operários e patronais estiveram sentados ininterruptamente durante 14 horas, até chegarem a este acordo.

A reivindicação sindical para começo de conversa tinha sido de 5 por cento, com a vigência de um ano. A parte patronal admitia um aumento, mas queria limitá-lo a 2,1 por cento, com a vigência de 24 meses. Finalmente, o acordado ficou muito mais próximo da reivindicação sindical do que da concessão oferecida pelos patrões.

O acordo da Renânia-Norte Vestefália deverá ser estendido a 3,8 milhões de pessoas que trabalham no mesmo ramo industrial, nos restantes Länder da Alemanha.
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