
Lisboa, uma das maiores cidades do Ocidente
Por volta de 1600, Lisboa era a sexta maior cidade da Europa cristã, apenas superada por Paris. Londres, Nápoles, Veneza e Milão. Porto atlântico, da capital do Reino partiam e chegavam as rotas do Brasil, da África e do Oriente, pelo que a ela acorreram ao longo dos séculos XVI e XVII grandes contingentes resultantes de migrações internas, mas igualmente numerosos mercadores e aventureiros estrangeiros, bem como uma população escrava que terá atingido 10% do total da população em finais de Quinhentos.
Pelas condições menos ásperas que oferecia, Lisboa foi crescendo em desproporção com a demografia portuguesa. Os numeramentos (censos populacionais), róis e registos paroquiais evidenciam um firme crescimento da cidade e do deu termo (arredores), não obstante dois grandes terremotos e surtos epidémicos de peste bubónica, tifo e fomes, flagelos que então eram comuns a todos os grandes aglomerados populacionais do Ocidente.
Em 1528, Gaspar Barreiros afirmava que "em Lisboa dificultosamente se acharam casa onde não pousem muitos moradores." Por essa altura, a cidade comportaria 70.000 habitantes, mas em 1590 já eram cerca de 120.000 e em 1755, quando o grande terremoto a destruiu parcialmente, Lisboa aproximava-se dos 200.000 habitantes, com cerca de 800 habitantes por quilómetro quadrado. Só em finais do século XVIII, Lisboa abandonaria o estatuto de grande metrópole, sendo destronada pelos emergentes centros da Europa industrial e mercantil, ou pelas grandes cidades dos mundos russo e alemão.
Ângelo Ferreira
Imagem: ilustração de Luís Diferr representando Lisboa em meados do século XVII.
__________________
- Please, be Happy -
Sem comentários:
Enviar um comentário